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Resultado das urnas enfraquece líder britânica nas negociações do 'brexit'

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GERAL

Resultado das urnas enfraquece líder britânica nas negociações do 'brexit'

DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL

BRISTOL, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - Mesmo que consiga formar o próximo governo, a primeira-ministra britânica, Theresa May, chegará enfraquecida às mesas de negociação do "brexit", a saída do Reino Unido da União Europeia.

O início das conversas está previsto para 19 de junho e o processo de separação deve durar até dois anos.

Já se imagina que possa haver um atraso no cronograma, com a crise política aberta pelas eleições de quinta (8). Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, escreveu de manhã que "não sabemos quando as conversas vão começar".

O representante do Parlamento Europeu para o "brexit", Guy Verhofstadt, comentou o resultado como "outro gol contra" do governo britânico. "Eu achava que o surrealismo tinha sido uma invenção belga", escreveu.

Isso porque a primeira-ministra havia convocado eleições antecipadas justamente para ampliar sua maioria parlamentar e chegar mais forte às mesas de negociação, o que não aconteceu.

Fraquejando, May poderá ter que mudar seu time de negociadores e fazer concessões aos demais partidos. O acordo final do "brexit" precisa ser votado no Parlamento, onde ela não tem maioria.

Essas perspectivas interessam em especial ao grupo de 3 milhões de cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e ao 1,2 milhão de britânicos no continente.

Não se sabe quantos brasileiros com a cidadania europeia vivem no Reino Unido, mas 400 mil brasileiros têm a cidadania italiana, por exemplo, com a qual eles poderiam residir nesse país.

São pessoas que se preocupam com seu futuro -por exemplo, se poderão continuar a residir onde estão e se terão o direito a trabalhar ali.

As promessas do Partido Conservador não são, por enquanto, animadoras para esse grupo. May quer um "brexit duro", nome dado à retirada completa do Reino Unido, inclusive do mercado comum, que congrega 500 milhões de consumidores.

Mas, sem a maioria no Parlamento, e aliada a um partido com visões mais suaves de "brexit", a primeira-ministra pode ter que amolecer as suas promessas.

DIREITOS

Os partidos prometeram, em suas campanhas, proteger os direitos dos europeus residindo no Reino Unido.

Associações civis, porém, veem os discursos dos políticos com desconfiança. Anne-Laure Donskoy, do coletivo 3 Million, diz que por ora "as promessas não significam nada". "Não sabemos que direitos e de que pessoas vão ser protegidos", afirma à reportagem em Bristol, onde essa organização está sediada.

O 3 Million foi formado após o plebiscito do "brexit", em 23 de junho de 2016. Donskoy é a co-diretora. Ela recebe a reportagem em um café, ostentando um broche de "não sou uma mercadoria para negociar" -referencia ao temor de europeus de que seus direitos sirvam de moeda de troca nestes anos.

"Queremos manter todos os nossos direitos. Não há razão para termos menos. Viemos a este país de boa fé, seguindo as leis europeias", diz. Donskoy migrou da França em 1987, atraída pela cultura britânica. "Me sentia melhor neste ambiente."

O 3 Million, financiado por doações, faz lobby no Parlamento britânico e no Parlamento Europeu, apresentando suas preocupações. "Somos o elo entre os dois lados do debate", afirma Donskoy.

BUROCRACIA

Um dos pontos-chave para as organizações da linha do 3 Million é facilitar o processo com o qual europeus pedem o direito de continuar a residir no Reino Unido.

Hoje é preciso apresentar dezenas de páginas, em um processo descrito como um pesadelo burocrático. Europeus precisam provar cinco anos consecutivos de contribuição -o que dificulta, por exemplo, os pedidos de quem não tinha carteira assinada ou passou um período afastado ou sem trabalho.

Kasia Bylok, 45, por exemplo, nem vai tentar. O empregador de seu único período contínuo já morreu e ela não tem perspectivas de encontrar os papéis que provem sua contribuição.

Nascida na Polônia, ela diz que ver as campanhas do "brexit" e estas eleições lhe deu uma sensação de não ter poder diante de decisões que afetam diretamente sua vida.

Entusiasta da União Europeia, ela diz que "é um projeto de identidade que permite identidades paralelas" -como a sua, ao mesmo tempo polonesa e europeia.

"Mas muitos britânicos têm uma visão diferente do que significa ser europeu", diz Donskoy, antes de deixar o café levando o seu broche.

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