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Nos EUA, Aloysio Nunes diz lamentar a saída do país do Acordo de Paris

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GERAL

Nos EUA, Aloysio Nunes diz lamentar a saída do país do Acordo de Paris

ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Um dia depois de os Estados Unidos anunciarem a saída do Acordo de Paris, o chanceler Aloysio Nunes evitou, em encontro com o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, repetir as críticas à decisão divulgadas pelo governo brasileiro na véspera.

A reunião entre Aloysio e Tillerson no Departamento de Estado teve como foco, segundo o ministro brasileiro, enxugar a agenda bilateral em uma lista de dez pontos que os dois lados querem ver resolvidos de forma mais rápida.

"Nós lamentamos. Nesse Acordo de Paris, a presença dos EUA é muito importante", disse Aloysio a jornalistas depois da reunião. "Mas nós vamos continuar engajados nessa agenda do clima, que, para nós, é um dos pontos fundamentais nas nossas políticas externa e interna", afirmou, esclarecendo depois que o assunto não foi abordado pelos dois.

Na quinta, após o anúncio feito pelo presidente Donald Trump, o governo brasileiro disse ter recebido "com profunda preocupação e decepção" a mudança.

Ao posar para fotos com Aloysio, Tillerson -que é apontado como uma das forças dentro do governo que tentava evitar a saída do tratado- disse que foi uma "decisão política" e que os EUA já têm "excelentes" números de redução de emissões.

"Não acho que vamos mudar os nossos esforços para reduzir as emissões de gases do efeito estufa no futuro. Então espero que as pessoas tenham isso em perspectiva", afirmou.

'ROTEIRO'

Segundo Aloysio, o encontro estabeleceu um "roteiro muito claro de trabalho" para os dois países, com temas que já vinham sendo discutidos de forma bilateral, mas que agora terão prioridade sobre outros.

Entre eles, estão expandir a convergência regulatória e também a facilitação do comércio, com uso de documentos eletrônicos, e continuar as discussões sobre o Open Skies, acordo para liberalizar as rotas aéreas. Há ainda a expectativa de análises das "convergências" entre modelos de investimento nos dois países com o objetivo de negociar um acordo bilateral na área.

"Partimos da constatação de que termos 40, 50 objetivos, pode nos dispersar", disse. Ficarão de fora da discussão nos próximos meses temas mais complicados, como um acordo para a eliminação de bitributação -que, segundo o embaixador nos EUA, Sergio Amaral, "precisa de maior aprofundamento".

A ideia é que, em três meses, os dois governos façam uma avaliação de como avançou cada um dos pontos, que incluem ainda as áreas de saúde, agricultura, defesa, segurança, infraestrutura e energia.

Aloysio reafirmou que Temer tem a intenção de fazer uma visita aos EUA no segundo semestre para ter um encontro bilateral com Trump.

CRISE NO BRASIL

Aloysio reconheceu que a crise política no Brasil contribuiu para piorar a imagem do país no exterior.

"Evidentemente, quando os grandes veículos de comunicação do mundo repercutem essa crise, especialmente os dados sobre corrupção, isso não é bom. Isso afeta a imagem do Brasil", disse.

Ele, no entanto, negou que Tillerson tenha demonstrado preocupação com o andamento das relações diante da crise.

"O que o secretário Tillerson enfatizou é a sua convicção de que Brasil é um país institucionalmente sólido. [...] Temos turbulência política, mas que não significa [que temos] uma turbulência institucional", afirmou o brasileiro.

A crise na Venezuela também foi tema das conversas, com os dois ministros concordando que é preciso discutir uma solução no âmbito da OEA (Organização dos Estados Americanos). Aloisio veio a Washington justamente para participar de uma reunião de chanceleres do organismo sobre o país.

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