Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Petroleiras criticam decisão de Trump de tirar os EUA do Acordo de Paris

Loading...

GERAL

Petroleiras criticam decisão de Trump de tirar os EUA do Acordo de Paris

MARCOS AUGUSTO GONÇALVES

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Ao contrário do que se poderia imaginar, a decisão do presidente norte-americano, Donald Trump, de retirar seu país do Acordo de Paris foi criticada por grandes petroleiras e empresas da área de energia.

O abandono também esbarrou na opinião de alguns assessores da Casa Branca, que saíram derrotados no episódio.

Segundo a rede CNN, a Exxon, maior companhia de petróleo dos EUA, já havia enviado uma carta à Casa Branca no mês passado manifestando-se a favor da permanência no acordo por considerar seu escopo "efetivo para enfrentar os riscos da mudança climática".

Não por acaso, o Secretário de Estado, Rex Tillerson, que foi CEO da Exxon de 2006 a 2016, é um dos assessores apontados como contrários à decisão, assim como a filha de Trump, Ivanka, e de seu genro, Jared Kushner.

Além da Exxon, a Chevron, a Shell e a BP, outras gigantes globais do setor, se pronunciaram oficialmente a favor do continuidade do acordo.

Essa posição reflete o crescente investimento dessas empresas em gás natural e energias alternativas, além do interesse em reduzir a presença do carvão -um aspecto relevante do pacto ambiental.

Em seu discurso para anunciar o rompimento, Trump convocou dois figurões do governo para apoiá-lo, numa tentativa de minimizar a desavenças em sua equipe -o vice-presidente, Mike Pence, e o diretor da agência ambiental, Scott Pruitt.

O presidente falou sobretudo a seus apoiadores. Insistiu no bordão "America First" (América Primeiro, em inglês) e reiterou que estava cumprindo suas promessas de campanha em defesa de empregos e do bem-estar das famílias americanas.

Num acesso de nacionalismo paroquial (e de mistificação), Trump afirmou ser representante dos cidadãos de Pittsburgh (tradicional centro industrial do país) e não dos de Paris.

Curiosamente, uma pesquisa do Programa de Mudança Climática da Universidade Yale aponta que quase metade dos eleitores do republicano (47%) acredita que os EUA devam participar de acordos internacionais para limitar o aquecimento global, enquanto apenas 28% são contrários.

Outro aspecto que chamou a atenção no discurso foi a relação que o presidente estabeleceu entre países signatários do acordo e aqueles que supostamente não cumprem suas obrigações financeiras em alianças militares.

Foi uma referência direta à União Europeia e à Otan, o pacto militar do ocidente, logo após sua recente viagem ao exterior.

Os atritos com aliados europeus têm recebido severas críticas internas. Muitos analistas consideram que Trump estaria retirando o país do papel estratégico de liderança global.

O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Últimas Notícias