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ATUALIZADA - Boca de urna indica vitória de nome da centro-esquerda na Coreia do Sul

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ATUALIZADA - Boca de urna indica vitória de nome da centro-esquerda na Coreia do Sul

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pesquisas de boca de urna indicam que o liberal Moon Jae-in, 64, foi eleito presidente da Coreia do Sul na eleição desta terça-feira (9), pondo fim a uma década de domínio conservador e após a crise política que levou ao impeachment da presidente Park Geun-hye.

As urnas foram fechadas às 20h (8h em Brasília) e o resultado oficial deve ser divulgado na tarde desta terça. De acordo com pesquisa conduzida pelas três maiores emissoras do país, Moon (Partido Democrático, de centro-esquerda) deve receber 41,4% dos votos, contra 23,3% do seu rival conservador, Hong Joon-pyo (Partido Coreia Liberdade).

Hong e o candidato centrista Ahn Cheoul-soo (21,2%), do Partido Popular, já afirmaram que irão reconhecer o resultado da eleição, em uma concessão da derrota.

O voto na Coreia do Sul não é obrigatório. O comparecimento foi de 77,2% -pouco acima dos 75,8% da eleição de 2012, mas abaixo da marca de 80% esperada pela Comissão Nacional Eleitoral. Não há segundo turno.

Caso o resultado das pesquisas de boca de urna se confirme, o novo presidente assume já nesta quarta-feira (10) com dois grandes desafios: internamente, avançar com reformas que aumentem a transparência do governo, combalido após as denúncias contra Park. Presa no fim de março, ela é acusada de subornar empresas e foi a primeira presidente a sofrer impeachment desde a divisão da península Coreana, em 1948.

No campo externo, o novo líder sul-coreano terá pela frente uma Coreia do Norte cada vez mais belicosa e o processo de instalação do sistema americano antimísseis no sul. Moon prometeu que irá trabalhar por uma reaproximação com Pyongyang, reabrindo o complexo industrial intercoreano de Kaesong -fechado pelo governo Park em 2016- e retomando o projeto que leva turistas do sul ao monte Geumgang, no lado norte-coreano.

Moon também defende reconsiderar a instalação do sistema antimísseis americano na Coreia do Sul. Para ele, a proteção oferecida pelo escudo viria às custas de uma piora nas relações com a China. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que espera que Seul pague pelo sistema. "Porque estamos pagando US$ 1 bilhão? É fenomenal. Eu quero protegê-los [sul-coreanos]. Mas eles deveriam pagar por isso, e eles entendem isso", disse Trump.

ATIVISTA

Advogado, Moon nasceu em 1952, durante a Guerra da Coreia (1950-53), na ilha de Geoje, no sul da península Coreana. Seus pais fugiram do norte comunista em meio ao conflito.

Aos 20 anos, entrou na faculdade de direito em Seul, mas foi expulso após ser detido em um protesto estudantil contra o regime do ditador Park Chung-hee (1917-1979) -pai da presidente deposta Park Heun-gye.

Moon voltou à faculdade nos anos 1980, mas foi preso novamente. Em 1982, abriu um escritório de advocacia em Busan, maior cidade do sudeste, com 3,5 milhões de habitantes. Seu sócio era Roh Moo-hyun, presidente sul-coreano entre 2003 e 2008, de quem Moon depois foi chefe de gabinete.

Juntos, Moon e Roh se tornaram figuras importantes nos protestos pró-democracia que tomaram a Coreia do Sul em 1987, culminando na primeira eleição direta para presidente nesse mesmo ano.

Enquanto Roh entrou para a política um ano depois, Moon permaneceu no escritório em Busan, defendendo estudantes e trabalhadores presos em protestos e greves.

Após a vitória de Roh na eleição de 2002, o antigo sócio foi convidado para ser assessor do presidente, encarregado de verificar nomes para altos cargos no governo e impedir a ascensão de figuras envolvidas em corrupção, e depois seu chefe de gabinete.

O discurso de combate à corrupção esbarra, porém, na participação de Moon no governo Roh (2003-2008). O ex-presidente cometeu suicídio em 2009 depois de ter importantes membros de sua administração acusados de receber propina de grandes conglomerados empresariais.

Moon também foi alvo de críticas de entidades de defesa dos direitos LGBT após afirmar, em um debate televisivo desta campanha, que é contra a presença de homossexuais nas Forças Armadas sul-coreanas. "Eu sou contra. Eu não gosto disso."

Ele depois moderou o discurso: "Eu me oponho à discriminação contra homossexuais, mas sou contra a legalização [do casamento gay]".

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