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Com clássicos do Police, Sting toca para duas gerações de fãs em SP

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GERAL

Com clássicos do Police, Sting toca para duas gerações de fãs em SP

THALES DE MENEZES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Sting é esperto. Tem três décadas de uma carreira solo de sucesso comercial e respeito por parte da crítica, mas sabe muito bem que nela não repete o impacto na música pop conquistado como cantor e baixista do trio Police, entre 1977 e 1986.

O artista britânico, em sua oitava passagem pelo Brasil (incluídas duas com o antigo grupo), deixou isso claro na noite de sábado, ao tocar para pelo menos duas gerações de fãs no Allianz Parque, em São Paulo. Não teve receio de colocar oito músicas do Police no repertório, para ganhar o coro da plateia em um show consagrador.

O espetáculo ocupou menos da metade do estádio do Palmeiras, numa configuração diferente da exibida nos shows de, por exemplo, Paul McCartney e David Gilmour, que juntaram 40 mil fãs no mesmo local. O palco de Sting foi montado no gramado, e a plateia ocupou uma pista diante dele e uma parte do arco de arquibancadas. Os ingressos à venda eram 15 mil, e a lotação não foi alcançada. Pelo menos 25% dos lugares estavam vazios.

A maneira de encaixar as músicas foi muito bem acertada. Sting abriu o show com "Synchronicity 2", uma das mais poderosas canções do antigo trio, seguida de outra do Police, "Spirits in the Material World".

Depois tratou de mostrar o trabalho que fez sozinho, com alguns hist radiofônicos, como "Englishman in New York" e Fields of Gold". Apresentou cinco músicas de seu álbum mais recente, "57th & 9th", que motivou a atual turnê.

Disco considerado por boa parte da imprensas especializada como "uma volta ao rock", a performance no palco só comprova o que já era possível constatar no estúdio: pode até ser chamado de rock, mas a música de Sting continua com jazz nas entranhas.

Já era assim no Police, que juntava três músicos de diferentes backgrounds. Sting vinha de grupos de jazz, o baterista Stewart Copeland adorava rock e ritmos africanos, e o guitarrista Andy Summers gostava de blues, rock e até bossa nova.

Ter um disco recente tão bom ajuda. Canções novas como "Down, Down, Down" e "One Fine Day" não fizeram feio ao lado do hino "Message in a Bottle", outro clássico do Police eleito para a apresentação.

Sting faz parte de um pequeno time de músicos pop que fazem canções pegajosas que parecem simples, mas definitivamente não podem ser classificadas assim. A economia de acordes é compensada por sequências harmônicas sutis e envolventes. Sting é um tremendo músico e compositor.

Na apresentação solo ele tem de se preocupar em cantar e entreter o público (e Sting faz isso muito bem, em ótima forma aos 65 anos), e aí não aparece tanto o excepcional baixista que se destacava mais com o Police. Mas ele encontrou espaço aqui e ali para mostrar todo o talento, principalmente na versão "jazzy" que criou para "Roxanne".

E é com o repertório matador do trio que Sting eletrizou o público na parte final do show. Ele resgatou "Walking on the Moon", "So Lonely", "Roxanne" e, no bis, "Next to Me" e o maior sucesso do Police, "Every Breath You Take". O público saiu de alma lavada.

SUSTO NA ABERTURA

Joe Sumner, filho de Sting, mostrou que a genética não foi muito generosa com ele. Fez uma apresentação de pop rock sem brilho para abrir a noite, e passou mal na última música, ao que parece sob muita emoção. Foi amparado por Sting, que causou alvoroço na plateia com essa rápida e inesperada aparição antes da hora.

O show prosseguiu com a outra atração de abertura, a banda texana The Last Bandoleros, que fez uma apresentação empolgante. Os jovens depois atuaram como backing vocals e percussionistas no show de Sting. Joe Sumner também voltou ao palco no meio da performance do pai e então se deu melhor cantando um dos clássicos de David Bowie (1947-2016), "Ashes to Ashes", um exemplo de "art rock" original de 1980.

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