Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Rosto e nome de garis são estampados em caminhões de lixo de São Paulo

Loading...

GERAL

Rosto e nome de garis são estampados em caminhões de lixo de São Paulo

JÚLIA BARBON

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Eles passam em frente à sua casa toda semana, mas você provavelmente não os conhece. São milhares de motoristas e garis - ou coletores, como alguns preferem ser chamados - que percorrem as ruas da cidade todos os dias.

Uma ação que começou nesta segunda (1º) em São Paulo pretende reverter isso e aproximar esses homens e mulheres da população.

No Dia do Trabalho, 220 funcionários passaram a ter seus nomes e rostos estampados em 30 caminhões de lixo que circulam pelas zonas norte e central da capital. Eles passam por bairros de 13 prefeituras regionais, como Sé, Lapa, Mooca, Pinheiros, Santana e Brasilândia.

Os veículos são da Loga, uma das duas empresas responsáveis pela coleta, tratamento e destinação de resíduos em São Paulo. Ela atua nas regiões central, norte e oeste, enquanto a EcoUrbis trabalha nas zonas sul e leste.

"O cara que coleta o lixo é um agente ambiental, tem um papel fundamental na nossa vida. A intenção primeiro é provocar a sociedade, fazendo ela ver esses homens que 'não existem'. Em segundo lugar, fazer com que eles mesmos reconheçam seu trabalho", diz Marcelo Gomes, diretor-presidente da Loga.

Os caminhões estampados com as artes em estêncil, desenvolvidas por uma equipe de grafiteiros, representam 11% da frota da companhia, de 261 veículos. Foram contemplados 14% dos funcionários (de um total de 1.566) nesta primeira etapa. A ideia é aplicar as fotos dos trabalhadores em mais caminhões, mas a Loga não tem um prazo para isso.

Uma das colaboradoras que pode ter seu rosto reconhecido nas ruas do centro é Kelly de Souza Nascimento, 50, a única mulher entre os 410 motoristas da empresa. Ela trabalha lá há oito anos, sete deles com a mesma equipe, de três coletores - a foto de todos eles estará no caminhão que conduzem diariamente.

"Gosto muito de dirigir e gosto da rotina. Se você está há muito tempo na mesma região, acaba conhecendo as pessoas", diz Kelly.

Com o salário da coleta, ela conseguiu comprar uma casa em Francisco Morato há dois anos (os motoristas ganham, em média, R$ 2.200). "Me deram a oportunidade e eu soube usar", afirma ela, que trabalha no turno da noite, das 18h às 2h.

O pernambucano José Genilson Silva, 36, acorda às 4h para fazer o expediente das 6h às 15h na coleta seletiva. "Faço com o maior prazer porque é de onde eu tiro meu sustento. Estou conseguindo pagar minha dívida, dar o leite para o meu menino [Gabriel, de 3 anos], resolver meus problemas", conta, com seu sotaque nordestino.

Nascido em Betânia (PE), ele veio para São Paulo passear com a família aos 14 anos e acabou ficando. Estudou até a 8ª série e começou a trabalhar com 18. Foi eletricista, porteiro e vigilante. Agora está há dois anos e quatro meses na Loga, onde o salário de coletor gira em torno de R$ 1.380.

Todos os coletores da empresa trabalham de segunda a sábado, no turno da manhã ou da noite. São divididos nos serviços de coleta domiciliar, seletiva e de serviços de saúde.

Normalmente, eles percorrem mais de dez quilômetros por dia, coletando 6.000 toneladas de resíduos, em 1,6 milhão de domicílios e 16 mil estabelecimentos de saúde - segundo a empresa, cada brasileiro gera em média 1,4 quilo de lixo diariamente.

O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Últimas Notícias