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Paradisíaca, Ilhabela tem praias impróprias e sofre com saneamento

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GERAL

Paradisíaca, Ilhabela tem praias impróprias e sofre com saneamento

THIAGO AMÂNCIO, ENVIADO ESPECIAL

ILHABELA, SP (FOLHAPRESS) - Famílias tomam sol, crianças brincam na areia e muita gente entra no mar para fugir do calor na praia Grande, na paradisíaca Ilhabela (SP). Tudo para ser um fim de semana normal de verão. Não fosse uma placa vermelha, incomodando alguns e ignorada por muitos, que alerta: imprópria para banho.

Para a surpresa da maior parte dos turistas com quem a reportagem conversou, Ilhabela, destino muito procurado no litoral norte paulista, tem grave problema balneabilidade de praias -muitas delas ficam impróprias para banho em boa parte do ano.

Levantamento feito pela Folha de S.Paulo, com dados de balneabilidade de 1.180 pontos de praias monitorados em 14 Estados do país, mostra que 29% delas são ruins ou péssimas para banho, 42% foram classificados como "bons" ou "ótimos" e 29% estavam "regulares". Os dados são dos próprios órgãos ambientais estaduais.

O aposentado Aldo Cherubini, 72, frequenta a ilha há duas décadas. No último dia 27, olhava, de longe os filhos e netos entrarem no mar na praia Grande, ao lado da placa de imprópria. "Isso assusta, eu mesmo não vou entrar no mar. Essa situação numa cidade tão turística dessas? É inacreditável", reclama.

A cena se repetia na Ilha das Cabras, outra praia classificada como imprópria no fim de janeiro. "A placa não me assusta. A praia está limpíssima", diz Elis Abreu, 36, enquanto vendia açaí na areia.

André Luís Rosa, que mergulha há 30 anos na região e hoje trabalha como instrutor de mergulho por lá, destaca que a classificação da praia reflete a análise feita pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) -muitas vezes feita dias antes. "Como a corrente varia muito, às vezes a praia está imprópria em um dia e própria no outro", diz.

ESGOTO

O principal problema apontado por ambientalistas e técnicos ouvidos pela reportagem é a precariedade no saneamento da ilha. A coleta de esgoto alcança menos de 28% dos moradores, segundo dados de 2015 do governo federal -o restante é despejado diretamente em córregos e acabam atingindo o mar. No entanto, a situação já foi pior: só 5% dos habitantes tinham coleta de esgoto em 2009.

Série histórica da Cetesb mostra que, entre 2005 e 2015, quase todas as praias da ilha eram consideradas regulares (quando passam até 25% do ano em condições impróprias para banho), ruins (impróprias entre 25% e 50% do anos) ou péssimas (mais de 50%).

Em 2016, pela primeira vez, sete praias monitoradas ficaram próprias em 100% do ano, situação inédita por lá: Siriúba, Barreiros Norte, Saco da Capela, Feiticeira, Julião, Grande e Curral.

Para Danielle Kintowitz, coordenadora técnica do Observatório Litoral Sustentável, contribui o fato de as praias monitoradas pela Cetesb ficarem viradas para o continente, onde se forma um canal que dificulta a dissolução do esgoto.

O esgoto coletado em Ilhabela é despejado no mar no emissário de Itaquanduba, que fica 800 metros distante da praia, em direção à vizinha São Sebastião. É o menor emissário do Estado -Guarujá, Santos e Praia Grande têm emissários com quatro quilômetros ou mais de distância da praia. São Sebastião também tem outros dois emissários de esgoto, Araçá e Cigarras, próximos da ilha.

A coordenadora de ambiente do Instituto Ilhabela Sustentável, Gilda Nunes, cita ainda condomínios luxuosos que despejam o esgoto diretamente em córregos no interior da ilha. "Você vê que o problema é a falta de consciência, não importa a classe social. O que está sendo feito hoje em Ilhabela é crime ambiental."

OUTRO LADO

A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de SP) diz que investiu R$ 83 milhões em sistemas de abastecimento de água e esgoto sanitário em Ilhabela desde 2009. A empresa diz que o emissário de esgoto opera conforme a legislação vigente e que não há interferência com os emissários de São Sebastião.

A empresa diz que está em contato com a prefeitura para firmar novos contratos sobre a prestação de serviço e novos investimentos.

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