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ATUALIZADA - Supermercados reforçam segurança, e ônibus param na Grande Vitória

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GERAL

ATUALIZADA - Supermercados reforçam segurança, e ônibus param na Grande Vitória

CAROLINA LINHARES, ENVIADA ESPECIAL

VITÓRIA, ES (FOLHAPRESS) - O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari foi morto a tiros na madrugada desta quinta-feira (9) em Vila Velha (ES). Com a morte do sindicalista, os ônibus da Grande Vitória retornaram aos terminais devido à falta de segurança. Para evitar novos roubos, supermercados de Vitória colocaram seguranças armados em frente aos estabelecimentos.

Na manhã desta quinta, Wallace Barão foi encontrado morto dentro do carro no bairro Alvorada em Vila Velha, onde morava. O presidente do sindicato de Vitória, Edson Bastos, diz que o colega estava a caminho de Guarapari (a 54 km de Vitória).

Bastos afirmou que os motoristas receberam ameaças para que parassem de circular. Ele conta que homens armados ameaçaram motoristas para que eles voltassem à garagem. As ameaças teriam acontecido a motoristas do centro de Vitória e de Laranjeiras, no município de Serra.

Nesta quarta (8), a Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória havia informado que algumas linhas iriam operar a partir das 6h. "Nós voltamos a pedido do governo, eles nos prometeram segurança, mas a segurança não veio. Fizemos a nossa parte", disse Bastos.

"O combinado era Força Nacional nos terminais e nos trajetos, mas teve terminal que a Força só chegou às 8h, duas horas depois", disse o sindicalista.

Mariangela Azevedo foi surpreendida com a falta de ônibus no Terminal Urbano de Vila Velha, o principal da cidade. Para levar sua filha de menos de um ano a uma consulta, recorreu ao táxi. Segundo os taxistas, os ônibus pararam de circular por volta das 9h.

"As pessoas preferem a PM porque a polícia sabe onde estão os bandidos, o Exército não sabe. Eles estão circulando nas avenidas, mas não entram nos bairros perigosos", disse a taxista Jaqueline Trevisan, 44.

MAIS DE CEM MORTOS

Mesmo com reforço de militares das Forças Armadas no Estado, o número de mortos desde o início da crise passou de cem nesta quinta. Iniciado na sexta (3), o motim dos PMs resultou no envio de 1.200 homens do Exército e da Força Nacional ao Estado desde segunda (6). O governo Michel Temer disse que haverá reforço de mais de 550 das Forças Armadas e de 100 da Força Nacional.

O número de homicídios tem sido informado pelo Sindicato dos Policiais Civis e pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), mas de maneira informal. Como o governo do Estado se nega a divulgar um balanço, não se sabe o número exato de mortes.

Na noite desta quarta (8), três policiais foram baleados no Estado. Segundo Renato Martins, presidente da Associação de Cabos e Soldados, o sargento Marcos Antônio Garcia foi baleado em Santa Maria de Jetibá, no interior.

Martins não tem detalhes sobre o episódio, mas informou que Garcia foi atingido no rosto e está em condição estável, segundo a mulher dele. Em Cariacica, na Grande Vitória, dois policiais foram atingidos -uma no braço e outro na perna- e não correm risco de morte.

SEGURANÇA REFORÇADA

Alguns supermercados abriram nesta quinta (9), mas sob forte esquema de segurança para evitar novos roubos -ao menos dois estabelecimentos comerciais foram assaltos na manhã desta quinta em Vitória. Às 10h20, um supermercado no bairro Mata da Praia, em Vitória, estava superlotado. O segurança, com porrete na mão, orientava os carros que tentavam entrar: "vai abrir de novo às 13h".

A incerteza sobre a situação de segurança no Estado e o fato de poucos supermercados abrirem estão levando os capixabas a fazerem fila desde cedo para garantir comida.

Nesse supermercado, a fila no caixa chegava a 40 minutos. Ali e em outro estabelecimento, no bairro Jardim da Penha, a maioria dos funcionários foi trazida em vans fretadas para trabalhar. "Estou repondo o que estava acabando", diz a aposentada Ana Masiero, 61. Ela afirma ainda que tem saído pouco de casa.

MOVIMENTO CHANTAGISTA

Chamado de chantagista pelo governador licenciado do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), o movimento que tirou policiais das ruas no Estado causa problemas para os moradores comprarem alimentos, abastecerem veículos e usarem serviços bancários.

Hartung, que passou por um procedimento endoscópico para a retirada de um tumor na bexiga na sexta (3), em São Paulo, fez nesta quarta (8) seu primeiro pronunciamento público sobre a onda de violência no Estado.

"É um caminho errado que rasga a Constituição, é uma chantagem", disse o governador, que recebeu recomendação dos médicos para reassumir só na semana que vem o comando do Estado -a cargo do vice, Cesar Colnago, até lá.

Hartung classificou a ação dos policiais como "grotesca" e afirmou que o direito do povo foi sequestrado. "Estão cobrando resgate, mas não se paga resgate por aspecto ético nem pelo descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal", afirmou, em referência ao pedido de reajuste salarial de 65% até 2020.

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