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Alunos ficam sem refeição em escolas da rede estadual paulista

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GERAL

Alunos ficam sem refeição em escolas da rede estadual paulista

TATIANA CAVALCANTI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Alunos de ao menos cinco escolas estaduais da Freguesia do Ó e de Pirituba, na zona norte de São Paulo, voltaram às aulas, na quinta (2) passada, sem a refeição normalmente oferecida aos estudantes. Os colégios, administrados pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), estão sem merendeiras.

As escolas estão servindo apenas a merenda seca, que consiste em bolachas com suco, achocolatado ou chá. Segundo funcionários e pais, o contrato das merendeiras, de uma empresa terceirizada, não foi renovado.

Na Escola Estadual Paulo Trajano da Silveira Santos, na Vila Marina, na Freguesia do Ó, os estudantes do primeiro ao quinto ano, que têm entre seis e dez anos, estão levando comida extra na lancheira. Muitos estão preferindo almoçar antes de ir para a aula. Segundo os pais dos alunos, em reunião na sexta-feira passada, a escola pediu que enviem lanches para as crianças.

"Com toda essa situação, fico confusa se já dou comida para minha filha antes da aula ou se mando lanche. Essa refeição faz falta, porque é uma alimentação balanceada. Viver de bolacha não é nada saudável", afirma a dona de casa Letícia Rosa, 34, que nesta segunda (6) deu R$ 2 para a filha de 8 anos ir à cantina.

Ela não foi a única mãe a dar dinheiro para o lanche na cantina, que oferece hambúrguer, minipizza e pão de queijo. "É tudo que faz mal para essas crianças. É um absurdo, mas tive que dar R$ 5 para minha filha não passar fome na escola", disse a mãe de uma aluna do terceiro ano que pediu para não ser identificada. Segundo os pais, a escola não disse quando a refeição vai voltar.

Em outros três colégios da região que estão sem merendeira, a recomendação dada aos pais é a mesma: levar um lanche. Já na escola estadual Doutor Augusto de Macedo Costa, pais estão indo à unidade fazer a comida para os alunos, disse uma funcionária.

LANCHEIRA

Estudante do terceiro ano da Escola Estadual Professor Paulo Trajano da Silveira Santos, na Freguesia do Ó (zona norte), Vitória Alves de Amorim, 8, carregava uma lancheira na mochila. Nela, havia bolacha de água e sal, de amido de milho, além de suco e água. A refeição, que deveria ser servida às 15h, faz falta.

"Isso é um absurdo, uma vergonha não ter a comida para as crianças. Temos dado almoço à nossa filha todos os dias para garantir que ela não fique sem comer", afirmou o motorista Tiago Xavier, 31, ao deixar a filha Vitória na porta da escola, na tarde de ontem.

A mãe da garota, a dona de casa Tatiane Alves de Faria, 29, esteve na reunião da semana passada. Segundo ela, a escola disse que não está servindo a refeição aos alunos porque está sem merendeira para fazer a comida. Ela era funcionária de uma terceirizada que teve o contrato com o governo do Estado encerrado.

"Como é que isso não foi resolvido antes do retorno às aulas? Me sinto muito prejudicada e minha filha acaba se alimentando mal", afirmou a dona de casa.

O nutricionista Matheus Silva, da Estima Nutrição, afirma que a alteração na merenda escolar pode comprometer o aprendizado. Segundo ele, quando uma refeição rica em nutrientes é substituída por bolacha e suco industrializado, a criança pode ter dificuldade para se concentrar nas aulas.

"A merenda com bolacha e suco é rica em açúcar e carboidratos simples, que deixam a criança hiperativa e acabam tirando ela do foco do que está sendo ensinado."

OUTRO LADO

A Secretaria de Estado da Educação, da gestão Geraldo Alckmin (PSDB), admitiu que não há merendeiras nas escolas. A pasta disse em nota que o processo de licitação para a contratação de funcionários está em fase final. A expectativa, afirmou, é que o serviço seja retomado "nos próximos dias", sem dar uma data.

Segundo o governo, enquanto a licitação não termina, os alunos recebem "o cardápio não manipulado, que também segue padrões nutricionais para a faixa etária, é composto de lanches, sucos, frutas, barras de cereais e achocolatado".

A secretaria disse ainda que não há falta de alimentos nas unidades, e que os estoques estão completos.

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