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ATUALIZADA - Com presença de militares, ônibus voltam a funcionar em Vitória

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GERAL

ATUALIZADA - Com presença de militares, ônibus voltam a funcionar em Vitória

CAROLINA LINHARES, ENVIADA ESPECIAL

VITÓRIA, ES (FOLHAPRESS) - As ruas do Espírito Santo seguem praticamente sem policiamento na manhã desta terça-feira (7), com um movimento de familiares de policiais militares bloqueando a saída de viaturas.

Porém, com reforço de mil homens das Forças Armadas e 200 da Força Nacional de Segurança no Estado, alguns comerciantes abriram as portas, e os ônibus voltaram a circular pelo menos até as 19h.

Desde a noite desta segunda (6), a Folha de S.Paulo viu dois caminhões das Forças Armadas circulando em Vitória. O reforço dos militares se concentra em terminais de ônibus da cidade. A Prefeitura de Vitória manteve a suspensão das aulas e do atendimento em postos de saúde.

Desde sábado (4), o Estado vive uma onda de criminalidade, com assaltos, arrastões e assassinatos. Vídeos publicados na internet mostram lojas sendo saqueadas e até um ônibus roubado de um terminal.

Segundo o Sindicato dos Policiais Civis, já foram 63 mortes nós últimos três dias. O governo do Estado não confirma o número. Policiais do departamento de homicídios afirmaram à Folha que os corpos recolhidos no fim de semana têm sinais de execução, geralmente com de dois a quatro tiros na cabeça, peito ou costas.

No IML (Instituto Médico Legal) de Vitória, a movimentação de parentes é intensa e há superlotação de corpos. Paulo Oliveira foi ao local para liberar o corpo do sobrinho de 22 anos, que foi assassinado no domingo (5) em Cariacica, região metropolitana de Vitória.

A família não quis informar se o jovem, que trabalhava na construção civil, tinha passagem pela polícia. Sobre a falta de policiamento, Oliveira afirmou ser "uma negligência do Estado" e que a reivindicação dos policiais "não justifica colocar a sociedade à mercê da criminalidade".

Uma mãe que não ser identificada chorava a perda do filho de 19 anos. "Estou sem comer e sem dormir", diz. Para ela, o filho foi executado. Segundo a mulher, dois homens passaram em uma moto atirando contra o jovem na manhã de segunda-feira próximo ao Shopping Boulevard da Praia, no bairro Santa Helena.

O jovem já havia sido preso por furto e estava em liberdade há oito meses, de acordo com o relato da mãe. "Ele me disse 'mãe, estou mudado, a senhora não vai ter mais dor de cabeça comigo'", disse à Folha.

NEGOCIAÇÃO

Familiares de policiais continuam obstruindo batalhões e quartéis da Polícia Militar. O movimento reivindica aumento salarial e vinha conversando com a Secretaria da Segurança Pública do Estado. No domingo, porém, o governo afirmou que só negocia quando o policiamento voltar às ruas.

Uma decisão da Justiça considerou o protesto ilegal e determinou multa para as associações de policiais. As associações, no entanto, dizem não ser responsáveis pelo movimento dos familiares.

"Forçaram a barra ao responsabilizar as associações", diz o major Rogério Fernandes Lima, presidente da Associação dos Oficiais Militares do Espírito Santo. "Só tem um culpado por essa situação: aquele que rompeu o diálogo" afirma, em referência ao secretário de Segurança, André Garcia.

Os presidentes de algumas associações estão reunidos com parlamentares do Estado para pressionar o diálogo com o governo.

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