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Em Belo Horizonte, prefeito Kalil vai instalar mural de grafite em seu gabinete

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GERAL

Em Belo Horizonte, prefeito Kalil vai instalar mural de grafite em seu gabinete

CAROLINA LINHARES

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), anunciou pelas redes sociais a criação do projeto "Profeta Gentileza" de incentivo ao grafite na cidade.

Entre as ações propostas pelo projeto, está a pintura da antessala do gabinete do prefeito com um mural de grafite, segundo o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas José de Oliveira.

A principal medida é a realização de um edital para selecionar de 50 a 80 grafiteiros que irão cobrir cerca de 50 espaços na capital mineira. Os artistas receberão pagamentos de R$ 1.000 a R$ 2.500, de acordo com Leônidas, que prevê o concurso para março. Um desses grafiteiros será escolhido para decorar o gabinete de Kalil.

A ação de valorização do grafite vem em meio às críticas que o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), tem recebido com relação ao programa "Cidade Linda", que apagou murais na avenida 23 de Maio e promete fechar o cerco à pichação.

Nesse sentido, Belo Horizonte instituiu em 2010 a Política Municipal Antipichação e tem outras três leis que preveem multa a partir de R$ 720 para pichadores e identificação de compradores de tintas em spray. Em caso de pichação de bens tombados, a multa pode chegar a mais de R$ 7.000.

Na época vereador, o atual deputado estadual Fred Costa (PEN) foi o autor do projeto de lei que deu origem à política antipichação. Ele, contudo, vê ressalvas nas ações de Doria.

"Temo que possa ser um mero paliativo se não houver legislação e fiscalização", diz à Folha. Para o deputado, em relação à avenida 23 de Maio, o prefeito tucano agiu de forma indiscriminada, condenando grafite e pichação.

"Eu sou radicalmente contra pichação. É uma atitude ilegal que tem que ser duramente penalizada. Agora, em relação àquilo que é legal, que foi feito com aval das pessoas e com autorização, e que é considerado arte, eu não posso ser contrário", diz. "Não pode haver essa confusão e ambos serem condenados."

FISCALIZAÇÃO

Costa afirma ainda que a situação em Belo Horizonte não melhorou, apesar da legislação.

"Lamentavelmente o que a gente observou é que a cidade de Belo Horizonte continuou convivendo com essa poluição visual. Não basta ter leis, tem que ter vontade de praticar essa política pública e fiscalização", diz.

Entre 2012 e novembro de 2016, uma média de 19 pessoas foram conduzidas por mês na capital mineira por pichação. No mesmo período, 22 foram presos e 1.947 boletins de ocorrência foram registrados denunciando a prática.

Foram 192 conduções, seis prisões e 269 boletins no ano passado. Até setembro, a prefeitura havia gasto R$ 316 mil com reparação em viadutos, túneis e no obelisco da Praça Sete.

A delegada Andrea Pochmann, da divisão de proteção ao meio ambiente, informou à Folha que Belo Horizonte possui uma frente de combate à pichação, formada por membros da prefeitura, da Guarda Municipal, do Ministério Público, da Polícia Civil e da Polícia Militar, e que esse grupo se reúne eventualmente.

A Polícia Civil também montou um catálogo de pichadores vinculado aos boletins de ocorrência, que traz informações como o nome dos suspeitos e sua movimentação em redes sociais.

A prefeitura afirmou ainda que a Guarda Municipal mantém uma vigilância específica contra pichadores com o auxílio de 1.600 câmeras distribuídas pela cidade.

GENTILEZA

O nome do projeto "Profeta Gentileza" é uma homenagem ao artista urbano José Datrino, conhecido por esse apelido e que pintou a célebre frase "gentileza gera gentileza" em pilastras de um viaduto no Rio de Janeiro.

Em Belo Horizonte, além do edital, o projeto inclui programas educativos, oficinas e promoção da arte urbana em festivais da cidade.

"Políticas estruturadas de arte urbana causam o entendimento, para artistas e para a população, de que, diante da ilegalidade do picho, há alternativas para que as pessoas se insiram na arte urbana", disse Oliveira à Folha.

Em 2015 e 2016, a principal ação da Prefeitura de Belo Horizonte em relação ao grafite foi o projeto "Telas Urbanas", que teve a participação de 83 artistas e pintou os principais corredores da cidade.

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