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Em protesto, Svetlana Aleksiévitch deixa associação de escritores russa

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Em protesto, Svetlana Aleksiévitch deixa associação de escritores russa

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A jornalista bielorrussa Svetlana Aleksiévitch, ganhadora do Nobel de literatura em 2015, deixou o braço russo do PEN Center, uma das principais associações de escritores do mundo, em protesto contra a expulsão do jornalista e ativista Serguei Parkhomenko. Junto a ela, mais 30 intelectuais deixaram a organização.

"Meu comentário sobre a expulsão de Parkhomenko só pode ser minha decisão de deixar o PEN russo, cujos ideais fundadores foram covardemente violados. Na época da Perestroika, sentíamos orgulho de fazer parte do PEN, mas agora sentimos vergonha", escreveu Aleksiévitch em uma carta anunciando sua saída.

"Os escritores russos só agiram de forma tão subserviente e ultrajante no período stalinista. Mas Putin vai passar, enquanto essa página vergonhosa do PEN vai ficar."

A associação de escritores resolveu expulsar Parkhomenko por "atividade de provocação" e por "tentar destruir a organização de dentro". De acordo com o memorando da reunião de 28 de dezembro, todos os 15 membros do conselho votaram a favor da expulsão do jornalista.

O ativista disse que sua expulsão foi uma punição por um post em sua página no Facebook, em que criticava os líderes do PEN Center por recusarem apoio ao cineasta ucraniano Oleg Sentsov.

Sentsov foi condenado a 20 anos de prisão por uma corte russa. O diretor foi preso em 2014 e condenado já no ano seguinte, acusado de planejar ataques terroristas na Crimeia, o que incluía atear fogo ao escritório de um partido político local e explodir uma estátua de Lênin.

O julgamento foi amplamente criticado como infundado. A Anistia Internacional o comparou aos tribunais da era stalinista.

Depois de passar três anos em uma cadeia russa, o cineasta conseguiu, por meio de uma carta contrabandeada, revelar que está preso em uma colônia penal na Sibéria.

Parkhomenko é uma figura contestadora na Rússia. Ele foi um dos líderes dos protestos que, em 2011, reuniram mais de 60 mil pessoas em Moscou e São Petersburgo contra a eleição que deu um terceiro mandato presidencial a Vladimir Putin.

Em 2012, o ativista organizou um grupo para mover processos por fraude eleitoral contra o governo.

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