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Mais animado que de costume, Bob Dylan faz 1º show após ganhar Nobel

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GERAL

Mais animado que de costume, Bob Dylan faz 1º show após ganhar Nobel

- Atualizado em 14/10/2016 08:05

FERNANDA EZABELLA

LAS VEGAS, EUA (FOLHAPRESS) - Como um ganhador do Nobel festeja seu grande prêmio? Se for Bob Dylan, tirando o pó de sua guitarra e indo para o trabalho como se fosse um dia qualquer, ainda que num luxuoso cassino de Las Vegas.

Como de costume, Dylan não abriu a boca para cumprimentar a plateia ou comentar a honraria no show que deu no mesmo dia do anúncio do Nobel de Literatura, na quinta-feira (13), e sim apenas para cantar hits como "Blowin In The Wind", "Tangled Up In Blue" e "Desolation Row".

Apesar da aparente frieza, havia algo diferente no ar. Dylan parecia mais animado que o normal e quase dançando em algumas canções, como em "Love Sick" e "Pay in Blood". Pela primeira vez em quase quatro anos, ele empunhou a guitarra num show, deixando a zona de conforto do piano para tocar "Simple Twist Of Fate", uma das raridades da noite.

"Já vi mais de 400 shows de Dylan e em muitos ele sempre parecia muito triste e mal olhava para o público. Hoje, ele estava se divertindo, parecia feliz. Acho que o Nobel deu uma levantada em seu astral", disse o artista Brad Tenner, que trabalha com esculturas de vidro na cidade de Eugene, no Estado de Oregon.

A balada "Simple Twist Of Fate", lançada no álbum de 1975 "Blood on the Tracks", é um belo poema sobre um encontro amoroso misterioso, uma canção bem ao estilo de Dylan, que o transformou num dos maiores poetas do rock e hoje ganhador do Nobel. Sua voz rouca e seu cantar comendo palavras, no entanto, dificultam o entendimento de boa parte das letras ao vivo.

"Não importa tanto a voz. Bob é um homem teatral, um cara mítico. Foi meu primeiro show, adorei", disse o colombiano e produtor de TV Rafael Gimenez, 36.

Para encerrar os 90 minutos exatos de apresentação, Dylan mandou o cover de Frank Sinatra "Why Try To Change Me Now" (por que tentar me mudar agora), uma boa resposta para quem esperava de Dylan um pronunciamento fora do roteiro. Outras do set list de 17 músicas foram "Make You Feel My Love", outra raridade, "Don't Think Twice, It's All Right", "Early Roman Kings" e "Ballad Of A Thin Man" na gaita e depois piano.

O público de Las Vegas não era exatamente formado por fãs "hardcore" de Bob Dylan, que tocou na sexta-feira passada num festival na cidade californiana de Indio, a 400 km de Las Vegas, evento que se repete neste final de semana com as mesmas atrações (Dylan, Rolling Stones, The Who, Paul McCartney, Neil Young e Roger Waters).

Cinco horas antes do show de Vegas, que acabou esgotado, ainda havia ingressos por US$ 60. Muitas pessoas procuravam suas cadeiras quando Dylan já estava no palco, pontualmente às 20h. A primeira série de aplausos mais entusiasmados só veio aos 40 minutos, no refrão de "Tangled Up In Blue". Seguranças circulavam pela plateia e retiravam quem ousava tirar foto do astro, uma proibição repetida exaustivamente desde a fila de entrada.

O casal de portugueses Marta Mestre e Filipe Pina estava de férias e já tinha comprado o ingresso antes de chegar na cidade. Foi a primeira vez que eles viram Dylan ao vivo e estavam animados com a coincidência do prêmio. "O Nobel foi uma escolha polêmica porque suas letras são fortes mas não são literatura da forma tradicional. Acho bom o Nobel direcionar um bocadinho para um lado menos clássico, que é o livro, para algo da poesia musical", disse Filipe, engenheiro civil de 40 anos, com uma camisa do Joy Division.

O baixista e corretor imobiliário Jack Fisher, 52, morador de Las Vegas, comprou seu ingresso uma hora antes e pagou mais de US$ 400 para sentar bem na frente. "Estava deprimido e bêbado em casa, perdi muito dinheiro ontem na jogatina. Mas quando ouvi sobre o Nobel do Dylan e que ele ia tocar aqui, vim correndo, me animei. Resolvi gastar dinheiro com algo que preste", disse, de cerveja na mão.

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