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Obra do cineasta Andrzej Wajda pauta-se pelo inconformismo

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GERAL

Obra do cineasta Andrzej Wajda pauta-se pelo inconformismo

- Atualizado em 10/10/2016 15:05

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INÁCIO ARAUJO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A importância mundial de Andrzej Wajda começa com o degelo nos países socialistas, mais especificamente em 1956. Stalin estava morto, Kruschev havia reabilitado Gomulka e ele assumia o governo polonês.

Foi isso que permitiu a Wajda realizar o seu segundo filme, "Kanal", que era visto com enormes reservas pelas autoridades até então. Do ponto de vista político, o filme afirmava a Polônia como um país ansioso por sua independência, pois prensado durante a Segunda Guerra entre os nazistas e os soviéticos. Como se sabe, no fim das contas ganharam os soviéticos.

"Kanal" marcou, graças ao prêmio do júri que ganhou em Cannes em 1957, a geração de cineastas poloneses que se afirma depois que o realismo socialista entra em pane no país. O prêmio coincide com o surgimento de um novo cinema na Polônia, disposto a lutar contra a censura e a influência soviética.

Esse viés é ainda mais claro em "Cinzas e Diamantes" (1958), que, situado no final da guerra, opõe claramente os nacionalistas ao novo ocupante, o soviético.

Já "Samson" (1961) vai revelar outra face do inconformismo do cineasta, que ali coloca em questão o ancestral antissemitismo polonês.

Se os movimentos de 1968 enfraquecem o líder Gomulka, a quem Wajda atribui o afrouxamento da censura, também o socialismo permanecerá em crise profunda, o que desembocará em "O Homem de Mármore" (1976), onde uma realizadora da TV luta para realizar um filme sobre um operário padrão dos anos 1950, que depois de se afastar da linha oficial, cai em desgraça e conhece aquele destino característico dos dissidentes do stalinismo.

Ao sucesso do filme atribui-se o crescimento em importância do sindicato Solidariedade, a cuja atuação Wajda sempre foi simpático. Simpatia que se confirmaria em outro filme abertamente político, "O Homem de Ferro" (1981) -onde talvez o ponto mais relevante seja a antipatia pelos soviéticos.

Após a passagem pelo cinema francês, com destaque para seu "Danton" (1982) em que ecoam mais questões do socialismo e da Polônia do que propriamente da Revolução Francesa, e outros filmes (como "Os Possessos", de 1988) em que os demônios da Rússia e do comunismo estão sempre presentes, Wajda finalmente vê o fim do socialismo em seu país.

Daí resultará, anos depois, o mais radical de seu filme -político, certamente, mas mais ainda pessoal: "Katyn" (2007) é como o auge de sua filmografia, com a narrativa fria, contida e demolidora ao narrar o massacre dos oficiais poloneses pelo Exército Vermelho em 1939. Massacre em que seu pai foi morto pelos russos.

Poderia ter ficado por aí. Sua carreira terminaria, no entanto, em 2011, com um lamentável "Walesa", tentativa de reencontrar os acontecimentos de Gdansk em 1981 e homenagear Lech Walesa, o líder desse movimento fundamental para o aprofundamento da crise do socialismo na Polônia (e não só).

Talvez por ter desde cedo o hábito de fazer filmes críticos, aqui Wajda parece um cineasta tosco em seu retrato laudatório de Walesa. Digamos que nem Wajda nem Walesa mereciam um filme assim.

O que veio antes compensa amplamente e perdoa esse ato final.

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