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Prêmio Nobel dá força a Santos, dizem especialistas

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GERAL

Prêmio Nobel dá força a Santos, dizem especialistas

- Atualizado em 07/10/2016 20:45

SYLVIA COLOMBO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Analistas ouvidos pela reportagem creem que o Nobel da Paz recebido nesta sexta (7) pelo presidente colombiano Juan Manuel Santos pode ajudar na renegociação do acordo de paz rejeitado pelos eleitores no último domingo (2).

"O Nobel veio dar oxigênio e impulso ao presidente num momento em que era mais do que necessário", disse a jornalista e analista Juanita León.

Desde a derrota do "sim" por pouco menos de 60 mil votos (50,2% para o "não" e 49,8% para o "sim"), Santos vinha fazendo tentativas de salvar o tratado por meio de encontros com a oposição, que compareceu armada de reparos expressivos a fazer ao documento.

Considerado grande vencedor do pleito, o ex-presidente Álvaro Uribe, principal impulsor do "não", fez uma lista de exigências de "correções" ao texto que incluía, entre outras coisas: prisão aos líderes da guerrilha -e não mais penas de reparação-, transformação do narcotráfico em crime não anistiável em qualquer circunstância -não o era quando vinculado à atividade política-, além de restrições à existência da Justiça especial, entre outros.

As diferenças eram tantas que um Santos enfraquecido pela derrota, com apenas 20% de aprovação popular, reuniu-se a portas fechadas com Uribe, que tem mais de 50%, por mais de quatro horas, na tarde de quarta (5) sem que dali saíssem mais do que declarações evasivas sobre que caminho se poderia tomar.

Os eleitores do "sim", que começavam a ver o acordo ruir, foram às ruas de Bogotá pedir que o presidente salvasse o tratado. Enquanto isso, em Havana, um dos líderes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Iván Márquez, alertava que "se o acordo fosse parar nas mãos de Uribe, iria ao Diabo", enquanto Timochenko, o chefe máximo da guerrilha, sugeria que a entrada do uribismo nos diálogos poderia causar uma volta às hostilidades após o dia 31 de outubro -quando ficou determinado o fim do cessar-fogo.

"O Nobel pode parecer algo simbólico, mas nos trouxe esperança de uma mudança concreta no rumo que as coisas estavam tomando", disse a jornalista e ensaísta María Jimena Duzán, articulista da revista "Semana".

"Os pontos essenciais da agenda do uribismo enterrariam o acordo, porque iam de frente à vontade das Farc, mas agora Santos recuperou um vigor para exigir que esses itens mais duros fiquem de fora, e sinalizou que há outros mais aceitáveis que podem ser incluídos."

De fato, Farc e governo, após esses dias de conversas em Havana, já haviam dito na noite de quinta (6), em comunicado conjunto, que estavam abertos a "propostas de ajustes" sugeridas pelo "não", desde que estes dessem "garantias a todos".

Duzán crê que entre os pontos menos polêmicos que podem ser incorporados ao documento estão o limite de tempo de atuação dos tribunais (no documento original, era indefinido, e a oposição era contra). Ainda, o não julgamento de militares pela Justiça especial _que também estava no documento acordado.

Menos otimista, o analista político Juan Tokatlian admite que Santos ganhou uma nova oportunidade de revitalizar a paz. Porém, "o Nobel é talvez a última forma que a comunidade internacional tem de dizer à Colômbia que precisa ir adiante".

Para ele, o dilema essencial segue existindo. "Parte da sociedade não quer escutar nem entender nada isso. A reabertura do que já está pactado vai resultar na morte do que já foi acordado. Fazer adendos gerará novas dúvidas e novos vazios", diz Tokatlian, especialista em Colômbia da Universidade Torcuato Di Tella.

A equipe de negociadores do governo, que retornou de Cuba após conversas com os líderes das Farc está, a princípio, confiante de que é possível consertar o acordo, que levou quatro anos para ser elaborado, e não ter de iniciar novas negociações. "O Nobel dá algo de força a Santos, agora muito necessária", diz o consultor político Miguel Silva.

CENÁRIOS POSSÍVEIS

Se obtiverem mesmo a garantia de que os pontos mais duros do uribismo ficariam de fora, as Farc estão dispostas a "corrigir" o acordo. Isso significaria que não seria necessário um novo plebiscito, bastando a aprovação presidencial.

Outro cenário mais complicado, porém, seria que o uribismo não abrisse mão de seus pontos essenciais. Este ainda não está descartado e alargaria as discussões sobre compor uma nova mesa de negociações, que começaria a debater o acordo desde o zero, o que levaria as conversas para uma nova gestão _uma vez que o mandato de Santos vai apenas até 2018.

"O que está acontecendo hoje é que muita gente que votou ´não´ achando que o uribismo queria reformar o acordo, de repente se deu conta de que sua intenção era apenas a de atrapalhar a votação, igualzinho como fizeram os líderes do Brexit, que no dia seguinte deram as caras dizendo que não tinham plano algum", resume Duzán.

Para ela, portanto, o "sim" já teria ganho novos apoiadores dentro das próprias correntes do "não", e a prova disso seriam as marchas que vêm ocorrendo em Bogotá.

"Se o Nobel não viesse, Uribe ia se sentir o dono do jogo, ia tentar impor suas condições que claramente romperiam o tratado e jogariam todo o acordo por terra. Já não é mais esse o cenário. O Nobel e o povo nas ruas deram sobrevida ao acordo de paz", conclui Duzán.

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