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ATUALIZADA - Nanomáquinas moleculares rendem Nobel de Química

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GERAL

ATUALIZADA - Nanomáquinas moleculares rendem Nobel de Química

- Atualizado em 05/10/2016 20:35

PHILLIPPE WATANABE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pães marcaram presença, pelo segundo dia seguido, no Prêmio Nobel. Aparentemente, pretzels e bagels (um tipo rechonchudo de rosquinha) servem de ótimas metáforas para físicos e químicos. Além do dono de alguma padaria sueca, três pesquisadores acordaram mais felizes e com mais dinheiro: Jean-Pierre Sauvage, James Fraser Stoddart e Bernard Feringa ganharam o Nobel de Química de 2016 pelo design e síntese de máquinas moleculares, as menores do mundo.

As descobertas, ainda incipientes em termos práticos, poderão ser importantes, por exemplo, na medicina, pelo transporte de medicamentos por nanorrobôs. Avanços na computação e materiais inteligentes, que respondem a estímulos, também estão entre as possibilidades.

Os responsáveis pelo anúncio dos vencedores do prêmio usaram, mais uma vez, as formas dos pães para explicar como se encaixam as moléculas para formar essas máquinas moleculares.

"Perguntavam para que precisaríamos de máquinas que voam", diz Feringa. "É o começo de uma nova era".

Os vencedores dividirão 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 3 milhões).

As máquinas moleculares recebem esse nome porque, além de serem construídas molécula por molécula, não conseguem se mover por conta própria. Como todo maquinário conhecido, até o momento pelo menos, só funcionam pela vontade humana.

As nanomáquinas, mil vezes menores que um fio de cabelo, assim como moléculas biológicas, são sensíveis a luz, calor, pH e cargas positivas e negativas. Os estímulos podem provocar, por exemplo, movimento e alteração de sua configuração espacial.

Os avanços no campo da nanotecnologia deram um gigante salto em 1983. Sauvage, da Universidade de Strasbourg (França), e seus colegas uniram duas moléculas circulares, formando uma corrente conhecida como catenano. É nessa parte da explicação que os bagels e pretzels se justificam.

O próximo passo veio com Stoddart, da Universidade de Northwestern, em 1991, nos EUA. O pesquisador e seu grupo demonstraram a possibilidade de mover um anel molecular ao longo de um eixo. Construíram até um "elevador molecular" após dominar essa a técnica de construção.

Em 1999, Feringa, da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, desenvolveu o primeiro motor molecular do mundo. Isso mostrou a possibilidade do movimento controlado unidirecional, algo típico dos mecanismos de rotação de motores. O grupo de Feringa conseguiu inclusive construir um nanocarro.

Em 2007, grupo de Stoddart construiu um mecanismo molecular com função de memória. A minúscula máquina conseguia replicar a ideia de portas lógicas, algo parecido com o funcionamento de computadores.

possibilidades

Os chips atuais dependem do silício. Cada ação que ocorre neles necessita de um bilhão de átomos de silício, segundo Henrique Toma, coordenador do centro de nanotecnologia da USP. O cientista, que compara o estudo molecular a "brincar" de lego, diz que com máquinas moleculares bastariam dezenas ou centenas de átomos.

"No futuro é possível que todo sistema de memória ou processamento seja molecular", afirma. "Pode anotar, eu aposto tudo nisso."

De forma semelhante ao tênis e às roupas de Marty McFly, no filme "De Volta para o Futuro", os tecidos inteligentes também são uma aposta.

As máquinas moleculares também podem alterar tratamentos médicos. Como as engenhocas funcionam a partir de estímulos, elas podem servir para atingir com precisão o local de interesse, como os tumores espalhados por uma metástase.

"Você poderia sinalizar para conseguir uma abertura na barreira hematoencefálica [que dificulta a passagem de drogas do sangue para o cérebro]", afirma Antonio Tedesco, coordenador do centro de nanotecnologia da USP de Ribeirão Preto.

Entre as descobertas que renderam o Nobel de Química no passado estão a desintegração de elementos e radioatividade por Rutherford em 1908 e a decomposição da camada de ozônio, por Mario Molina, em 1995.

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