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'Crisis', de Woody Allen, parece mais um filme interrompido

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GERAL

'Crisis', de Woody Allen, parece mais um filme interrompido

- Atualizado em 01/10/2016 20:26

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RODRIGO SALEM

LOS ANGELES, EUA (FOLHAPRESS) - Woody Allen não é novato no formato televisivo. O diretor começou escrevendo para diversos programas e voltou para a TV algumas vezes ao longo da carreira.

Então não é surpresa o fato de Allen ter fechado um acordo com a Amazon -que começou a investir pesado em conteúdo audiovisual original há três anos- para a criação de uma série. E assim nasceu "Crisis in Six Scenes" , em seis episódios lançados na última sexta (30) para quem assina o programa Prime do portal de vendas nos EUA.

Aos 80, Woody Allen mantém uma regularidade impressionante no cinema, lançando pelo menos um filme por ano desde 1982. Mas ele nunca escondeu o arrependimento de ter aceitado a oferta da Amazon.

Em 2015, disse à Folha de S.Paulo: "Estou com dificuldades, porque não estou acostumado a escrever em seis partes. Precisa ter um gancho empolgante para o próximo episódio".

Ao assistir aos episódios de "Crisis in Six Scenes", a declaração faz sentido: a dificuldade de encapsular as tramas é visível, principalmente a partir do terceiro capítulo.

"Crisis" nada mais é que um filme longo interrompido seis vezes a cada 24 minutos. A maioria dos cortes são abruptos. O "gancho empolgante"? Não existe da maneira como estamos acostumados a ver. Mas vamos ver o lado bom: é um filme de Woody Allen com três horas e dividido em seis partes.

A série começa bem. Allen, que não atuava desde "Amante a Domicílio" (2013), faz o velho neurótico-rabugento-adorável no papel de Sidney J. Munsinger, um escritor frustrado que tem uma vida de luxo bancada por seu antigo trabalho como publicitário.

Ele divide a vida na década de 1960 com a mulher, Kay (Elaine May), uma conselheira matrimonial. A dinâmica do casal é a melhor parte.

Allen brinca com a visão da elite em relação aos acontecimentos da época (Vietnã, Panteras Negras, hippies) com diálogos engraçados ("Tenho alergia a gás lacrimogênio") e uma gama de personagens interessantes que se consultam com Kay.

Nesse universo, "Crisis" é Woody Allen no seu melhor, e pouco importa se o episódio é formado por três cenas de quase 10 minutos de diálogos. É um privilégio.

A derrapada da série surge com a visita da militante Lennie Dale (Miley Cyrus).

A partir daí, o foco se perde em discussões repetitivas sobre ativismo e acomodação, com citações a Lênin e Salinger. Cyrus, atriz errada para o papel, pouco pode fazer com falas bobas, como quando explica que sua militância surgiu ao se envolver com um judeu e um negro.

Lá para a metade, o visual mais teatral da série começa a incomodar. Fica claro que a trama cairia bem num filme de 90 minutos, mas ela se arrasta sem grandes mudanças de cenário ou tema. No final, Allen retoma o caminho certo, mas pode ser tarde demais para um público que acompanhou essa mesma época em "Mad Men" por dez anos.

CRISIS IN SIX SCENES

DIREÇÃO Woody Allen

ELENCO Woody Allen, Miley Cyrus

PRODUÇÃO EUA, 2016

ONDE: disponível nos eua, para assinantes do prime

AVALIAÇÃO: 2 estrelas (5 é o máximo)

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