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Anistia Internacional diz que 30 países devolveram refugiados em 2015

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GERAL

Anistia Internacional diz que 30 países devolveram refugiados em 2015

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo menos 30 países forçaram no ano passado, ilegalmente, refugiados a regressar para os lugares de onde saíram por estar em perigo.
A informação está em relatório publicado nesta quarta-feira (24) pela Anistia Internacional.
Segundo a organização não governamental, muitos governos violaram "descaradamente" o direito internacional.
Crimes de guerra e outras violações das "leis de guerra" foram cometidos por governos e por grupos armados em pelo menos 19 países, diz o relatório anual de 2015 sobre os direitos humanos em todo o mundo.
O secretário-geral da Anistia, o indiano Salil Shetty, disse que a repressão em interesse próprio e ações draconianas de curto prazo de segurança levaram a um "ataque sem precedentes contra os direitos humanos" em 2015.
"Seus direitos estão em perigo: eles são tratados com total desprezo por muitos governos ao redor do mundo", afirmou.
Um dos exemplos mais flagrantes de países que deram as costas para os requerentes de asilo ocorreu quando traficantes de seres humanos deixaram milhares de pessoas à deriva, sem comida e sem água, em mar aberto entre Mianmar e Bangladesh.
Acredita-se que centenas tenham morrido de sede e fome, enquanto os países da região jogavam "pingue pongue" no mar com eles, disse a Anistia.
Na Europa, o relatório criticou fortemente a Hungria por bloquear suas fronteiras para impedir a entrada de milhares de refugiados, obstruindo as tentativas regionais coletivas para ajudá-los.
Mais de 1 milhão de refugiados e migrantes chegaram à Europa no ano passado, muitos fugindo de zonas em guerra. A Anistia disse que, com exceção da Alemanha, a resposta à crise foi muito fraca.
"Esta Europa, o bloco mais rico do mundo, não é capaz de cuidar dos direitos básicos de algumas das pessoas mais perseguidas no mundo. É vergonhoso", disse Shetty.
O secretário-geral pediu aos países que encontrem formas legais e dignas que permitam aos refugiados alcançar segurança e disse que 1,2 milhão deles precisam ser reassentados sem demora.
Cerca de metade das pessoas que chegaram à Europa no ano passado saíram da Síria, um local que Shetty descreveu como uma "zona sem direitos humanos".
A Anistia disse que a Arábia Saudita cometeu crimes de guerra com os bombardeios no Iêmen e criticou o país por obstruir um inquérito da ONU para investigar violações cometidas por todos os lados do conflito.
TPI
Shetty disse também que leis e instituições que protegem os direitos humanos estão sob ataque.
Muitos países africanos estão ameaçando deixar o Tribunal Penal Internacional, criado para acabar com a impunidade para os líderes que cometem crimes de guerra.
Entre os países que dificultam a cooperação com o TPI, Shetty citou o Quênia, a Costa do Marfim e a África do Sul, esta última ignorou ordem judicial no ano passado para prender o presidente do Sudão quando ele estava no país.
Shetty disse também que muitos governos estavam usando a ameaça de violência por parte de grupos armados como desculpa para menosprezar os direitos humanos.
"Os direitos humanos de civis não podem ser sacrificados por algumas noções vagas de luta contra o terrorismo", disse.
O relatório anual da Anistia, que analisou 160 países e territórios, disse que houve alguns ganhos para os direitos humanos em 2015.
Três países -Madagascar, Ilhas Fiji e Suriname- aboliram a pena de morte em 2015, e na Mongólia isso deve acontecer neste ano.
Outros países lançaram campanhas nacionais para acabar com o casamento infantil ou aprovaram leis para reconhecer relações do mesmo sexo.

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