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Papa e patriarca ortodoxo russo mantêm encontro histórico em Cuba

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GERAL

Papa e patriarca ortodoxo russo mantêm encontro histórico em Cuba

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O papa Francisco se reuniu nesta sexta-feira (12) em Cuba com o líder da Igreja Ortodoxa Russa, o patriarca Cirilo, em um acontecimento histórico no cisma de mil anos que dividiu o cristianismo entre Oriente e Ocidente.
"Finalmente!", exclamou Francisco ao abraçar o patriarca russo na sala vip do aeroporto de Havana. "Somos irmãos", disse, no primeiro encontro entre os líderes das duas igrejas.
Os dois trocaram três beijos no rosto e, por meio de um intérprete, Cirilo disse ao papa: "Agora as coisas estão mais fáceis".
O encontro faz parte de uma pequena parada antes de o pontífice iniciar uma visita de cinco dias ao México, onde deve levar uma mensagem de solidariedade às vítimas de drogas, do tráfico humano e da discriminação em algumas das regiões mais violentas e pobres do país.
A reunião e a assinatura de uma declaração conjunta estavam em preparação havia décadas e cimentam a reputação de Francisco como um estadista não avesso a riscos, que valoriza o diálogo, o estabelecimento de laços entre atores em disputa e a reaproximação a quase qualquer custo.
Depois do encontro, o papa e o patriarca assinaram uma declaração conjunta sobre unidade religiosa. A declaração pede paz na Síria, no Iraque e na Ucrânia e insta a Europa a "manter sua lealdade a suas raízes cristãs".
O documento também faz um apelo para que a comunidade internacional proteja os cristãos sob ataque no Oriente Médio, em uma aparente referência à violência da facção terrorista Estado Islâmico.
"Em muitos países do Oriente Médio e do norte da África famílias inteiras, vilas e cidades de nossos irmãos e irmão em Cristo estão sendo completamente exterminadas", afirmam os dois líderes religiosos na declaração.
A assinatura do documento teve como cenário a ideal localização de Cuba.
A ilha, que fica bastante distante das disputas territoriais entre católicos e ortodoxos na Europa, é católica e familiar ao primeiro papa da América Latina, mas também é familiar à igreja ortodoxa por causa de seu legado antiamericano e soviético.
O Vaticano espera que o encontro melhore suas relações com outras igrejas ortodoxas e faça progredir o diálogo sobre as diferenças teológicas que separaram o Oriente e o Ocidente desde o grande cisma, que dividiu o cristianismo em 1054.
Mas muitos observadores ortodoxos descreveram a disposição de Cirilo de finalmente sentar-se com um papa como uma tentativa de reafirmar a Rússia e a ortodoxia russa em um momento em que Moscou está sendo isolado pelo Ocidente por causa de suas ações militares na Síria e Ucrânia.
Cirilo, um conselheiro espiritual do presidente russo, Vladimir Putin, lidera a mais poderosa de 14 igrejas ortodoxas independentes que se reunirão ainda neste ano na Grécia em seu primeiro sínodo em séculos.

AFASTAMENTO E RIVALIDADE
As duas igrejas se dividiram em 1054 e se mantiveram distantes em vários assuntos, incluindo a primazia do papa e as acusações da Igreja Ortodoxa de que a Igreja Católica atua para fazer conversões em áreas que antes faziam parte da União Soviética.

Mas por que as Igrejas Católica e Ortodoxa estão afastadas há mil anos?
Em 1054, o papa de Roma e o patriarca de Constantinopla se excomungaram mutuamente, dando início ao grande cisma.
Mesmo antes disso, porém, perdurava um afastamento cultural. No Ocidente se falava o latim, enquanto no Oriente bizantino prevalecia a cultura helenística grega. Além disso, havia grandes diferenças doutrinárias, como sobre a natureza do Espírito Santo.
Outra diferença é o modo como as duas igrejas entendem a função de seu mandatário. Na Católica, o papa é a máxima figura de autoridade.
Já a Igreja Ortodoxa está dividida em patriarcados entre os quais existe uma igualdade. O de Istambul, com 10 mil fiéis, tem certa preeminência, mas não possui jurisdição sobre toda a Igreja Ortodoxa. O de Moscou tem influência sobre até 200 milhões de fiéis.
Calcula-se que a Igreja Católica tenha 1,2 bilhão de fiéis.
ENCONTRO COM RAÚL
Antes de reunir-se com o papa, Cirilo foi recebido pelo presidente cubano, Raúl Castro. Segundo agências de notícias russas, o patriarca disse a Raúl que o povo cubano "provou que tem direito de viver da maneira que acredita ser a correta".
Raúl é um dos aliados da Rússia e recebeu o papa em Cuba há cinco meses. O pontífice argentino exerceu importante papel na reaproximação entre o país e os EUA, que retomaram suas relações diplomáticas após 54 anos de rompimento.

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