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Em debate, Hillary defende legado de Obama

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GERAL

Em debate, Hillary defende legado de Obama

MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Dois dias depois de sofrer uma dura derrota nas urnas, Hillary Clinton abraçou o legado do presidente Barack Obama no debate desta quinta (11) contra o senador Bernie Sanders, seu rival na disputa democrata pela Casa Branca. Hillary acusou Sanders de desmerecer as conquistas do governo Obama e posicionou-se como sucessora natural do presidente.
"O senador Sanders disse que o presidente Obama fracassou no teste de liderança. E não é a primeira vez que ele o critica. Já chamou-o de fraco, disse que ele é uma decepção. Eu não poderia discordar mais", afirmou Hillary. "Esse é o tipo de crítica que eu esperaria ouvir dos republicanos, não de alguém que está concorrendo à nomeação do Partido Democrata".
Sanders chamou a acusação de "golpe baixo", disse que reconhecia as conquistas de Obama, em particular na recuperação da economia e que ele e o presidente são "amigos". Mas defendeu seu direito de discordar. "Na última vez que chequei vivíamos numa sociedade democrática. Um senador tem o direito de discordar do presidente, inclusive um presidente que fez um trabalho tão extraordinário".
Eleitoralmente é bom negócio ficar do lado de Obama, que tem popularidade alta entre os eleitores democratas. Especialmente os negros, que formam um terço da população da Carolina do Sul, onde acontece a próxima etapa das votações primárias. Há poucos dias, o porta-voz do presidente, Jay Carney, disse que Obama prefere que Hillary seja a candidata democrata.
Foi um debate menos tenso que o anterior, quando Hillary acusou o senador de "difamação" pela insistência em questionar suas credenciais progressistas e lembrar que ela recebera milhões em doações do mercado financeiro. No debate desta quinta ela não repetiu o nervosismo. Com um desempenho sóbrio e focado, conseguiu exibir com clareza o que considera suas vantagens sobre Sanders: o pragmatismo, a experiência como secretária de Estado e o histórico de defesa das minorias.
A ex-secretária de Estado trouxe Obama mais uma vez para o debate, observando que ele também recebera doações do mercado financeiro e nem por isso cedera a seus interesses.
"Quando foi preciso, ele enfrentou Wall Street. Não vamos de forma nenhuma insinuar que o presidente Obama ou eu cederia a grupos de interesse", disse.
Sanders, que atribui boa parte dos males dos EUA ao "corrupto" sistema de financiamento de campanha, não pareceu convencido. "Não vamos insultar a inteligência dos americanos. Por que, em nome de Deus, Wall Street faz enormes contribuições de campanha? Suponho que é só por diversão", ironizou.
Embalado pela ampla vitória obtida na terça (9) em New Hampshire, segunda etapa das primárias democratas, Sanders corteja o voto das minorias, um eleitorado em que está em desvantagem para Hillary. A ex-secretária de Estado recebeu um apoio importante pouco antes do debate, do Comitê de Ação Política da bancada negra do Congresso.
Questionada sobre o motivo de a tensão racial no país não ter diminuído com a eleição do primeiro presidente afro-americano, Hillary voltou a dar crédito a Obama. Disse que seu governo havia melhorado a vida dos afro-americanos com um sistema de saúde mais acessível, mas reconheceu que a discriminação persiste, "o lado escuro de um racismo sistêmico que precisamos eliminar de nossa sociedade".
Sanders disse que a tensão racial diminuirá com ele na Casa Branca, porque a prioridade será o combate à desigualdade econômica. "Em vez de darmos isenções de impostos a bilionários, nós vamos criar milhões de empregos para meninos de baixa renda, para que eles não fiquem pelas esquinas. Vamos garantir que esses garotos fiquem na escola ou consigam uma educação universitária", disse. Hillary buscou retratar o discurso de Sanders focado na desigualdade econômica como um ponto fraco do senador. "Não sou candidata de um assunto só e não acredito que este seja um país de um assunto só", disse Hillary.
Como em debates anteriores, Sanders colocou em questão as credenciais liberais de Hillary e lembrou que em 2002 ela votou a favor da guerra no Iraque. Mas o senador recuou mais no tempo, quando criticou a rival por ter como "mentor" o ex-secretário de Estado Henry Kissinger.
"Eu acho isso incrível, porque por acaso eu acredito que Henry Kissinger foi um dos mais destrutivos secretários de Estado na história moderna deste país", disse Sanders, ativista quando jovem contra a guerra do Vietnã, na qual Kissinger teve um papel central como secretário de Estado do governo de Richard Nixon. "Tenho orgulho de dizer que Kissinger não é meu amigo".
Hillary elogiou a atuação de Kissinger na aproximação dos EUA com a China nos anos 70 e disse que se consulta com um grupo amplo de especialistas. Aproveitou para ironizar a falta de clareza e o despreparo de Sanders em política externa, "Bem, eu sei que jornalistas perguntaram quem você ouve sobre política externa e ainda não sabemos quem são", disse.
Quando a pergunta foi apontar um líder americano e um estrangeiro que admiram, os dois coincidiram no primeiro, o ex-presidente dos EUA Franklin Delano Roosevelt. No segundo, Sanders apontou o ex-premiê britânico Winston Churchill; Hillary escolheu o líder sul-africano Nelson Mandela.
A ex-secretária saiu-se bem quando confrontada por uma das frustrações de sua campanha, o fato de não ter o apoio em peso do eleitorado feminino. Na votação de New Hampshire, 55% das eleitoras votaram em Sanders. "Passei a minha vida inteira trabalhando para garantir que mulheres tenham poder para fazer suas próprias escolhas. Mesmo que a escolha seja não votar em mim", disse Hillary.

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