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Portela e Salgueiro saem aclamadas de noite com sambas excelentes

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GERAL

Portela e Salgueiro saem aclamadas de noite com sambas excelentes

ÁLVARO COSTA E SILVA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Na noite dos belos sambas, Salgueiro e Portela se destacaram na luta pelo título do Grupo Especial. As duas juntam-se à Beija-Flor, que se apresentou no domingo (7), como favoritas. Agora é esperar o que dizem os envelopes dos julgadores, nesta quarta (10).
A desmentir aqueles que apontam uma irreversível decadência do gênero, três escolas brilharam no quesito samba-enredo: Vila Isabel, Salgueiro e Imperatriz Leopoldinense. Já mostravam qualidade na gravação, e na avenida, que é onde conta, confirmaram sua excelência. O lamentável é o equipamento de som do Sambódromo. Quem assiste na televisão não nota; mas lá a audição é péssima.
Se depender do público, a Portela já ganhou. Há muito tempo uma escola não é aclamada antes mesmo do fim do desfile. Pois, a partir do setor três, os gritos de “É campeã!” se sucederam. Embora seja a maior ganhadora de títulos (21 no total), desde 1984 a escola de Oswaldo Cruz não levanta um campeonato. Um jejum incômodo que motivou a contratação do carnavalesco Paulo Barros, que prometeu --e cumpriu-- uma mescla de tradição e inovação.
O enredo “No voo da águia, uma viagem sem fim” mostrou-se nem Paulo Barros demais nem Portela de menos. Uma equação que funcionou desde a comissão de frente, que recriou a “Odisseia” de Homero. Um Poseidon flutuou com a força de jatos d’água. Foi o primeiro delírio da plateia.
Também impressionou o carro das viagens de Gulliver: um boneco do ator Jack Black, que interpretou o personagem no cinema, foi escalado por dez componentes. Tarefa difícil, pois a escultura media quase 20 metros.
Barros não deixou de “viajar”, mostrando uma alegoria sobre a série “Perdidos no Espaço” e dinossauros que engoliam passistas. Mais delírio.
À frente da bateria, o prefeito Eduardo Paes, portelense assumido, estava tão animado que chegou a roubar a cena da rainha Patrícia Nery.
O lema do Salgueiro, todos sabem, é “nem melhor, nem pior, apenas diferente”. Mas tudo que a escola queria era fazer um desfile que provocasse um resultado diferente e melhor --nos dois últimos anos, terminou em segundo.
Mordida, levou para a avenida sua ópera. E agradou em cheio, ao mostrar a marginália da Lapa clássica: não só os malandros de terno branco e sapato bicolor, mas também as dançarinas, as prostitutas, os jogadores, os bêbados, os mendigos. Ao lado e em comunhão com eles, Zé Pelintra.
O samba, muito bom, ajudou --e muito. Um zepelim prateado sobrevoou os ritmistas vestidos de Geni, a personagem da “Ópera do Malandro”, de Chico Buarque, assumida inspiração dos carnavalescos Renato e Márcia Lage. Infelizmente as luzes do carro abre-alas apagaram-se um pouco antes do fim do desfile.
O Carnaval é profano. Mas pode ser religioso. Foi o que se viu no desfile da Mangueira em homenagem à Maria Bethânia e seus 50 anos de carreira. O título do enredo refere-se à “menina dos olhos de Oyá”, a divindade dos ventos no candomblé, também conhecida como Iansã, da qual a cantora é devota. E lá estava Oyá, na comissão de frente e no carro abre-alas. Como estavam, nas demais alegorias, Santa Bárbara e o Senhor do Bonfim, num perfeito sincretismo.
O carnavalesco Leandro Vieira, estreante no Grupo Especial, destacou, ao narrar a trajetória musical de Bethânia, o carcará e a abelha-rainha. Ela veio no último carro e --aqui vale o lugar-comum-- estava emocionada. Era tudo que a Mangueira queria e precisava: um desfile carregado de emoção. E luxo.
Pode haver universos mais distantes que o do samba e o da música sertaneja? A Imperatriz provou que ambos podem tocar na mesma sintonia, sem prejuízos, preconceitos ou rivalidades.
Zezé de Camargo e Luciano foram os homenageados. Além da trajetória da dupla, a escola fantasiou (no bom sentido) a vida do homem do campo. A cargo da coreógrafa Deborah Colker, a comissão de frente --bailarinos num palco de chapéu de palha, sendo bicados por um galo-- definiu a simplicidade do enredo.
Mas o melhor foi o samba, cujo arranjo mereceu acordes de sanfona. Melodia rica e sofisticada, letra enxuta, é obra de um craque: o veterano Zé Katimba, de 83 anos, que dividiu a autoria com quatro parceiros. É daqueles para se lembrar com o passar dos anos, e não ser esquecido na Quarta-Feira de Cinzas.
A Imperatriz, no entanto, teve um grande problema: veio depois da Portela. Um pós-clímax.
Reza o samba de quadra da Vila Isabel: “Vamos renascer das cinzas”. Foi com este espírito que a escola entrou na avenida. Esquecer o penúltimo lugar do ano passado. Fez direitinho o dever de casa, a começar pelo belo samba-enredo, um dos melhores da safra 2016, o qual tem entre seus autores Martinho da Vila, sua filha Mart’nália e Arlindo Cruz.
Buscou o enredo na vida do político Miguel Arraes (o governador de Pernambuco deposto pelo golpe militar, cujo centenário de nascimento comemora-se em dezembro). Uma opção que é a cara da Vila --agremiação, digamos, mais à esquerda--, permitindo que se falasse de cultura popular (folguedos e arraiais) e revolução social (um dos versos do samba diz: “Despertei o povo para um novo dia / Brotou esperança nos canaviais”).
A São Clemente, levada pelas mãos mágicas da carnavalesca Rosa Magalhães, fez um desfile leve e comunicativo, tendo como tema os palhaços. Pena que um carro apagou, outro parou, e a rainha da bateria, Raphaela Gomes, caiu.
Vamos aos envelopes.

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