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Chanceler brasileiro receberá colega da Venezuela na próxima sexta

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GERAL

Chanceler brasileiro receberá colega da Venezuela na próxima sexta

SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - O chanceler Mauro Vieira receberá na sexta-feira (29) a colega venezuelana, Delcy Rodríguez, para tratar de temas que vêm gerando desconforto na relação bilateral, segundo a Folha de S.Paulo apurou.
Rodríguez irá a Brasília depois de participar da cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), em Quito, no Equador. Ela estará acompanhada do novo ministro do Comércio Exterior e Investimento Internacional, Jesus Faría.
O encontro com Vieira ocorrerá a pedido de Caracas. O governo chavista pretende "esclarecer" sua posição em meio ao acirramento da escalada das tensões deflagrada pela vitória da oposição na eleição parlamentar de dezembro.
Os ministros também têm a missão de enviar sinal de confiança num momento em que se acumulam dívidas bilionárias com empresas brasileiras.
O embaixador do Brasil na Venezuela, Ruy Pereira, acompanhará a conversa, num sinal da importância do encontro. Normalmente, embaixadores só se deslocam até suas respectivas capitais em casos de visitas presidenciais.
ESTRANHEZA
A visita dos ministros decorre em boa parte da estranheza que os posicionamentos do Brasil acerca da eleição venezuelana causaram no governo do presidente Nicolás Maduro.
Antes do pleito, a presidente Dilma Rousseff havia despachado à Venezuela o assessor especial do Planalto para temas internacionais, Marco Aurélio Garcia, para entregar pessoalmente a Maduro uma carta na qual o Brasil questionava ameaças de Caracas de não respeitar o resultado das urnas e pedia garantias de segurança para os eleitores.
Dias depois, o Itamaraty divulgou nota condenando "com firmeza" o assassinato de um político opositor em pleno ato de campanha no interior da Venezuela.
"O governo brasileiro recorda que é da responsabilidade das autoridades venezuelanas zelar para que o processo eleitoral que culminará com as eleições no dia 6 de dezembro transcorra de forma limpa e pacífica", disse a nota.
Após o pleito, no qual a desastrosa situação econômica levou os venezuelanos a votarem em massa pela oposição, o Brasil divulgou outro comunicado em meio a manobras de Caracas para torpedear o resultado eleitoral.
As manobras incluíam a criação de um Parlamento paralelo e a recomposição da suprema corte com juízes mais alinhados ao chavismo, entre outros.
"O governo brasileiro (...) confia que serão preservadas e respeitadas as atribuições e prerrogativas constitucionais da nova Assembleia Nacional venezuelana e de seus membros, eleitos naquele pleito", dizia o texto.
Num trecho especialmente duro, a nota destacou: "Não há lugar, na América do Sul do século 21, para soluções políticas fora da institucionalidade e do mais absoluto respeito à democracia e ao Estado de Direito."
Fontes do Itamaraty dizem que a preocupação da Venezuela com a opinião do Brasil e de outros países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) é "bastante positiva" por mostrar que o governo venezuelano segue "aberto ao diálogo."
DÍVIDAS
A Venezuela também busca reaquecer a relação com o Brasil para minimizar rusgas causadas pelas grandes dívidas com empresas brasileiras.
As maiores pendências estão relacionadas a dezenas de contratos bilionários com construtoras como Odebrecht e Camargo Correa. Valores dos contratos são mantidos em sigilo, o que leva ONGs locais a militar constantemente por mais transparência. Muitas obras estão paradas por falta de pagamento.
Outras empresas afetadas são as do setor aéreo. A Gol tem o equivalente a R$ 351 milhões retidos na Venezuela devido a distorções de câmbio. A empresa já reduziu a frequência de 28 para 2 voos semanais desde 2014 e estuda cortar a linha.
A TAM, que opera a mesma rota uma vez por semana, tem R$ 161 milhões bloqueados no país.
O encontro entre os ministros também abordará a relação da Venezuela com o Mercosul. Em tese, Caracas aderiu formalmente ao bloco comercial em 2013, mas, na prática, descumpre a maior parte de suas obrigações e compromissos como país-membro.

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