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Declínio dos EUA é 'ficção', diz Obama em último discurso do Estado da União

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GERAL

Declínio dos EUA é 'ficção', diz Obama em último discurso do Estado da União

MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Em seu último discurso do Estado da União, o presidente norte-americano, Barack Obama rebateu as críticas a seu governo, afirmando que falar em declínio dos Estados Unidos equivale a "ficção". "Os Estados Unidos são a nação mais poderosa da Terra. Ponto", disse Obama.
"Nós temos mais gastos militares do que as oito nações seguintes somadas. Nossas tropas são a melhor força de combate da história do mundo. Nenhuma nação ousa nos atacar ou a nossos aliados porque sabem que seria o caminho para a ruína."
O presidente pareceu responder aos ataques que tem recebido dos opositores republicanos, intensificados em meio à corrida presidencial deste ano.
A três semanas do início das primárias que escolherão os candidatos dos partidos à Casa Branca, Obama também usou o discurso mais importante do ano para pedir aos americanos que rejeitem a polarização crescente e se adaptem à era de "mudanças extraordinárias" no mundo.
Na tradicional sessão anual para as duas casas do Congresso, Obama relembrou êxitos de seu governo, como a recuperação econômica, e procurou projetar uma visão de futuro antes da largada oficial para a campanha à sua sucessão na Casa Branca.
Para o presidente, um futuro próspero e seguro está ao alcance, mas depende de união e da capacidade de manter "debates racionais e construtivos".
Ao longo de seu governo, Obama manteve uma relação de hostilidade com a oposição, e seu Partido Democrata raramente obteve aval para avançar projetos no Congresso. Bipartidarismo virou artigo raro.
Para destravar o antagonismo, é preciso "consertar a política", defendeu Obama.
"Uma política melhor não significa que temos de concordar em tudo. Este é um grande país, com diferentes regiões, atitudes e interesses."
"Esta também é uma de nossas forças. Nossos fundadores distribuíram poder entre os Estados e ramos do governo e contaram conosco para discutir, como eles fizeram, o tamanho e a forma do governo, comércio e relações exteriores, sobre o significado de liberdade e os imperativos da segurança", disse.
Antes do discurso, assessores de Obama afirmaram que o presidente deixaria de lado a tradicional lista de projetos que gostaria de ver aprovados, já que a chance de cooperação dos republicanos é mínima, e apresentar uma visão política mais abrangente.
"Vivemos uma era de extraordinária mudança, que redesenha a forma como vivemos, trabalhamos, nosso planeta e nosso lugar no mundo", disse o presidente. "Queiramos ou não, o ritmo dessa mudança vai acelerar."
CONVIDADOS
Entre os convidados especiais da Casa Branca para o discurso deste ano havia um refugiado sírio, um ex-imigrante ilegal que lutou pelo Exército americano e o autor da ação que levou a Suprema Corte a legalizar o casamento gay.
Na tribuna de honra ao lado da primeira-dama, Michelle Obama, uma cadeira ficou vazia, em memória às vítimas de armas de fogo. Michelle arrancou longos aplausos ao entrar na Câmara de vestido amarelo.
Mais que uma tradição, o discurso é um dever presidencial. Segundo a Constituição, o presidente deve informar o Congresso sobre o Estado da União "de tempos em tempos". Embora a periodicidade não seja estipulada, virou praxe que o evento ocorra no começo de cada ano.
Por mais de um século, a mensagem era enviada por escrito ao Legislativo, até que o presidente Woodrow Wilson retomou a tradição dos discursos, em 1913.

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