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Busca por desaparecidos é suspensa em Mariana (MG)

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Busca por desaparecidos é suspensa em Mariana (MG)

ESTÊVÃO BERTONI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais de dois meses após o tsunami de lama da mineradora Samarco em Mariana (MG) devastar o vilarejo de Bento Rodrigues, duas das 19 vítimas da tragédia ainda continuam desaparecidas.
Para os familiares de dois operários que trabalhavam na barragem da empresa no momento da ruptura, em 5 de novembro, não há perspectivas de que eles sejam encontrados nos próximos dias. As buscas na região estão suspensas desde a véspera do Natal.
"A próxima tentativa será usar um equipamento de investigação geofísica para encontrar a cabine do caminhão-pipa onde um dos trabalhadores foi visto pela última vez", explica o tenente Júlio César Teixeira, 30, comandante do pelotão do Corpo de Bombeiros de Ouro Preto responsável pela operação, sem saber dizer ao certo quando ela deverá ocorrer.
O aparelho capaz de apontar a localização de materiais metálicos em meio à lama está sendo contratado pela própria Samarco, que pertence à Vale e à anglo-australiana BHP Billiton. A reportagem procurou a empresa para saber mais detalhes do equipamento, mas não obteve resposta até o início da tarde desta sexta.
No dia da tragédia, o motorista Ailton Martins dos Santos, 55, funcionário da empresa terceirizada Integral Engenharia, foi visto pela última vez dentro da cabine de um caminhão-pipa. "Ele estava muito próximo do barramento que foi rompido. Nossa intenção será fazer uma busca na ombreira [lateral do vale no qual o reservatório se apoia] direita do barramento e, caso a gente detecte algo, fazer uma escavação pontual", conta o tenente.
O trabalho não será fácil, de acordo com o bombeiro especialista em soterramento. "O ambiente já é de rejeitos de mineração, tem um percentual de ferro. Como é uma região industrial, um universo heterogêneo com tubulações e fiações, pode dar algum ruído ou erro no equipamento. É uma tentativa, mas a gente não sabe a precisão dela."
A esperança dos bombeiros é repetir a cena de 15 de dezembro, considerada o ápice das operações. Naquele dia, o corpo do trabalhador Vando Maurílio dos Santos, 37, também da Integral, foi encontrado dentro de outra cabine, após a equipe de resgate encontrar no lamaçal fragmentos de um caminhão.
O caso do outro desaparecido, Edmirson José Pessoa, 48, único funcionário da Samarco que foi vítima do rompimento da barragem de Fundão (todos os outros 13 trabalhadores levados pelo mar de lama eram terceirizados), é mais delicado.
Como não estava dentro de nenhum veículo, os indícios são difíceis de serem encontrados, pois a área de buscas é ampla.
Um dos corpos, por exemplo, foi encontrado na barragem da Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, conhecida como Candonga, no município de Rio Doce, a mais de 60 km em linha reta de Fundão.
"A distância linear é diferente do trajeto interno, porque o rio é muito sinuoso. Você teria que medir todo o leito do rio. Se der 80 km, por exemplo, você multiplica por quatro, porque o rio vai e volta", afirma Teixeira.
Por isso, para ele, não há viabilidade técnica de manter homens o tempo todo na busca pelos desaparecidos. A última ação dos bombeiros na região ocorreu em 29 de dezembro, quando uma empresa contratada pela Samarco para reflorestamento encontrou parte de um corpo de uma das vítimas (ainda não se sabe a quem pertencia). No final de dezembro, as equipes de busca contavam com apenas cinco homens.
O filho de Ailton, o motorista desaparecido, costuma telefonar de Santa Bárbara, município vizinho a Mariana, onde vive, para saber dos bombeiros de Ouro Preto como vão as coisas. "A gente tem mais contato com ele e repassa as informações, mas é um trabalho muito complicado. As famílias entendem que é difícil", diz o tenente.
RESGATE EM ITABIRITO
Na corporação há nove anos, Teixeira também trabalhou, em 2014, nas buscas na cidade de Itabirito, onde, em setembro daquele ano, uma barragem de rejeitos da Herculano Mineração também se rompeu, deixando três mortos.
O corpo de Adilson Aparecido Batista, a terceira vítima, só foi encontrado em novembro, mais de dois meses após o incidente, por funcionários da empresa. As buscas também tinham sido suspensas, sem resultado.
No episódio da Herculano, o trabalho foi menos complicado, de acordo com o bombeiro, pois a área da tragédia e o número de vítimas eram menores. "A ocorrência em Mariana, com certeza, foi a mais complexa que eu já atendi", reconhece o tenente, que trabalhou na "desgastante" operação em Mariana, como ele a classifica, desde o início.
Na próxima semana, o tenente Júlio César Teixeira entra em férias, mas deve voltar ao trabalho antes do final deste mês. Os telefonemas dos familiares dos desaparecidos aos bombeiros de Ouro Preto devem continuar, até lá, sem descanso.

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