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Suposto sumiço de equipamentos de escola opõe governo a estudantes

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GERAL

Suposto sumiço de equipamentos de escola opõe governo a estudantes

JULIANA GRAGNANI E LEANDRO MACHADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um suposto sumiço de equipamentos na escola Fernão Dias Paes, símbolo do movimento contra a reorganização escolar no Estado de São Paulo, opôs Secretaria de Educação a estudantes do colégio nesta terça-feira (5), um dia após a desocupação da unidade.
Segundo a Secretaria da Educação, uma perícia realizada na escola constatou a falta de um notebook, um televisor e um projetor de imagens da unidade. Os alunos negam ter levado os equipamentos. Eles dizem ter fotos e vídeos que respaldam isso, mostrando como a escola estava antes e depois da ocupação.
Os equipamentos, somados a outros objetos danificados, como espelhos e mesas, resultariam em um prejuízo de cerca de R$ 5 mil. A secretaria afirma que os estudantes terão de ressarcir a administração da escola pelos danos causados.
Nesta segunda (4), quando desocuparam a escola após 55 dias, os estudantes leram um "termo de entrega", firmando o compromisso de consertar ou substituir janelas da secretaria e da sala de vídeo, fechaduras, espelhos, mesa de mármore e mesa de pingue pongue. Um supervisor da região Centro-Oeste da Secretaria da Educação disse que o prédio estava "em ordem" quando foi desocupado.
A Fernão Dias Paes foi a segunda a ser ocupada no Estado, no dia 10 de novembro de 2015, pouco depois da escola estadual Diadema (Grande SP). O colégio acabou concentrando as principais lideranças, em um tipo de quartel-general do movimento. No total, 196 escolas foram ocupadas. Hoje há quatro escolas ocupadas.
Nesta terça (5), estudantes, pais, professores e direção da escola fizeram uma assembleia, que definiu a reposição das aulas. Devem começar na quarta (6), e se dará em três períodos durante o mês de janeiro, inclusive aos sábados e no feriado no fim do mês.
A diretora da escola, Andréa Sbrana, foi afastada do cargo por problemas de saúde no início deste ano. A Secretaria da Educação afirmou que ela será substituída pela vice-diretora do colégio.
Sbrana foi alvo de críticas por parte dos alunos durante a ocupação. Diziam, por exemplo, que era ela quem escolhia os estudantes que faziam parte do grêmio estudantil do colégio.
A reportagem tentou falar com a diretora, mas ela se recusou a dar entrevista.
Ao desocupar a escola, os alunos cobriram a porta da coordenação com papéis sulfite, com frases como "Fernão será diferente depois da luta secundarista", "Queremos usar a sala de informática" e protestos contra o aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô.
Livros didáticos nunca usados foram empilhados em forma de labirinto, depois da porta da escola até a sala da diretora. "Eles falam que não têm verba, mas tem livro sobrando", diz o estudante Cauê Borges, 16. "Agora, o que atrapalha nossa vida vai atrapalhar a diretora simbolicamente."
A Secretaria da Educação afirma que os livros, dados pelo Ministério da Educação, serão distribuídos no início do ano letivo de 2016. Diz ainda que na pilha havia livros utilizados e outros que pertencem a uma reserva para novas matrículas durante o ano letivo ou para reposição de livros danificados por alunos.
Estudantes mostraram um laboratório de química da escola que aparenta não ter sido usado há alguns anos: há tubos de ensaio e outros materiais empoeirados e produtos químicos vencidos, como um frasco de ácido sulfúrico cuja data de validade é 2006.
"Estudo no Fernão há quatro anos e tive duas aulas no laboratório. A última foi em 2013", diz a aluna Ana Beatriz Chaves, 15, que também reclama do abandono das salas de teatro e de informática.
Segundo Dalva Garcia, professora de filosofia da escola, o laboratório de química está desativado "há anos" e é utilizado para reuniões de professores.
Em nota, a pasta estadual da Educação afirma que uma repórter da Folha, no início da ocupação, permaneceu quatro dias na unidade e não levantou essa situações. Afirma, também, que os alunos "criam fatos e cenários para ganhar espaço".
"Após 55 dias de ocupação, e, portanto, sem uso de nenhum dos espaços para os fins educacionais, é comum encontrar, aparentemente, locais empoeirados", diz nota da Secretaria da Educação.
PROTESTOS
O movimento de ocupação surgiu como protesto contra a medida da gestão Geraldo Alckmin (PSDB) que fecharia 92 unidades de ensino e transferiria 311 mil alunos. Segundo o governo, há escolas ociosas, com menos alunos do que sua capacidade.
As ocupações e protestos nas ruas fizeram com que Alckmin suspendesse a mudança, o que resultou também na saída do então secretário de Educação Herman Voorwald. Segundo o governo, depredações em 81 escolas causaram prejuízo de R$ 1 milhão.
Apesar do recuo, parte das ocupações foram mantidas. Os alunos pediam a revogação definitiva do plano, e não apenas sua suspensão.
Alunos de escolas ocupadas passaram o Natal e o Ano-Novo nas unidades. Na Fernão Dias, alunos fizeram uma ceia em volta de uma fogueira no pátio do colégio. Heudes Oliveira diz esperar que outras reivindicações sejam atendidas. Entre elas, a retomada de uma oficina de teatro que havia aos sábados na escola.

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