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Disparada de Trump expõe dilema de Partido Republicano

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GERAL

Disparada de Trump expõe dilema de Partido Republicano

MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - De sucesso de audiência a fenômeno político.
Em plena sociedade do espetáculo, alguns acham que até demorou muito para alguém como Donald Trump despontar na disputa pela Casa Branca.
Milionário de nascença e bilionário por conta própria, Trump passou 14 anos apresentando o reality show "O Aprendiz". Além de torná-lo um nome conhecido entre os eleitores, o programa deu-lhe uma desenvoltura diante das câmeras que nenhum candidato tem.
Com a língua sempre afiada e a polêmica como estratégia, disparou na corrida entre os pré-candidatos republicanos e confirmou que é craque em atrair audiência. Mas, em breve, vai ter que mostrar que também é bom de voto, quando começarem as eleições primárias dos partidos, em fevereiro.
A ascensão de Trump expõe um dilema para o Partido Republicano: como promover sua agenda conservadora sem ir longe demais, a ponto de afastar eleitores de centro. Ganhando ou não a nomeação do partido, ele é um constrangimento para um partido que ambiciona expandir seu apelo demográfico para além dos "brancos velhos com raiva", afirma Simon Maloy, repórter político do site "Salon".
"Qualquer tentativa de explicar a ascensão dele exigiria que o Partido Republicano confrontasse a desagradável verdade de que teve um papel ativo na criação desse monstro", escreveu Maloy.
Maior que a preocupação com a imagem, porém, é a ameaça da terceira derrota seguida numa eleição presidencial, algo que os republicanos só sofreram duas vezes desde 1828. Para muitos integrantes do Partido Republicano, uma guinada exagerada para a direita seria como entregar a Casa Branca de bandeja para Hillary Clinton, a favorita entre os democratas.
REGRAS DO PARTIDO
Pelas regras do partido, não há como impugnar a candidatura de Trump, de acordo com vários especialistas consultados pela Folha de S.Paulo.
"Antigamente os chefões do partido controlavam o dinheiro e podiam dá-lo a seu candidato preferido. Mas Trump se financia, por isso é muito mais difícil", disse Doris Kearn Goodwin, especialista em história presidencial, no programa de TV de Stephen Colbert.
Nesse ponto, há controvérsias. Julian Zelizer, professor de história da Universidade Princeton, acha que é possível parar Trump. Para isso, porém, é preciso jogar todo o apoio do partido em outro pré-candidato, "em vez de manter a dispersão" da disputa, atualmente com 12 nomes.
SEM MORAL
Mesmo dominando o noticiário e ditando a agenda da campanha nos últimos cinco meses, Trump ainda não é levado a sério pela maioria dos analistas para ganhar a eleição de novembro de 2016. Como se seguisse um script de reality show, separando o mundo entre "vencedores" e "perdedores", Trump mantem a atenção do público com fartas doses de populismo, xenofobia e muitas frases feitas.
Propostas como construir um muro na fronteira com o México e barrar a entrada de todos os muçulmanos nos EUA renderam críticas de todos os lados, mas ele continua subindo nas pesquisas.
Alguns analistas observam que, embora Trump lidere com folga a disputa republicana, trata-se de um percentual limitado, já que a preferência dos eleitores está fragmentada entre os 16 pré-candidatos.
O analista político Geoffrey Skelley, da Universidade de Viginia, observa que as pesquisas também mostram um alto índice de rejeição a Trump entre os eleitores republicanos. "Isso sugere que talvez ele tenha um teto de apoio relativamente baixo", disse Skelley à Folha de S.Paulo. Para ele, comentários extremistas como os que o empresário faz sobre imigrantes limitarão o crescimento de seu eleitorado.
Por enquanto, tem usado todas as suas vantagens para manter-se no topo. Enquanto os outros tentam se tornar conhecidos, Trump é famoso há 30 anos, primeiro como playboy, depois como celebridade da TV e agora como político. Não é sua primeira incursão na política. Ele flertou três vezes com a candidatura à Presidência, em 1988, 2004 e 2012, mas nunca a oficializou.
SENTIMENTO ANTI-WASHINGTON
O discurso ultraconservador de Trump encontrou respaldo em um Partido Republicano que há anos se move para a direita. "Esse movimento se acelerou desde 2010", diz Zelizer. Ele também vê muitas "dúvidas" sobre a capacidade de Trump de ganhar a indicação republicana e a eleição presidencial, mas considera claro o motivo de seu sucesso até agora.
"Primeiro, ele joga com o sentimento anti-Washington que há no público.. Segundo, tem imensa habilidade e experiência em comunicação de massa. Finalmente, recorre aos piores sentimentos do eleitorado, como xenofobia, nativismo e sexismo, e isso tem funcionado bem", afirma Zelizer.
Frases curtas, propostas espetaculares sem base na realidade (e na lei), comentários agressivos e jocosos sobre os rivais. Assim Trump vai ganhando terreno antes de a disputa começar para valer, em 1º de fevereiro, quando os partidos terão a primeira votação prévia.
Mas a liderança neste momento pode ter mais a ver com a fama do empresário que com intenção real de voto.
Um exemplo recente é o de Rudolph Giuliani, que ganhou enorme visibilidade como prefeito de Nova York nos ataques de 11 de Setembro. Em 2008 ele tinha uma dianteira ainda maior que a de Trump entre os presidenciáveis republicanos nesta época da disputa, mas acabou não ganhando em nenhum Estado.
Para Jeffrey Chidester, cientista político da Universidade de Virginia, Trump não é levado a sério porque geralmente os republicanos tendem a indicar candidatos convencionais para disputar a Casa Branca. Mas ele lembra que o momento é de grande ansiedade entre muitos americanos, com a incerteza econômica e a ameaça terrorista, o que favorece o discurso populista do empresário.
"Trump já não é mais um show secundário. Ele pode ganhar a indicação", afirma.

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