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Brasileira do basquete supera americanas e é disputada por 30 universidades

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ESPORTES

Brasileira do basquete supera americanas e é disputada por 30 universidades

LUCAS PASTORE

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Parte importante do futuro do basquete brasileiro feminino pode estar nos Estados Unidos. Com somente 17 anos de idade, a armadora Izabella Nicoletti superou americanas e foi considerada uma das quatro maiores recrutas do basquete universitário local, sendo disputada por 30 times e fechando com a tradicional Florida State. Pela equipe, vai dar continuidade à sua carreira no país em que já é tratada como estrela.

Nascida dia 9/8/1999, Izabella chegou aos Estados Unidos em 2015 para jogar basquete colegial pela Neuse Baptist Christian School, na Carolina do Norte. Se dentro das quadras a brasileira já se destacava, fora dela as coisas eram mais difíceis.

"Cheguei sem saber nada de inglês. Eu morava com mais cinco brasileiras e não falava nada de inglês. Eu falava muito português. No segundo ano, fui morar em uma casa de família americana e comecei a falar mais inglês", disse Izabella, ao UOL Esporte. Até hoje ela é hospede dos Hughes nos Estados Unidos.

Sob tutela da família, a armadora viveu o episódio mais inusitado de sua passagem pelo país norte-americano. Sem saber direito o que estava falando, a jogadora disse a um médico que estava grávida, gerando revolta do profissional até que a situação fosse esclarecida.

"Fui no médico fazer raio-x do pé, e ele perguntou se eu estava grávida. Não fazia ideia do que estava falando e respondi que sim (risos). Quando você não sabe, você só diz que sim. O médico ficou louco. Só depois minha família entrou e explicou que eu não sabia falar inglês", afirmou.

A campanha colegial fez com que Izabella chegasse à principal divisão da NCAA, a principal liga esportiva universitária dos Estados Unidos, com status de estrela. Em ranking de melhores recrutas para a próxima temporada elaborada pela ESPN americana, a brasileira aparece na quarta colocação. Tem nota 98 de 100, igual à da líder da lista.

O interesse dos americanos em Izabella, no entanto, vem de antes. Em Copa América sub-16 disputada no México, em 2015, a armadora anotou 24 pontos, sete rebotes, cinco assistências e três roubadas de bola em 36 minutos na vitória por 72 a 63 do Brasil sobre os Estados Unidos.

"Acho que depois do sub-16 no México que eu comecei a atrair olhares. Saiu um vídeo meu, e técnicos me conheceram a partir desse vídeo", contou.

As boas atuações dentro de quadra fizeram com que Izabella fosse disputada por 30 universidades com representação na NCAA. A hospitalidade de Florida State foi decisiva para que a brasileira resolvesse defender as cores da tradicional equipe.

"Foi difícil no começo. Eram 30 escolas, depois desci para 16. Foram quase dois anos recebendo ligações e falando com técnicos todo dia. Fui na casa de técnicos, conheci famílias. Depois da ida para a Flórida, acho que não tinha outra opção", relatou.

"Todas as minhas visitas foram muito boas. Me senti em casa. Michigan era outra opção, mas é muito frio. Na Flórida, as pessoas, comissão, atletas, pareciam muito boas, não só no basquete", completou.

Enquanto continua sua trajetória no basquete dos Estados Unidos, Izabella acompanha a situação da Confederação Brasileira de Basquete, que tenta se livrar da suspensão. Por conta da situação, a brasileira perdeu importante etapa de formação em seu ciclo na seleção brasileira.

"Estou sempre acompanhando. Era para eu ter ido para o Mundial sub-19 na Itália, mas não pude ir. Isso é uma coisa que me deixou muito triste. Representar o país é um dos meus objetivos", declarou.

Estudante de esportes em Flórida State enquanto joga basquete, Izabella aponta seu arsenal ofensivo como ponto forte e sua defesa ainda em desenvolvimento como fraqueza. De acordo com a armadora, o diferencial para que superasse concorrentes americanas é o seu "jeitinho brasileiro" fora das quadras.

"O que eu trago é felicidade, energia. Sempre amei jogar basquete, faço por amor. Sou sempre a primeira a chegar para ajudar a colega a se levantar. É assim que o brasileiro é, é o que eles gostam. O americano não tem isso. Esse é o meu diferencial", opinou.

Enquanto Izabella dá um toque de "jeitinho" à NCAA, o futuro do basquete brasileiro ganha importante ajuda americana.

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