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Filha de ex-presidente da CBDA afirma que pai tem sintomas de demência senil na prisão

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ESPORTES

Filha de ex-presidente da CBDA afirma que pai tem sintomas de demência senil na prisão

DEMÉTRIO VECCHIOLI

SÃO PAULO, SP (UOL/(FOLHAPRESS) - Cristiane Nunes, filha de Coaracy Nunes, 79, presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) por quase três décadas, afirma que seu pai apresenta sintomas de demência senil na Penitenciária de Benfica, na Zona Norte do Rio, onde o dirigente está preso preventivamente. Ele foi detido em abril por suspeita de desviar R$ 40 milhões em recursos da confederação.

"Ele começou a ficar desorientado. Acorda sem saber onde está. Precisam explicar para ele que ele está preso em Benfica, aí ele vai entendendo o que está acontecendo, mas entra em um quadro depressivo", conta Cristiane. "É um descontrole farmacológico, que pode ser tratado clinicamente", afirma.

Primeiro em Bangu 8 e depois em Benfica, para onde foi transferido há cerca de um mês junto com os presos da Lava-Jato, Coaracy viu seu quadro clínico piorar. "Ele tem diabetes, hipertensão, colesterol. Durante esse processo veio uma demência senil muito acentuada", conta a filha.

Entre os remédios que Coaracy toma diariamente estão o Seroquel, indicado para o tratamento da esquizofrenia, e o Lexapro, antidepressivo.

Os remédios são dados diariamente por Ricardo de Moura -ex-superintendente da CBDA, também preso-, que virou o cuidador de Coaracy dentro da prisão. Desde que foi preso, porém, o dirigente continua tomando os mesmos medicamentos, apesar da mudança em seu quadro clínico.

De acordo Mauro Tsé, seu advogado, a juíza responsável pelo caso ainda não respondeu sobre um pedido para que o dirigente receba a visita de um médico. O processo corre em segredo de justiça.

"A prisão preventiva que é a pior que se tem. Você está retido sem ter julgamento, sem ter o direito de defesa, e não pode nem recorrer à Vara de Execuções Penais. A gente está brigando com uma juíza que não aceita a condição clínica dele", reclama Cristiane.

Advogado de defesa de Coaracy e dos demais presos na Operação Águas Claras da Polícia Federal em 6 de abril (Ricardo de Moura, Ricardo Cabral e Sérgio Alvarenga), Mauro Tsé chegou a apresentar dois laudos médicos sobre as condições clínicas de Coaracy antes de ele ser preso, pedindo prisão domiciliar, mas a juíza Raecler Baldresca negou o pedido. Alegou que o sistema prisional tem condições de zelar pelo preso, que completou 79 anos na cadeia.

Questionada sobre os motivos para manter Coaracy na prisão apesar dos relatos sobre o quadro de saúde dele, Baldresca afirmou que "tais fatos não foram noticiados pelo advogado do réu ou mesmo pela administração penitenciária do Rio de Janeiro, a quem cabe zelar pela integridade do preso".

A defesa ainda entrou com um pedido no Superior Tribunal de Justiça (STJ), negado porque Tsé não juntou aos autos o mandado de prisão preventiva. Já o pedido de habeas corpus que tramita em São Paulo já foi três vezes ao plenário. Por enquanto, há um voto contra e um a favor com restrições. A tendência é que haja um veredicto na terça-feira da semana que vem (27).

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