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Preso por desvio de dinheiro, Coaracy Nunes preside CBDA desde 1988

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ESPORTES

Preso por desvio de dinheiro, Coaracy Nunes preside CBDA desde 1988

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Preso nesta quinta-feira (6) por suspeita de desviar R$ 40 milhões em recursos da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), o advogado Coaracy Nunes Filho, 78, dirige a entidade desde 1988. Ele é o dirigente esportivo brasileiro há mais tempo no cargo. À frente da confederação, Coaracy acumulou polêmicas. Em setembro de 2016, o MPF (Ministério Público Federal) em São Paulo apresentou à Justiça ação contra ele e o diretor financeiro, Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga, por atos de improbidade administrativa.

Eles são suspeitos de fraudar licitação com verba federal para compra de material esportivo, em 2014, para atletas que disputaram os Jogos.

A quantia desviada passaria de R$ 1,5 milhão, em valores atuais. Também respondem ao processo o coordenador técnico da natação, Ricardo de Moura, e o coordenador técnico do polo aquático, Ricardo Gomes Cabral, além de cinco empresas.

Em outubro, Nunes foi afastado pela Justiça. No entanto, ele cassou a liminar que pedia o seu afastamento e de seus principais aliados no corpo diretivo.

TRAJETÓRIA

Filho de um ex-deputado federal pelo Amapá, Nunes foi diretor de esportes olímpicos do Fluminense nos anos 1980 e vice da Federação Aquática do Estado do Rio. Na mesma década, candidatou-se para a presidência da então CBN (Confederação Brasileira de Natação).

Ele perdeu o pleito para Ruben Marcio Dinard, mas uma intervenção federal anulou as eleições e ele foi conduzido ao cargo. A primeira eleição de fato para comandar a CBDA -nome que ele deu à entidade assim que assumiu- foi em 1988. Não saiu mais e tornou-se o dirigente esportivo brasileiro há mais tempo no cargo -está no fim do sétimo mandato.

Verborrágico, Nunes conta que fechou o contrato de patrocínio com os Correios, em 1991, por meio de um anúncio publicado em jornal. A parceria é uma das mais duradouras do esporte brasileiro.

Desde então, os esportes aquáticos brasileiros somaram dez medalhas olímpicas. Nos Jogos do Rio, a natação passou em branco e o único pódio veio na maratona aquática, com um bronze de Poliana Okimoto.

Com uma doença neurológica, Nunes afastou-se do dia a dia da entidade há mais de um ano -em aparições públicas tem utilizado uma cadeira de rodas.

O diretor Ricardo de Moura, candidato da situação para sucedê-lo e que também vai responder ao processo, é quem comanda as ações da entidade.

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