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"Quem não pode errar?", diz prima de piloto morto em voo da Chapecoense

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ESPORTES

"Quem não pode errar?", diz prima de piloto morto em voo da Chapecoense

- Atualizado em 02/12/2016 00:50

ANGELA PINHO E EDUARDO GERAQUE

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - De luto, familiares do piloto Miguel Quiroga, morto aos 36 anos no acidente com o avião da Chapecoense, manifestam incômodo com declarações que o culpam pelo acidente aéreo que matou 71 pessoas na Colômbia.

"Tenho visto muitos comentários, isso magoa", diz sua prima, Kris Quiroga, 30, que mora no Rio. "Sei que as pessoas procuram alguém [para responsabilizar] e que ele pode ter alguma culpa. Mas quem não pode errar?"

Para ela, este não é o momento para esse tipo de afirmação. "A gente ainda não sabe o que aconteceu", afirmou, a caminho de Cobija, cidade na fronteira entre Acre e Bolívia, com 55,7 mil habitantes, onde Quiroga deve ser enterrado. A mãe dele ainda mora na cidade.

A previsão é que o corpo chegue ao local nesta sexta-feira (2) ou no sábado (3).

A família do piloto se divide entre Cobija e Epitaciolândia, cidade acriana também na fronteira dos dois países, onde Miguel vivia com três filhos -um deles nascido neste ano- e a esposa, Daniela.

Segundo Osvaldo Quiroga, 30, que vive em Nova York e é primo do piloto do avião da Chapecoense, o casal decidiu viver no lado brasileiro da fronteira exatamente para que os seus filhos nascessem em solo brasileiro.

A relação da família com o Brasil, diz ele, que é carioca, é grande e de muito tempo.

"Vários dos meus tios, e a minha mãe, mudaram para o Brasil para fazer faculdade há muitos anos. Alguns acabaram ficando e outros decidiram voltar para a Bolívia."

O pai e o avô de Micky, como a família chamava Miguel Quiroga, também eram pilotos. "Meu tio Eduardo foi ao Brasil para se recuperar após um acidente de avião em Santa Cruz, na Bolívia."

Rodolfo Quiroga, avô de Miguel e Osvaldo, era ex-militar de carreira, encarregado da extinta linha áerea Lloyd Aéreo Boliviano. "Daí nasce a paixão pela aviação na família", conta ele.

Segundo Osvaldo, Micky estava muito feliz e empolgado com o crescimento da companhia dele, a LaMia.

"Ele gostava muito de futebol e torcia para a seleção boliviana e brasileira", diz.

Na aeronave de Micky voaram várias equipes de futebol, como o Atlético Nacional, atual campeão da Libertadores, além das seleções da Argentina e da Bolívia. O atacante Leonel Messi chegou a deixar um autógrafo no avião.

No serviço prestado pela empresa estava incluso personalizar a aeronave com o logo e as cores dos clubes.

A própria Chapecoense havia usado o mesmo avião para jogar uma partida internacional, há meses, pela Copa Sul-Americana.

Nas redes sociais, há também fotos do presidente boliviano Evo Morales diante da aeronave da companhia que Quiroga comandava.

"Sempre viveu conosco, era um rapaz brilhante, mais um filho, um amigo", afirmou o ex-senador boliviano Roger Pinto Molina à agência Efe.

O político, que era sogro de Miguel, fugiu de seu país para viver no Brasil com a ajuda de um diplomata brasileiro.

AFETUOSO

Também em uma rede social, outra prima do piloto, Vianey Vaca, criticou a cobertura de meios de comunicação e defendeu Miguel.

"Indiferente ao que tenha sido o resultado, o capitão e comandante Alejandro Quiroga Murakami era para nós pandinos [provenientes da província de Pando, na Bolívia] e a família, um exemplo de vida", declarou.

"Homem esforçado, trabalhador, nobre, excelente ser humano e um profissional de primeira", escreveu Vianey.

Familiares o descrevem como afetuoso e dedicado. "Era um pai e um marido excepcional", afirma a prima Kris.

Em homenagem dedicada a ele, outro primo, o médico Kuny Murakami relata que era sempre tratado por ele como um filho.

"Lembro dos dias em que estudava até tarde sozinho e você se levantava para tomar água, mas passava do meu lado, pegava minha orelha e dizia que eu seria grande."

Além dos parentes, amigos do comandante, muito deles também pilotos, elogiaram o caráter e a competência de Quiroga no trabalho.

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