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Raridade no Brasil, 'naming rights' batiza 26 dos 31 estádios da NFL

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ESPORTES

Raridade no Brasil, 'naming rights' batiza 26 dos 31 estádios da NFL

DIEGO IWATA LIMA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No Brasil, a negociação dos "naming rights" -direito de dar nome a arenas esportivas-, ainda é algo pouco palpável. Já na liga profissional de futebol americano, um estádio que não seja batizado com um nome de empresa é quase uma aberração.
Na NFL, dos 31 estádios homologados para jogos, apenas cinco não lucram com nomes patrocinados, realidade semelhante à registrada em ligas de outros esportes, como basquete e beisebol.
O estádio que vai receber a final do campeonato nacional, o Super Bowl, no próximo domingo (7) é um exemplo. Localizado em Santa Clara, na Califórnia, é a casa do tradicional San Francisco 49ers, mas carrega o nome de uma marca de vestuário: Levi's Stadium.
Dos clubes da Série A brasileira com estádios próprios, apenas o Palmeiras recebe algo pelo permissão de batismo de seu estádio, por meio da atual proprietária de sua arena, a WTorre.
O contrato com a seguradora Allianz prevê pagamento de R$ 300 milhões em um contrato de 20 anos (média anual de R$ 15 milhões). Deste montante, por força de contrato, o Palmeiras só vai receber 37,5 milhões.
A cervejaria Petrópolis patrocina a Arena Pernambuco e a Fonte Nova, na Bahia, estádios públicos, com a marca Itaipava. Paga aos dois estádios R$ 100 milhões por contratos de 10 anos.
Na NFL, até o Jacksonville Jaguars, time menos popular entre os 32 participantes da NFL, segundo a tradicional pesquisa do instituto norte-americano Harris Interactive, conseguiu fazer negócio.
O banco EverBank renovou, em 2014, por US$ 43,3 milhões (cerca de R$ 173 milhões, R$ 17,3 milhões por ano), o contrato de dez anos para dar nome ao estádio onde o time exerce seus mandos de jogo, no Estado norte-americano da Florida.
Naming Rights
Maior contrato entre os times da NFL, a seguradora MetLife paga aos dois times de Nova York, Giants e Jets, US$ 400 milhões (R$ 1,6 bilhão) para dar nome a arena co-administrada pela dupla em um contrato de 20 anos.
A disparidade de valores pode ser explicada pelo tamanho das duas economias no cenário mundial. Mas o fato de haver tão poucos acordos de "naming rights" no Brasil é consequência de outros fatores.
Por aqui, o Corinthians, clube mais popular do Brasil dentre aqueles que possuem estádio, tenta há dois anos negociar, sem sucesso, os "naming rights" de sua arena.
"É apenas uma amostra da falta de profissionalização do esporte e da falta de consciência no Brasil do tamanho do PIB que o esporte pode gerar", avalia Clarisse Setyon, professora do MBA de gestão de esporte da ESPM.
O diretor executivo da Allianz no Brasil, Felipe Gomes, vai além:
"Essa situação não vai mudar enquanto os estádios aqui se prestarem apenas aos jogos de futebol e não se transformarem em locais multiuso", afirma.
"Jamais teríamos o mesmo sucesso que temos com equipamentos defasados como o Morumbi e o Pacaembu", completa.
Para o executivo, mais empresas vão se interessar em batizar as arenas quando todos os estádios oferecerem outro tipo de opções de exposição da marca.
"Um estádio recebe cerca de 35 jogos por ano. Mas no Allianz Parque há shows, convenções de venda, eventos de música eletrônica, viedeogame, encontros corporativos, como acontece nos estádios dos EUA. Isso é o que seduz as empresas. Eu não falo só com palmeirenses, falo com todo tipo de público", avalia.
VETO DA GLOBO
Para a professora Clarisse Setyon, outra questão importante para haver poucos acordos de "naming rights", é o fato de a Rede Globo, empresa detentora dos direitos de transmissão do Brasileiro para a TV aberta, não mencionar as marcas durante as partidas.
A Band, que transmite os jogos do Brasileiro em parceria com a Globo, menciona os patrocinadores.
"Essa espécie de boicote da Globo é prejudicial a todos", diz Clarisse.
Felipe Gomes, da Allianz, minimiza o impacto da narração da Globo não mencionar a marca e diz acreditar que isso deve mudar com o tempo.
"Será inevitável que essa restrição acabe caindo ao longo dos 20 anos de contrato que temos com o Allianz Parque. E, ainda que não fale, a transmissão pela TV não tem como não mostrar nossa marca", diz ele.
Em represália ao fato de a Globo não mencionar o nome da Allianz nas transmissões, por entenderem que isso prejudica o clube, muitos torcedores do Palmeiras, em fóruns e redes sociais, referem-se à emissora como RGT (Rede Globo de Televisão).
A Folha fez contato com a assessoria de imprensa da TV Globo, mas a emissora não se manifestou sobre o assunto até o fechamento desta reportagem.
HOMENAGENS
Dos estádios sem nome de empresas na NFL, três fazem homenagens a donos ou fundadores dos clubes.
Ralph Wilson, que empresta seu nome ao estádio do Buffalo Bills, do Estado de Nova York, desde 1998, foi proprietário da franquia por 54 anos, até 2014, quando morreu.
Curiosamente, o estádio antes tinha negociação de "naming rights". Em 1972, a empresa de alimentos Rich assinou acordo para dar nome ao estádio por 25 anos, pagando US$ 60.000 por ano (R$ 240.000 pela conversão atual).
Inaugurado em 2000, o Paul Brown Stadium, do Cincinnati Bengals, do Estado de Ohio, faz homenagem ao fundador do clube, em 1968. Brown também fundou a franquia Cleveland Browns, assim nomeada em homenagem a ele, em 1945.
O estádios dos Browns, porém, chama-se First Energy Stadium, patrocinado pela empresa do setor de energia elétrica.
O Lambeau Field, do Green Bay Packers, de Wisconsin, homenageia o fundador do time Earl Lambeau, morto em 1965. Inaugurado em 1956, o estádio antes se chamava City Stadium.
Já o estádio do Chicago Bears chama-se Soldier Field em homenagem aos veteranos de guerras dos EUA. E o Arrowhead Stadium, do Kansas City Chiefs, faz referência ao nome da rua em que está localizado, no condado de Jackson, no Estado de Missouri.

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