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Por religião, goleiro do Londrina 'guarda' sábados e pode ficar sem time

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ESPORTES

Por religião, goleiro do Londrina 'guarda' sábados e pode ficar sem time

WILHAN SANTIN
LONDRINA, PR (FOLHAPRESS) - O goleiro Vitor, 30, do Londrina Esporte Clube, viveu os melhores anos da sua carreira nas duas últimas temporadas. Em 2014, foi campeão paranaense. No mesmo ano, ajudou o time a subir da Série D para a Série C do Campeonato Brasileiro.
Em 2015, o goleiro teve boas atuações na Série C. Das 24 partidas da equipe, não jogou apenas uma, cumprindo suspensão pelo terceiro cartão amarelo. O Londrina foi vice-campeão --o título ficou com o Vila Nova--, mas conseguiu o principal objetivo do ano: subir para a Série B.
Vitor foi eleito pela Unefut (União Nacional das Entidades de Futebol do Brasil) o melhor jogador da competição. Virou ídolo da torcida. Recebeu proposta de time da Série A. Mesmo assim, ele não se sentia completamente feliz na profissão.
"Nos últimos anos, eu ficava muito incomodado com o fato de não guardar os sábados. É um dos mandamentos da lei de Deus, assim como não matar e não roubar. Refleti bastante, até tomar a decisão", afirmou.
A decisão foi o batismo, no dia 27 de dezembro, na Igreja Adventista do Sétimo Dia, a qual já frequentava. Desde então, o goleiro não pode trabalhar do pôr do sol da sexta-feira até o pôr do sol dos sábados, como orienta a Igreja.
Na preparação do Londrina para o Campeonato Paranaense, que começa no dia 30 de janeiro, ele não treinou nos dois últimos sábados. Na Série B do Campeonato Brasileiro, a principal competição do time no ano, os jogos são realizados nas noites das terças e sextas-feiras e nas tardes de sábado.
Em entrevista coletiva, o gestor do Londrina, Sergio Malucelli, anunciou que o contrato de Vitor termina em maio e não deve ser renovado. "Respeito a decisão religiosa dele. Mas fica inviável termos um goleiro que não poderá jogar a maioria das partidas na competição nacional", lamentou o dirigente.
Sobre o seu futuro como jogador de futebol, o goleiro diz que não pretende abandonar a carreira. Se realmente for desligado do Londrina, vai procurar outro clube. "Estou na minha melhor fase, tecnicamente e fisicamente. Com a minha idade, ainda tenho muita lenha para queimar. Quero mesmo permanecer por aqui. Não sendo possível, terei que encontrar um time que aceite a minha decisão", destacou.
Vitor é casado e tem dois filhos, um menino de nove anos e uma menina, de seis meses. Questionado sobre a possibilidade de não encontrar clubes, ele se mostrou resignado. "Aí terei que encontrar outra forma para sustentar a minha família. Faz muito tempo que eu venho estudando a Bíblia, lendo, refletindo. Sei que muita gente não vai entender a minha escolha. Hoje, as pessoas dão mais valor ao dinheiro do que a um dia para descansar, curtir a família."
Nas concentrações, ele dispensa o videogame, distração de boa parte dos atletas. Prefere ler a Bíblia e se aprimorar no saxofone, instrumento que toca na igreja. Revelado pelo Vitória-BA, o goleiro de 1,90 m teve passagens pela seleção brasileira das categorias sub-16 e sub-17 e rodou por vários times do país. Entre eles, Joinville, Portuguesa, Bragantino, ABC-RN, Atlético Goianense e Arapongas, até chegar ao Londrina em dezembro de 2013. Pelo time paranaense, já disputou 79 partidas oficiais.
PROPOSTA DA SÉRIE A
O vice-presidente de futebol da Chapecoense, Mauro Stumpf, confirmou que o time catarinense tentou a contratação de Vitor depois de gostar do futebol que ele mostrou na Série C de 2015.
"Aqui, ele jogaria a Série A, teria um salário melhor do que o que recebe no Londrina. Já estava tudo certo com o Sergio [Malucelli], mas o atleta disse que não queria vir. Depois, revelou que havia tomado a decisão religiosa. O empresário dele nos procurou, pedindo que aceitássemos o jogador com esta restrição de não jogar aos sábados. Mas não dá. Estrearemos no Estadual num sábado. É claro que respeitamos a decisão do jogador. Porém, para essa profissão é inviável", explicou Stumpf.
SÉTIMO DIA
Segundo o pastor Nilton Rosa, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, responsável pelo batismo do goleiro, a decisão de guardar os sábados não é uma imposição da igreja. É uma orientação. "A igreja ensina, o indivíduo decide", destacou.
"Deus fez o mundo em seis dias. No sétimo, que é o sábado, ele descansou e também abençoou e santificou este dia. Para nós, um ciclo de 24 horas começa e termina com o pôr do sol. Nas 24 horas do sábado, envolvemo-nos com as atividades da igreja, com a família e fazemos obras sociais", finalizou o pastor.

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