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Documentário sobre refugiados vence edição politizada so Festival de Berlim

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ENTRETENIMENTO

Documentário sobre refugiados vence edição politizada so Festival de Berlim

GUILHERME GENESTRETI, ENVIADO ESPECIAL (*)
BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Em edição marcada pela crise dos refugiados, o politizado Festival de Berlim premiou neste sábado (20) o documentário franco-italiano "Fuocoammare", de Gianfranco Rosi, com o Urso de Ouro, maior honraria da mostra alemã de cinema.
Já apontado como favorito desde que estreou em Berlim, o filme retrata a crise migratória por que passa a Europa sob o ponto de vista dos habitantes de Lampedusa, ilha italiana encravada entre a Sicília e o norte de África que é um dos principais pontos de entrada dos refugiados na Europa.
"Dedico esse prêmio ao povo de Lampedusa, sempre aberto a receber o povo que chega lá", disse Rosi, que em 2013 já havia ganhado o prêmio máximo do Festival de Veneza por "Sacro GRA". "Não é aceitável que pessoas morram no mar por escapar de tragédias."
"Fuocoammare" (que pode ser traduzido como "fogo no mar") intercala as agruras por que passam africanos e asiáticos que empreendem a jornada clandestina pelo Mediterrâneo com o cotidiano de um menino italiano, Samuele, à primeira vista apartado do que ocorre à sua volta.
"O menino é um pouco como nós, europeus, não sabe o que fazer diante dessa situação", disse o diretor na coletiva de imprensa após a exibição do filme. Seu documentário também inclui depoimento de um médico que atua na ilha e detalha as mazelas sofridas pelos refugiados: 400 mil nos últimos 20 anos, segundo mostra "Fuocoammare".
Ao todo, 18 longas-metragens disputaram na competição da Berlinale, uma das principais mostras de cinema do mundo. Para a atriz americana Meryl Streep, que presidiu o júri da edição, o filme de Rosi é "urgente" e "imaginativo" e se comunica com o mundo de fevereiro de 2016.
POLITIZAÇÃO
A politização também marcou o grande prêmio do júri, vencido pela coprodução franco-bósnia "Death in Sarajevo", que pode ser vista como uma metáfora das dificuldades de convivência dos europeus dentro de um mesmo bloco.
A francesa Mia Hansen Love ("L'Avenir") ganhou o Urso de Prata de melhor direção. Já o filipino Lav Diaz e seu "A Lullaby to the Sorrowful Mystery", filme com oito horas de duração, saiu com o prêmio Alfred Bauer, voltado a produções que abrem novas perspectivas.
Na categoria de filme de um diretor estreante, o premiado foi Mohamed Ben Attia tunisino "Inhebek Hedi", que também rendeu o troféu de melhor ator a seu protagonista, vivido por Majd Matsoura, um homem atormentado entre as tradições de seu povo e um novo amor.
A dinamarquesa Trine Dyrholm levou o prêmio de melhor atriz por seu papel como uma mulher de meia-idade que resolve viver em uma comunidade com amigos (e outros nem tantos) no longa "The Commune", de Thomas Vinterberg. Nessa categoria, Isabelle Huppert era bem cotada por seu papel em "L'Avenir".
As imagens exuberantes do chinês "Crosscurrent", de Yang Choo, lhe valeram o prêmio de melhor fotografia da edição. "United States of Love" ganhou o prêmio de melhor roteiro.
Entre os curtas-metragens, o português "Balada de Um Batráquio", de Leonor Teles, saiu com o Urso de Ouro. "Nunca pensei que um filme tão parvo como este pudesse ganhar esse prêmio", disse a diretora ao receber o troféu. O Urso de Prata foi para a coprodução Reino Unido-Holanda-Dinamarca "A Man Returned", de Mahdi Flaifel.
O Brasil esteve presente na mostra Panorama do Festival de Berlim, paralela à competição do júri, com três filmes: "Mãe Só Há Uma", de Anna Muylaert; "Antes o Tempo Não Acabava", de Sergio Andrade e Fábio Baldo"; e o documentário "Curumim", Marcos Prado.
O país não foi premiado nas categorias principais da sessão, mas a trama sobre transexualidade de "Mãe Só Há Uma" foi lembrada pelo Teddy, conjunto de premiações para filmes com temática LGBTT: o longa de Muylaert ganhou troféu concedido pela revista gay alemã "Männer.
*O jornalista se hospeda a convite do Festival de Berlim

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