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Por cargos, centrão ameaça derrotar pauta econômica do governo

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ECONOMIA

Por cargos, centrão ameaça derrotar pauta econômica do governo

BRUNO BOGHOSSIAN E DANIEL CARVALHO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Sem receber os cargos prometidos pelo Palácio do Planalto, partidos da base de Michel Temer ameaçam impor uma derrota ao governo já na semana que vem, quando deve ocorrer a primeira votação importante da pauta econômica depois da rejeição da denúncia contra o presidente.

Siglas do chamado "centrão", grupo que reúne partidos médios como PP, PR, PSD e SD, pretendem boicotar as negociações sobre a medida provisória do Refis, programa de renegociação de dívidas com o fisco. Esse texto é considerado prioritário pelo governo para tentar salvar as contas públicas deste ano.

Alegando falta de diálogo com o Planalto, essas siglas afirmam que o governo se recusa a redistribuir os espaços hoje ocupados por indicações de deputados que votaram contra Temer na Câmara na semana passada.

O Refis é a principal arma do governo para ampliar a arrecadação deste ano, diminuir o rombo no Orçamento e amenizar a revisão da meta fiscal -atualmente estipulada em um deficit de R$ 139 bilhões.

A expectativa da área econômica do governo era arrecadar R$ 13 bilhões com o programa, mas a Câmara alterou o texto, gerando mais benefícios para os devedores, e reduziu essa projeção para menos de R$ 1 bilhão. O governo quer negociar um meio-termo, mas a base de Temer resiste.

Integrantes de partidos como PP, PTB e PR dizem que, se não tiverem suas demandas atendidas, podem votar a favor do texto costurado na Câmara, à revelia do Planalto, ou simplesmente não votar texto algum. Se o centrão barrar as negociações até outubro, a medida provisória perde a validade.

A estratégia de atuação do centrão ainda não está articulada. Seria desenhada em uma reunião nesta quarta-feira (9), que acabou adiada para a próxima semana.

O governo tem feito uma redistribuição pontual de cargos, mas promete aos parlamentares listar até a semana que vem as vagas ocupadas por traidores, em uma devassa mais significativa.

Fiadores da vitória de Temer na semana passada, quando a denúncia contra o presidente foi rejeitada por 263 votos, os deputados do centrão estão de olho não apenas em cargos do primeiro escalão -como o Ministério das Cidades, hoje nas mãos do dividido PSDB.

Há interesse, principalmente, em postos de segundo e terceiro escalão. Um exemplo é a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba), comandada pelo PSB. Oficialmente, o partido está na oposição, mas ainda comanda o Ministério de Minas e Energia e sua bancada na Câmara está rachada.

HISTÓRICO

As ameaças à pauta econômica do governo não estão restritas ao centrão. Como a Folha de S.Paulo mostrou em julho, partidos aliados de Michel Temer já defendiam que ele abandonasse a ideia de votar a reforma da Previdência e que a proposta só fosse retomada em 2019, ou seja, no próximo governo. Àquela época, membros de PSDB (46 deputados), PR (38), PSD (37), DEM (29) e PRB (23) defendiam o adiamento da Previdência.

Diante da insatisfação com os espaços na Esplanada dos Ministérios, esse grupo cresceu e ganhou apoio também entre membros do PP, por exemplo.

Mas foi logo após a votação da denúncia contra Temer que a pressão cresceu, como publicado na sexta-feira passada (4).

A partir daquele momento, as ameaças deixaram de contemplar apenas a votação da reforma da Previdência e passaram a incluir também a próxima denúncia que a Procuradoria-Geral da República deve mandar sobre Temer.

Nesta terça-feira (8), um aliado de Temer lembrou no plenário da Câmara em tom de ameaça que Dilma Rousseff foi retirada da Presidência da República justamente quando deixou de atender os pedidos de sua base.

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