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ATUALIZADA - PIB do Brasil cai 3,6% em 2016, e país tem pior recessão da história recente

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ECONOMIA

ATUALIZADA - PIB do Brasil cai 3,6% em 2016, e país tem pior recessão da história recente

FERNANDA PERRIN, ENVIADA ESPECIAL, E LUCAS VETTORAZZO

RIO DE JANEIRO9, RJ (FOLHAPRESS) - Em um ano marcado por turbulências políticas, a economia brasileira encerrou 2016 com queda de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto), de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (7).

Foi o segundo ano seguido de queda do indicador, que já havia recuado 3,8% em 2015.

Com isso, o país acumulou queda de 7,2% no acumulado de 2015 e 2016, a pior recessão já registrada pelo IBGE, cuja série começa em 1947.

A economia brasileira voltou ao mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010.

Além da profundidade, a recessão no período se destaca por sua dispersão em todos os setores da economia, algo incomum em períodos de crise anteriores, diz Rebeca Passos, coordenadora de contas nacionais do IBGE.

No ano, a agropecuária caiu 6,6%, seguida pela indústria (queda de 3,8%) e pelos serviços, que recuaram 2,7%. Desde 1996 o país não tinha quedas nos três principais setores da economia.

TRIMESTRE

Contrariando a expectativa do mercado, a economia encolheu 0,9% de outubro a dezembro, ante o trimestre anterior. Os analistas esperavam que essa queda fosse menor, de 0,5%.

O resultado do período representa a oitava redução consecutiva do PIB na comparação trimestral e a mais longa sequência de quedas da série histórica de contas nacionais do IBGE, iniciada em 1996.

Já pelos critérios da FGV (Fundação Getulio Vargas), o ciclo de empobrecimento do país completou 11 trimestres, com queda acumulada de 9% do PIB.

Pela ótica da produção, dos três setores da economia, só a agropecuária avançou no quarto trimestre, com alta de 1%. Indústria e serviços caíram 0,7% e 0,8%, respectivamente.

"Nos serviços, todas as atividades apresentaram resultado negativo, especialmente os serviços de informação (-2,1%) e transporte, armazenagem e correio (-2,0%)", informou o IBGE.

Já pela ótica da despesa, o consumo das famílias teve queda de 0,6%, recuando pelo oitavo trimestre consecutivo. A formação bruta de capital fixo (investimentos) caiu 1,6%, e a despesa de consumo do governo teve ligeira alta, de 0,1%, praticamente estável em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O recuo do PIB no quarto trimestre do ano passado foi maior do que o observado no terceiro trimestre (queda revista de 0,7%, contra recuo de 0,8% informado anteriormente), mas levemente melhor do a queda de 1,1% do último trimestre de 2015 quando comparado ao período imediatamente anterior.

Em relação aos últimos três meses de 2015, a redução foi de 2,5%.

2016

O PIB totalizou R$ 6,267 trilhões em 2016.

Já o PIB per capita –ou seja, a divisão do PIB pela população do país– teve queda de 4,4%, alcançando R$ 30.407.

Os investimentos sofreram um tombo em 2016, reduzindo 10,2% no acumulado do ano. O consumo das famílias, pressionado pela alta do desemprego e o endividamento, despencou 4,2% no mesmo período.

Impulsionadas pela desvalorização do real, principalmente no início do ano, as exportações expandiram 1,9% em 2016, enquanto as importações caíram 10,3%.

O consumo do governo, importante vetor de aquecimento de demanda no país, também teve queda no ano passado, de 0,6%. A queda, contudo, não chega a ser pior que a registrada um ano antes, de 1,1%.

No quarto trimestre, a queda foi de 0,1%, menos pior do que verificado no trimestre imediatamente anterior, que teve queda de 0,8%.

PARA FRENTE

A expectativa do mercado é que o desempenho no primeiro trimestre deste ano já esteja em terreno positivo. Para 2017, a projeção é de crescimento de 0,49% do PIB, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda (6).

A queda da inflação e a redução da taxa de juros pelo BC são as principais razões para o ânimo de economistas, que esperam que, com isso, famílias e empresários voltem a consumir e investir.

A melhora na demanda por commodities e o aumento da safra agrícola -principais produtos da pauta de exportações brasileira- também explicam o otimismo.

A visão positiva para 2017 contrasta com o ano de 2016, marcado pelo aprofundamento da recessão, com aumento do desemprego e piora da atividade econômica sobretudo nos setores de comércio e serviços, que levaram mais tempo para sentir os efeitos da crise.

Fatores políticos, como o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e as investigações de negócios e políticos na Operação Lava Jato, pioraram esse cenário, afetando a confiança na economia e freando investimentos e consumo.

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