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Risco de calote da Odebrecht Engenharia cresceu, avalia Fitch

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ECONOMIA

Risco de calote da Odebrecht Engenharia cresceu, avalia Fitch

RENATA AGOSTINI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Alvo de novas frentes de investigação e com contratos em risco, a Odebrecht Engenharia e Construção, principal empresa do grupo Odebrecht, teve a nota de crédito rebaixada pela Fitch.

A agência de risco acredita agora ser provável que a companhia se torne inadimplente em algum momento.

Segundo nota divulgada nesta terça (17), a Fitch rebaixou a classificação da empresa de B- (dado a empresas consideradas vulneráveis, mas que seguem cumprindo seus compromissos) para CC, concedido a empresas cujo risco de crédito é "muito alto".

A decisão foi tomada diante da crescente dificuldade da empresa de reestruturar suas atividades e gerar receitas, de acordo com a agência.

As receitas da empreiteira devem cair 15% este ano e a carteira de contratos deve ficar 6% menor, estima a Fitch.

Em 2015, a Odebrecht Engenharia faturou R$ 57,4 bilhões, mas o número de 2016 deve ser 64% menor, acredita a agência.

Ao contrário do esperado, o acordo firmado com autoridades brasileiras, americanas e suíças aumentou o problema da empreiteira.

Nele, o grupo Odebrecht concordou em pagar R$ 3,8 bilhões aos três países -outros R$ 3,1 bilhões serão pagos pela petroquímica Braskem, sociedade entre a Odebrecht e a Petrobras.

O anúncio do acordo fez bem à Braskem, que tem visto suas ações subirem na Bolsa desde então.

A empreiteira, no entanto, segue em apuros. A divulgação das informações motivou a abertura de novas investigações contra a empresa em países como Colômbia, Equador, Panamá e Peru.

Na avaliação da Fitch, é possível que projetos em construção nesses países sejam interrompidos e que a companhia seja impedida de participar de novas licitações.

"Esses governos podem segurar pagamentos relacionados a contratos sob investigação, o que piora o balanço de recebíveis e coloca pressão na liquidez da empresa", afirmou a Fitch.

OBRAS

O valor dos contratos firmados pela companhia -e que indicam sua capacidade de gerar receitas no futuro- deve seguir em queda em 2017. Até o fim do ano, pode ficar abaixo de US$ 18 bilhões, estima a Fitch.

A carteira de contratos da empreiteira era de US$ 21,3 bilhões em setembro de 2016. Na ocasião, o valor já era considerado baixo, já que, no final de 2015, a Odebrecht Engenharia e Construção possuía contratos de US$ 28,1 bilhões.

O quadro tem piorado diante da necessidade da empreiteira de ajudar o grupo, dono de empresas endividadas ou com dificuldades.

No terceiro trimestre do ano passado, a empresa emprestou US$ 100 milhões à holding. No trimestre seguinte, repetiu os repasses, afirma a Fitch.

A agência esperava, na verdade, que a empresa recebesse US$ 250 milhões que já haviam sido emprestados à holding do grupo.

SALDÃO

O grupo espera que o acordo com as autoridades ao menos o ajude a acelerar a venda de suas empresas. A Odebrecht procura compradores para vários de seus negócios com dois objetivos: levantar dinheiro e se livrar da dívida do que for passado à frente.

A meta é vender negócios avaliados em R$ 12 bilhões. Na lista, há gasodutos, hidrelétricas e concessões.

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