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Brasil perde 4 posições em ranking de países mais atrativos para negócios

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ECONOMIA

Brasil perde 4 posições em ranking de países mais atrativos para negócios

CLÓVIS ROSSI, ENVIADO ESPECIAL

DAVOS, SUÍÇA (FOLHAPRESS) - Como inexorável consequência da crise, o Brasil está saindo do radar da elite empresarial mundial: em 2011, ao iniciar-se o governo de Dilma Rousseff, 19% dos executivos das grandes companhias punham o Brasil em terceiro lugar na lista dos três países em que viam maiores oportunidades de negócios, excetuando, claro, seus próprios países.

Na mais recente pesquisa, feita em 2016 e divulgada nesta segunda-feira (16), são apenas 8% os que dão idêntica importância ao Brasil, agora o sétimo colocado. É o que revela a 20ª pesquisa da PricewaterhouseCoopers com 1.379 executivos-chefes de 79 países, divulgada, como vem sendo tradicional, na véspera da abertura do Encontro Anual do Fórum Econômico Mundial.

A pesquisa revela chocante contraste entre o relativo descaso dos executivos de outros países e o entusiasmo de seus colegas brasileiros ouvidos no mesmo levantamento: 57% deles estão muito confiantes no crescimento de suas companhias nos próximos 12 meses, mais do que o dobro da porcentagem encontrada na pesquisa anterior (24%) e 19 pontos acima da média global deste ano (38%).

Detalhe importante, entretanto: a pesquisa da PwC é feita, sempre, ao longo do último trimestre do ano. Nesse período ou, ao menos, no início dele, havia entusiasmo entre o empresariado brasileiro pelo simples fato de que fora afastada a governante que boa parte dele responsabilizava pela crise.

Portanto, o "surpreendente" entusiasmo dos brasileiros, apontado no relatório da Price, pode ter cedido na medida em que a agenda do governo Michel Temer enfrentava tropeços e não surgiam sinais de retomada do crescimento.

De todo modo, no longo prazo (três anos), o número de executivos-chefes confiantes no crescimento de suas empresas é ainda mais impressionante: são 79% de otimistas, 25 pontos acima do registrado na pesquisa anterior e 28 pontos superior à média global deste ano, que não passa de 51%.

Esse número de 51% de otimistas, no conjunto dos 79 países pesquisados, soa até elevado, se considerarmos a perplexidade que cerca os líderes mundiais ao inaugurar o Fórum de Davos.

De todo modo, fica claro, pela comparação com pesquisas anteriores, que a confiança empresarial não consegue voltar aos níveis pré-crise global de 2008/09: quando se pergunta aos executivos se esperam crescimento das empresas para os 12 meses seguintes, 38% estão otimistas. Longe do pico de otimismo (52%) que havia sido atingido em 2007, véspera da grande crise.

Vale idêntico raciocínio para a perspectiva da crescimento da economia global como um todo, e não das empresas de cada um: só 29% dos consultados esperam melhoria, dois pontos acima da pesquisa anterior, mas longe do pico de otimismo (os 44% de 2014).

Nesse item a pesquisa começou apenas em 2012, o que impede comparações com os anos pré-crise e imediatamente posteriores.

Esse cenário nem rosa nem negro, mas cinza, é fácil de explicar nas palavras de Bob Moritz, presidente global da PwC, no relatório que acompanha a pesquisa:

"Resultados surpreendentes de votação colocaram pressão em blocos estabelecidos [alusão óbvia ao brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia] e, hoje, os sistemas globais que respaldam o comércio estão rangendo nas suas costuras. Eventos recentes também revelaram a extensão do descontentamento do público com a brecha em competências, empregos e desigualdade de renda".

Conclusão: "Há uma crescente desconexão com as lideranças, conduzindo à desconfiança e cinismo em relação à instituições tradicionais, tanto no setor público como no privado".

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