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Carne bovina vai levar um ano para entrar no Japão, diz ministro

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ECONOMIA

Carne bovina vai levar um ano para entrar no Japão, diz ministro

- Atualizado em 18/10/2016 11:35

ANA ESTELA DE SOUSA PINTO, ENVIADA ESPECIAL

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que deve levar pelo menos um ano para que o Japão abra seu mercado para a carne bovina in natura.

O produto não pode ser exportado por causa da febre aftosa. O Brasil é livre da doença com vacinação, condição que não é suficiente para os padrões de importação japonesa.

Havia a expectativa de que, assim como ocorreu com a carne suína, houvesse um movimento favorável do Japão em sequência à aprovação concedida pelas autoridades sanitárias norte-americanas (que recentemente liberaram a carne de boi).

Maggi reconheceu que a aprovação do Tratado Transpacífico "preocupa muito", já que vai baratear produtos dos Estados Unidos, que concorrem com o Brasil.

"Infelizmente ficamos nos últimos anos muito parados por causa do Mercosul, precisamos ver como fazer uma entrada mais rápida para não ficar fora da Ásia, que concentra boa parte do consumo."

Segundo ele, o ideal seria que, por ser o maior país do bloco sul-americano, o Brasil pudesse liderar. "Se o Brasil negociar algo fora do Mercosul, os outros países devem nos seguir, e não o contrário".

Segundo Maggi, as liberações mais eminentes devem ser de frutas, principalmente manga, abacate e melão.

Segundo ele, há no momento 450 casos de restrição a produtos brasileiros em negociação hoje no ministério. O ministro reconheceu que exportadores brasileiros são também prejudicados por atraso do próprio governo.

Em viagem recente, disse ter ouvido de representante da Tailândia que tratativas para importar produtos agrícolas brasileiros estão paradas no Brasil há sete anos.

BARREIRAS

Embora 4 dos 10 produtos do comércio exterior entre Brasil e Japão sejam alimentos e representem 41% do total exportado, eles estão entre os mais taxados pelo governo japonês.

Tarifas superiores a 10% (mais que o dobro da tarifa média de importação japonesa, de 4,2%) atingem 306 produtos do agronegócio brasileiro e provocam prejuízos em pelo menos 46, nos quais a competitividade do Brasil é alta.

Entre os exemplos estão o suco de laranja (em que tarifas podem chegar a 25%), café (24%), frango congelado (12%), álcool (10%) e frutas, principalmente banana, laranja e maçã (32%).

Além das tarifas, há outras restrições às exportações brasileiras, que punem a competitividade. Por exemplo, a vantagem do café produzido no Brasil fez com que o produto nacional conquistasse mais de 50% das importações japonesas na média dos últimos três anos. Essa supremacia detona um gatilho que limita a importação, o que derrubou em 24% as vendas brasileiras.

OUTROS PORCOS

Outro problema pode ser o da qualidade. No caso dos suínos, por exemplo, o Brasil não conseguiu ainda avançar no mercado japonês porque o tipo de carne que produz é mais voltado para presuntos, enquanto o Japão prefere um produto com mais gordura marmorizada (entranhada nos músculos).

Isso fez com que o país perdesse a vantagem alcançada após a abertura de mercado, em 2014, quando o produto brasileiro viu suas vendas se multiplicarem 53 vezes.

De janeiro a setembro deste ano, foram 1.277 toneladas, 20% menos que no mesmo período de 2015 e 50% menos que no de 2014.

Francisco Turra, presidente da ABPA (associação de proteína animal, que reúne produtores de carne de porco e de frango), afirma que a criação de raças mais adequadas ao tipo de carne de porco valorizada no Japão deve permitir não só que os volumes exportados voltem a subir, mas também que o valor por tonelada seja maior.

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