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Em troca de apoio a PEC, base aliada cobra cargos em empresas estatais

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ECONOMIA

Em troca de apoio a PEC, base aliada cobra cargos em empresas estatais

- Atualizado em 10/10/2016 21:20

VALDO CRUZ E GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com o esforço do governo federal em conseguir um placar folgado na votação da proposta de teto de gastos públicos, integrantes da base aliada na Câmara dos Deputados aproveitaram a ofensiva do Palácio do Planalto para negociar a indicação de cargos em empresas estatais.

Segundo um assessor presidencial, ao longo do dia, deputados federais que estavam fechados desde o domingo (9) pelo apoio à iniciativa pressionavam o Palácio do Planalto nesta segunda-feira (10) a atender seus pedidos aproveitando a votação considerada vital para o sucesso do governo Temer.

Os pedidos, de acordo com auxiliares presidenciais, já eram esperados. "Nada que seja surpreendente. Sempre há um deputado federal, inclusive favorável à austeridade fiscal, que aproveita para fazer negociações de seu interesse", avaliou um aliado do peemedebista.

Para garantir a aprovação da proposta, o presidente montou uma força-tarefa ministerial, que incluiu a criação de um gabinete inteligência para identificar traições na base aliada e a exoneração temporária de auxiliares diretos que detêm mandato de deputado federal.

Com o objetivo de conseguir um placar com folga, que passasse a imagem pública de força política, uma equipe presidencial foi escalada para telefonar para as bancadas federais e foram exonerados os ministros Bruno Araújo (Cidades), Fernando Coelho (Minas e Energia) e Max Beltrão (Turismo), que retornaram para a Câmara dos Deputados.

PEC DOS GASTOS

Em contato com líderes governistas, o peemedebista passou a segunda-feira (10) monitorando as tendências de voto na base aliada e atuou pessoalmente quando informado sobre ameaças de recuos. Segundo a reportagem apurou, o presidente atendeu pelos menos quatro deputados federais que se mostraram indecisos sobre a iniciativa.

Caso houvesse a necessidade uma abordagem mais direta, o presidente deixou a agenda de compromissos livre, assim como os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo).

Para evitar o esvaziamento do plenário, o Palácio do Planalto mandou cancelar todas as audiências marcadas com deputados federais em ministérios e estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa. Além disso, montou um sistema online com atualizações sobre o número de congressistas que registram presença na sessão parlamentar.

A última estimativa feita pelo Palácio do Planalto, no início da noite desta segunda-feira (10), é que o placar final deve variar entre 355 e 365 votos, número superior aos 308 votos necessários para aprovar a proposta de emenda.

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