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Bolsa sobe 2,89% com medida do BC chinês e petróleo; dólar à vista cai

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ECONOMIA

Bolsa sobe 2,89% com medida do BC chinês e petróleo; dólar à vista cai

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Ibovespa subiu quase 3% nesta segunda-feira (29), alcançando a maior alta entre os principais índices mundiais. Operadores citam como motivos para o salto o grande fluxo de estrangeiros comprando ações brasileiras, estimulados pelo corte da taxa do compulsório pelo banco central chinês e pela alta do petróleo. Os ajustes de fim de mês nas carteiras de ações também influenciaram o índice.
No mercado de câmbio, o dólar à vista terminou em queda, mas o dólar comercial acabou fechando em leve alta. O mercado de juros futuros encerrou a sessão em baixa.
O principal índice da Bolsa paulista fechou com alta de 2,89%, aos 42.793,86 pontos, após ter subido mais de 3,5% durante a sessão. O índice foi impulsionado pelas ações de Petrobras, Vale, siderúrgicas e bancos. O giro financeiro foi expressivo, de R$ 7,002 bilhões. Com isso, o Ibovespa acumulou alta de 5,91% em fevereiro, a maior alta mensal desde abril de 2015 e primeiro mês positivo desde outubro.
Petrobras PN ganhou 5,54%, a R$ 5,14, enquanto a ação ON subiu 6,67%, a R$ 7,35. O analista Rafael Ohmachi, da Guide Investimentos, aponta que, além da alta do petróleo, o anúncio de um empréstimo de US$ 10 bilhões com o Banco de Desenvolvimento da China beneficiou os papéis da estatal. "O financiamento traz um alívio às finanças da estatal no curto prazo", afirma.
Em Londres, o Brent subia 2,48%, a US$ 35,97; nos EUA, o WTI tinha alta de 3,17%, a US$ 33,82. Os ganhos aumentaram após a Arábia Saudita afirmar que iria trabalhar com outros produtores para conter a volatilidade do mercado.
As ações da Vale subiram 5,94%, a R$ 8,56 (PNA), e 7,36%, a R$ 11,81 (ON). As ações da CSN ganharam 4,00%; as da Gerdau, +1,14%; e Usiminas PNA, +1,12%.
As ações de bancos também tiveram altas expressivas: Itaú Unibanco (+2,83%), Bradesco (+3,19%), Banco do Brasil (+2,57%) e Santander (+5,65%).
As ações ordinárias da Oi foram das poucas a cair nesta sessão, com perda de 16%, a R$ 1,26. Os papéis da operadora têm se desvalorizado desde que uma possível fusão com a concorrente TIM ficou mais distante. A Oi também sofreu corte do seu rating de "BB" para "B" pela agência de classificação de risco Fitch, com observação negativa.
Segundo operadores, gerou euforia na Bolsa doméstica o anúncio do banco central chinês de corte da taxa de compulsório em 0,5 ponto percentual para todos os bancos, levando a taxa para 17% para os maiores bancos do país. O corte terá efeito a partir desta terça-feira (1º), e tem como objetivo estimular a economia do país asiático, que está em desaceleração. O maior crescimento da segunda maior economia do mundo beneficia especialmente os exportadores de commodities, como é o caso do Brasil.
A medida do BC chinês foi anunciada após o fechamento dos mercados na Ásia. As Bolsas chinesas fecharam no menor nível em um mês nesta segunda-feira, com investidores vendendo ações em meio a temores de que o aumento dos preços de imóveis possa atingir fundos de ações, agravado pelos ganhos decepcionantes dos papéis de empresas com menor valor de mercado no índice ChiNext.
Na Europa, a maioria das Bolsas fechou em alta: Londres (+0,02%), Paris (+0,90%), Frankfurt (-0,19%), Madri (+1,34%) e Milão (+0,80%). Novos dados da zona do euro mostraram que a inflação caiu para o território negativo em fevereiro, aumentando as expectativas de que o BCE (Banco Central Europeu) vai aplicar ainda mais medidas de estímulos em sua próxima reunião no mês que vem.
Além disso, a decisão da China de retomar o ciclo de afrouxamento compensou, em parte, a decepção com o fracasso da reunião do G20 em chegar a um acordo sobre novas medidas para impulsionar o crescimento.
Nos EUA, os índices terminaram em queda: Dow Jones (-0,74%), S&P 500 (-0,81%) e Nasdaq (-0,71%), com os investidores realizando os lucros obtidos na semana passada e buscando commodities e ativos de mercados emergentes após a medida do BC chinês.
DÓLAR E JUROS
O petróleo em alta e o estímulo à economia chinesa beneficiaram ainda o real ante o dólar. A moeda americana à vista recuou 0,53%, a R$ 3,9707. O dólar comercial operou a maior parte da sessão em baixa, mas acabou terminando a sessão em alta de 0,10%, a R$ 4,0040.
A maior pressão de baixa sobre o dólar ocorreu durante a formação da Ptax de fechamento do mês, que ficou em R$ 3,9790. A Ptax é a taxa calculada pelo Banco Central que serve de referência para diversos contratos cambiais. Operadores costumam disputar para influenciar as cotações da Ptax para torná-las mais favoráveis a suas posições no final do mês.
O mercado de juros futuros encerrou a sessão em queda: o contrato de DI para janeiro de 2017 passou de 14,225% para 14,180%, e o DI para janeiro de 2021 saiu de 15,740% para 15,580%. O Boletim Focus, do Banco Central, mostrou que a expectativa do mercado para a projeção de inflação deste ano recuou pela primeira vez em oito semanas, o que reforça a possibilidade de manutenção da taxa básica de juros (Selic) no patamar atual..
Em relação à taxa básica de juros (Selic), a expectativa revelada no boletim Focus é que encerre o ano a 14,25%, mesma previsão da semana passada. Para 2017, o mercado revisou novamente para baixo a projeção, que caiu de 12,63% na semana passada para 12,50% nesta semana.
A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central para definir a taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano, será nesta terça (1º) e quarta-feira (2).

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