Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

'Temos notícias e somos de papel', diz 1º jornal britânico lançado em 30 anos

Loading...

ECONOMIA

'Temos notícias e somos de papel', diz 1º jornal britânico lançado em 30 anos

FERNANDA ODILLA
LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - O Reino Unido acordou na manhã desta segunda-feira (29) com 2 milhões de cópias de um novo jornal impresso espalhadas pele território. "The New Day" (O Novo Dia, em tradução livre) é o primeiro diário britânico a ser lançado em 30 anos.
O periódico chega ao mercado editorial com um proposta ousada não apenas por ser de papel num momento em que milhares de informações circulam frenéticas pela internet.
O "New Day" não tem um site, não terá colunistas fixos, mas promete muita opinião diferente. Garante ainda neutralidade política e exibe um texto mais informal, repleto de contrações e gírias bem similar à linguagem falada. Avisa que vai ter notícias boas também e tem como slogan: "A vida é curta, então vamos vivê-la bem".
"Nós seríamos completamente insanos se estivéssemos lançando apenas mais um outro jornal. Mas não é. Sim, temos notícias e somos de papel (de alta qualidade, cor branco neve e grampeado). Mas as similaridades terminam por aí", diz o anúncio na página 2 do novo jornal.
A primeira edição traz, além de muitas notas curtas, um relatório sobre cuidadores de criança no Reino Unido e um texto sobre o romance de duas estrelas da música pop britânica (a cantora Cheryl Fernandez-Versini, 32, e Liam Payne, 22, integrante do One Direction).
Também publica um texto do primeiro-ministro David Cameron sobre o plebiscito marcado para junho para decidir se o Reino Unido fica ou sai da União Europeia. Ao lado do que pensa Cameron, estampa a opinião de uma "londrina mãe de dois filhos" que está indecisa. "Todo mundo pode ter uma voz, seja o primeiro-ministro ou um pedestre na rua porque ambos merecem ser ouvidos", explica o novo jornal.
CONCORRÊNCIA
O New Day é do grupo Trinity Mirror, que publica mais de 150 títulos no Reino Unido e na Irlanda. Vai circular de segunda a sexta e chega para concorrer, principalmente, com os tabloides "Daily Mail" e o "Daily Express".
Na manhã desta segunda, foi distribuído gratuitamente. Vai custar 25 centavos de libra (cerca R$ 1,50) nas primeiras duas semanas, valor que em seguida será reajustado para 50 centavos (R$ 3). Será distribuído em supermercados, lojinhas e bancas por todo o país.
Mesmo depois de um fim de semana com muitos anúncios na televisão e com a palavra "grátis" em letras garrafais na primeira página, nesta segunda o novo jornal não chamou tanto a atenção de quem passou pela estação de metrô de Westminster ou foi à procura de periódicos nas prateleiras de um supermercado na região noroeste de Londres.
No supermercado, uma senhora apressada pegou o "Daily Mail" e o "The Times" e disse que há anos só lê os dois jornais. Contou que tinha ouvido falar do novo produto, mas não se animou de pegar a primeira edição do "New Day" nem mesmo para dar uma olhada. Na estação, onde o "Metro" e o "City AM" já são distribuídos gratuitamente há anos, a pilha do "New Day" passava desapercebida pelos menos atentos na porta da lojinha que vende de tudo um pouco.
NEUTRALIDADE
O novo jornal será feito para ser lido por quem é pobre de tempo e tem apenas 30 minutos para se informar, segundo explicou à "BBC" a editora Alison Philips. No editorial assinado por ela na primeira edição do "New Day", Alison promete informações para pessoas "modernas, do tipo copo metade cheio".
Para o professor de jornalismo George Brock, da City University, em Londres, há uma enorme quantidade de leitores mais jovens que simplesmente não tem o hábito de comprar e ler jornais. Ele aposta que o público-alvo será jovem, urbano e que se desloca, preferencialmente, de trem e metrô, em especial para ir ao trabalho. Esse é o público que normalmente lê os periódicos distribuídos gratuitamente nas estações da capital inglesa.
O novo jornal inglês promete uma cobertura animada, otimista e politicamente neutra. Para Brock, contudo, tal neutralidade não existe. "Provavelmente os grupos focais mostraram que há muitos jovens cansados e entediados com a posição dos atuais jornais. Talvez eles queiram mais originalidade, o que é diferente de neutralidade", avalia Brock, que foi repórter e editor dos jornais "The Observer" e "The Times".
O professor James Curran, da universidade Goldsmiths, por sua vez, acredita que a principal característica dos impressos britânicos é apresentar uma linha editorial bem definida e declarada. "Jornalismo neutro -o gênero o novo título diz estar almejando- é dominado pela televisão e seus websites", diz Curran, que leciona cursos sobre mídia, história e política.
Brock concorda que os jornais britânicos hoje estão mais opinativos, os textos estão mais parecidos com os das revistas e, de certa forma, estão mais partidários também.
O "New Day" garante que não vai dizer o que o público precisa pensar, mas vai trazer sempre dois lados.
FUTURO
O "New Day" foi lançado nesta segunda, mas o futuro do novo título já divide opiniões de especialistas.
O professor James Curran não vê um futuro duradouro pro novo jornal. "A estrada está repleta de carcaças de impressos lançados desde os anos 1980. O único diário nacional que foi bem sucedido foi o 'Independent' e ele agora está quase morto. Infelizmente, este projeto provavelmente não dura mais de dois anos, no máximo. Espero que eu esteja errado", observa Curran.
George Brock, por sua vez, é mais otimista. Para ele ainda há oportunidades na mídia impressa e produtos como livros, revistas e periódicos semanais e mensais ainda têm espaço no Reino Unido. Para ele, contudo, o modelo de negócio dos jornais diários é que, potencialmente, tende a mudar a médio prazo.
Brock observa que o Reino Unido viu, por exemplo, o diário "Evening Standard" exibir uma performance acima da média desde que passou a ser distribuído de graça no metrô da capital inglesa.
"Não é impossível sobreviver, mesmo para os diários. Mas está ficando cada vez mais difícil", admite Brock. Para ele, o problema não é um novo jornal na praça, mas o fim da versão impressa do "Independent". "Não estou seguro que o 'Independent' vai sobreviver apenas na internet".
Brock acredita que, em cinco, sete anos, jornais estabelecidos podem mudar a frequência de suas edições. Ao invés de publicações diárias, podem passar a circular três vezes por semana ou somente aos finais de semana. "Acho mais fácil isso acontecer do que o fim dos impressos".

O portal TNOnline.com.br não se responsabiliza pelos comentários, opiniões, depoimentos, mensagens ou qualquer outro tipo de conteúdo. Seu comentário passará por um filtro de moderação. O portal TNOnline.com.br não se obriga a publicar caso não esteja de acordo com a política de privacidade do site. Leia aqui o termo de uso e responsabilidade.

Últimas Notícias

OBITUÁRIO

APUCARANA 21/02

CARLOS FRANCISCO DA SILVA, 57 anos
JECYR MASTRO, 91 anos
DULCINEIA RODRIGUES, 37 ANOS
MARIA DE FÁTIMA DA SILVA, 63 ANOS

IVAIPORÃ
ADON SCHMIDT DE OLIVEIRA, 63 ANOS

JANDAIA DO SUL 21/02

GERALDA GARCIA DE OLIVEIRA, 74 anos
CARLOS ORTIS SANCHES, 63 anos

MEGA SENA

CONCURSO 1905 · 21/02/2017

29 35 43 54 56 57