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Etanol bate recorde de vendas em 2015, mas não ameniza crise no setor

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ECONOMIA

Etanol bate recorde de vendas em 2015, mas não ameniza crise no setor

MARCELO TOLEDO
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Impulsionado por incentivos tributários, o etanol bateu recorde de vendas no país em 2015, ano em que o combustível foi mais usado que a gasolina em São Paulo pela primeira vez em cinco anos.
Foram vendidos pelas distribuidoras 17,86 bilhões de litros de etanol hidratado (usado diretamente nos tanques dos veículos) no país, ante 12,99 bilhões de 2014, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
A alta de 37,5% no total fez as vendas superarem os 16,47 bilhões de litros de 2009. Apesar da marca, o setor alega que não há condições de mercado para investir e crescer, devido à crise vivida pelas usinas de açúcar e etanol.
No mesmo período, as vendas de gasolina caíram 7,3% (de 44,36 bilhões de litros para 41,13 bilhões) e as de diesel, 4,7% (de 60 bilhões para 57,21 bilhões de litros).
MINAS GERAIS
A redução do ICMS do etanol em Minas Gerais, que passou de 19% para 14%, e a alta na tributação da gasolina (de 27% para 29%) fizeram o Estado ter a maior alta no país, de 138,8%, e elevaram a participação no total consumido no Brasil de 5,77%, em 2014, para 10%.
Também houve incremento tributário (Paraná e Mato Grosso do Sul), segundo a Udop (União dos Produtores de Bioenergia), assim como a alta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) cobrada na gasolina, que tornaram o etanol mais competitivo.
"O ICMS menor trouxe o mercado mineiro para o consumo. Uma lei obriga postos a colocarem em local visível a relação de preços entre o etanol e a gasolina, e tivemos índices perto de 60% [até 70% o etanol é vantajoso]. Isso ajudou", disse Mário Ferreira Campos Filho, presidente da Siamig (associação das usinas de Minas).
Com isso, hoje o Estado praticamente consome todo o etanol hidratado que produz: o consumo atingiu 1,79 bilhão de litros, ante uma produção nas 37 usinas em operação de 1,9 bilhão.
QUEDA DE PREÇOS
Para Celso Torquato Junqueira Franco, presidente da Udop, especialmente no início da safra houve queda nos preços devido à crise das usinas, o que ajudou o álcool a ganhar mercado.
"Mas isso ocorreu às custas de preço baixo, que não remunera as usinas. Ganhar mercado fazendo sacrifício não ajuda muito. O que é fundamental é uma política fiscal consistente e permanente, o que ainda não ocorreu."
As usinas alegam que o recorde de vendas não é suficiente para amenizar a crise do setor, que deve cerca de R$ 80 bilhões, mais que o faturamento de todas as usinas numa safra toda.
"O setor continua não tendo o menor interesse com as condições existentes em investir e crescer. Quem tinha boas condições e sem dívidas em dólar obteve preços melhores, mas as usinas com dificuldade venderam o combustível cedo, mais barato, e verão sua situação piorar", disse Junqueira Franco.
SÃO PAULO
São Paulo foi mais uma vez, disparado, o maior mercado consumidor do álcool, seguido por Minas, que superou o Paraná.
O consumo no Estado atingiu 9,45 bilhões de litros, ou 52,91% de todas as vendas do país. É a quarta vez, desde o ano 2000, que isso ocorre -as outras foram entre 2008 e 2010, quando o combustível ainda surfava no boom que o setor teve a partir de 2005 e os usineiros eram chamados de "heróis" pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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