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Banco Central mantém taxa de juros a 14,25% pela 4ª reunião seguida

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ECONOMIA

Banco Central mantém taxa de juros a 14,25% pela 4ª reunião seguida

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira (20), por 6 votos a 2, a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano. Foi a quarta reunião seguida em que a taxa foi mantida.
A manutenção era esperada por 15 (ou 26,3%) dos 57 economistas ouvidos pela agência internacional Bloomberg. A maioria, 28 (49,1%), apostava que a Selic subiria 0,50 ponto percentual, para 14,75%. Já 14 (24,6%) previam alta de 0,25 ponto percentual, até 14,50%.
Uma nota do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, divulgada na véspera da decisão fez muitos economistas mudarem suas projeções. No texto, ele afirmou que considerava "significativas" as novas projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) indicando piora no cenário econômico brasileiro.
Para analistas, foi um recado do BC de que adotaria uma postura mais alinhada com o Palácio do Planalto, que prefere manter os juros inalterados para evitar mais abatimento econômico.
A manutenção dos juros em novembro já havia mostrado que o BC estava dividido. Na ocasião, dois diretores votaram pelo aumento de juros em 0,50 ponto percentual, até 14,75% ao ano, enquanto seis decidiram deixar a taxa inalterada.
A decisão foi anunciada poucos dias depois de o boletim Focus apontar que a inflação deve encerrar o ano a 7%, após fechar 2015 em dois dígitos.
A preocupação do Banco Central é levar a inflação ao centro da meta, de 4,5% ao ano, em 2017. Segundo o Focus, a expectativa é que o IPCA encerre o próximo ano a 5,40%.
A pesquisa mostra ainda que o mercado prevê que os juros terminem o ano em 15,25% e que caiam para 12,88% em 2017.
Na avaliação de analistas, a decisão de manter a Selic se baseia na desaceleração da atividade econômica pela qual passa o país.
A instituição tem dito que precisa manter os juros elevados para que a alta da inflação causada pelo dólar e pelo reajuste de tarifas e preços controlados não se espalhe por toda a economia. O desemprego causado pelo aperto na taxa, por exemplo, evita o repasse de toda a inflação para os salários.
QUEDA DO PIB
A decisão de manter os juros também é amparada pela fraqueza econômica do país. Até novembro, a economia brasileira registrou queda de 3,9% no ano, de acordo com o indicador de atividade do Banco Central, o IBC-Br.
A expectativa do mercado é que, após fechar 2015 com queda superior a 3%, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro caia 2,99% neste ano, segundo o boletim Focus. Para 2017, a projeção é de crescimento de 1% -embora o FMI veja estagnação e recuperação apenas em 2018.
Os juros estão hoje no maior patamar em nove anos. A próxima reunião do Copom ocorrerá nos dias 1º e 2 de março.
A taxa de juros é o instrumento utilizado pelo BC (Banco Central) para manter a inflação sob controle ou para estimular a economia.
Se os juros caem muito, a população tem maior acesso ao crédito e, assim, pode consumir mais. Esse aumento da demanda pode pressionar os preços caso a indústria não esteja preparada para atender um consumo maior.
Por outro lado, se os juros sobem, a autoridade monetária inibe consumo e investimento -que ficam mais caros-, a economia desacelera e evita-se que os preços subam, ou seja, que haja inflação.
Com a alta da taxa básica de juros (Selic), o BC aumenta a atratividade das aplicações em títulos da dívida pública. Assim, começa a "faltar" dinheiro no mercado financeiro para viabilizar investimentos que tenham retorno maior que o pago pelo governo. Se a taxa cai, ocorre o inverso.
É por isso que os empresários pedem cortes nas taxas: para viabilizar investimentos, ainda mais em tempos de economia fraca, como agora. Nos mercados, reduções da taxa de juros viabilizam normalmente migração de recursos da renda fixa para a Bolsa de Valores.
Em um cenário normal, é também por esse motivo que as Bolsas sobem nos Estados Unidos ao menor sinal do Federal Reserve (BC dos EUA) de que os juros possam cair.
Quando o juro sobe, acontece o inverso. O investimento em dívida absorve o dinheiro que serviria para financiar o setor produtivo.

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