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Inflação atinge 10,67% em 2015 e estoura teto da meta do governo

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ECONOMIA

Inflação atinge 10,67% em 2015 e estoura teto da meta do governo

BRUNO VILLAS BÔAS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Sob pressão dos preços administrados (como energia e gasolina) e dos alimentos, a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, fechou 2015 com uma alta de 10,67%, bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%.
Os principais impactos no ano foram nos setores de preços administrados e dos alimentos.
Foi a maior escalada do IPCA desde 2002, quando foi de 12,53% em meio às incertezas do mercado financeiro sobre como seria um futuro primeiro governo do PT. Os dados foram divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (8).
Trata-se da primeira vez que a inflação supera o teto da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) desde 2003, o primeiro ano do governo Lula. Isso só havia ocorrido em outras duas vezes, em 2001 e 2002.
No mês de dezembro, a inflação foi de 0,96% -próximo do resultado de de novembro (1,02%) e de dezembro do ano passado (0,78%). Foi a maior alta para meses de dezembro desde 2002 (2,10%).
O índice ficou abaixo das expectativas dos economistas consultados pela agência internacional Bloomberg, que previam alta de 10,79% no ano.
O centro da meta de inflação é de 4,5% ao ano, com tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos -2,5% a 6,5%.
BANCO CENTRAL TERÁ QUE EXPLICAR INFLAÇÃO
Com o IPCA acima do teto da meta, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, terá que publicar uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, neste início de ano, explicando por que falhou.
O mercado especula agora se o BC vai elevar os juros básicos (Selic), hoje em 14,25% ao ano, na sua primeira reunião do ano, neste mês. Pelo Boletim Focus, pesquisa feita pelo BC junto ao mercado, economistas projetam inflação de 6,87% em 2016, novamente acima do teto da meta.
PREÇOS CONTROLADOS PELO GOVERNO PUXAM ALTA
O brasileiro sofreu no ano passado um aumento generalizado de produtos e serviços que compõem o custo de vida.
Para especialistas, os preços administrados pelo governo estão entre as principais razões da escalada da inflação neste ano. São produtos e serviços como energia elétrica (51%), gasolina (20,10%) e taxa de água e esgoto (14,75%).
Esses preços são estabelecidos direta ou indiretamente pelos governos. No gasolina, por exemplo, via Petrobras. Eles estavam represados nos últimos anos para evitar uma inflação maior e foram liberados no ano passado no processos de ajuste da economia.
Inflação nos grupos - Comparação entre 2014 e 2015 da inflação nos grupos de produtos e serviços
"O grande pecado estava no controle de preços da gasolina e da energia elétrica, sobretudo este último. Houve a queda forçada da energia elétrica em 2013, via medida provisória. Depois veio a seca e precisaram desfazer tudo", disse o Leonardo França, economista da Rosenberg Associados.
Em 2015, o grupo de habitação -que inclui a energia elétrica- subiu assim 18,31%, impactando em 2,69 pontos percentuais a inflação do ano. Já o grupo de transportes, que inclui combustíveis, avançou 10,16%, impacto de 1,88 ponto.
Só a energia elétrica e combustíveis foram responsáveis por 24% da inflação do ano, segundo o IBGE.
Pelos cálculos da Rosenberg, os administrados foram responsáveis de forma direta por pouco mais de 4 pontos percentuais da inflação deste ano. Indiretamente, alimentou o aumento de custos de outros bens e serviços, os chamados preços livres.
CÂMBIO E ALIMENTOS
O câmbio também afetou os preços neste ano. Segundo estimativas do Departamento de Pesquisa do Bradesco, em relatório divulgado em dezembro, 1,4 ponto percentual da inflação de 2015 teria origem no avanço da moeda americana.
"De forma geral, os itens do IPCA que estão conseguindo repassar mais a alta do câmbio são os alimentos industrializados", disse Octávio de Barros, diretor de pesquisas e estudos econômicos do Bradesco, em relatório.
Com grande peso na cesta de consumo das famílias brasileiras, o grupo de alimentos subiu assim 12,03% no ano e exerceu um impacto de 3 pontos percentuais no IPCA. Além do câmbio, os alimentos foram impactados por um regime climático adverso em alguma regiões do país.
Entre os alimentos que mais subiram no ano, os destaques foram cebola (60,61%), tomate (47,45%), batata-inglesa (34,18%) e o feijão carioca (30,38%), todos produtos importantes nas mesas das famílias brasileiras.
O alimentos não subiam tão fortemente desde 2002 (19,47%), ano também marcado por uma forte valorização cambial.

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