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Investimento público e agronegócio puxam economia do Paraná em 2016

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CONJUNTURA

Investimento público e agronegócio puxam economia do Paraná em 2016

Julio Suzuki Júnior, diretor presidente do Ipardes - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social - Foto: Ricardo Almeida / ANPr

O ano de 2016 promete ser de desafios para a economia brasileira, mas o Paraná registra um cenário mais favorável do que a média brasileira. A retomada do investimento público, possível graças ao ajuste fiscal implantado pelo Governo do Estado, e a expansão do agronegócio, embalada pelo câmbio mais favorável, devem ajudar a puxar os resultados da economia paranaense no próximo ano, de acordo com análise do diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), Julio Suzuki Júnior. “O ano de 2016 começará ainda trazendo os efeitos da recessão brasileira de 2015, mas o Estado tem condições de sair da crise mais rapidamente, assim que o Brasil der os primeiros sinais de retomada”, afirma Suzuki Junior. 

Vários indicadores mostram que, mesmo em tempos difíceis para economia brasileira, o Estado vem avançando. Segundo o IBGE, o Paraná se tornou a quarta maior economia do País; foi eleito o segundo mais competitivo do Brasil, de acordo com o grupo The Economist; e detém o terceiro maior salário médio do País, atrás de São Paulo e Distrito Federal. Um outro levantamento, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), mostra, ainda, que 96% das cidades paranaenses têm nível de desenvolvimento alto ou moderado. 

RETOMADA - No curto prazo, o ajuste fiscal, que começou a ser implantado em 2014, consolidado em 2015 e que organizou as contas do Estado, deve surtir efeitos mais positivos. “O Governo do Paraná fez o que o governo federal não fez. Com as contas equilibradas, será possível retomar investimentos, que é um vetor importante para combater a crise”, diz Suzuki. Com o ajuste, o Estado prevê R$ 6,8 bilhões em investimentos para 2016. 

CAMPO - O agronegócio, que já vem com bons resultados e uma safra recorde em 2015, deve se beneficiar do dólar valorizado nas exportações. Puxado pelas cooperativas, o setor vem investindo pesado em expansão e diversificação de produção e armazenagem. As cooperativas paranaenses respondem, atualmente, por mais de 30% das exportações do setor no País.

“O Paraná tem hoje o agronegócio mais pujante do Brasil. Isso é um fator que diferencia o Estado de outras unidades”, afirma. A retomada da indústria de transformação, por sua vez, deve ser mais lenta e ficar para 2017. Mas há alguns bons prognósticos. As exportações devem melhorar com o câmbio favorável. Além disso, o novo governo da Argentina deve melhorar as relações comerciais com o Brasil. A Argentina é um dos principais destinos das exportações paranaenses, especialmente do setor automotivo. “A Argentina promoveu uma política comercial que impôs várias barreiras aos produtos brasileiros. A expectativa é que o novo governo retire essas restrições, o que beneficiará as exportações do Paraná”, diz Suzuki Junior. 

ECONOMIA DO PARANÁ GANHOU ESPAÇO E SE DESCONCENTROU 

Vários indicadores, divulgados em 2015, mostram uma mudança de patamar da economia do Paraná. O Estado ganhou espaço na economia brasileira e desconcentrou mais sua riqueza, com avanço dos municípios do Interior. “Ao mesmo tempo em que o Paraná sofreu com a crise econômica e política no Brasil, ele teve, de acordo com dados oficialmente divulgados, um desempenho muito positivo em 2015, conquistando a quarta colocação entre as maiores economias do País”, diz o diretor presidente do Ipardes, Julio Suzuki Júnior. Dados divulgados pelo e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Ipardes, em novembro, mostraram que o Paraná respondeu por 6,3% de todas as riquezas geradas pelo País em 2013, atrás apenas de São Paulo (32,1%), Rio de Janeiro (11,8%), Minas Gerais (9,2%). O Rio Grande do Sul ficou com 6,2%. Desde 1949 o Paraná ocupava a posição de quinta maior economia do Brasil.

“É uma posição que vem sendo perseguida há muito tempo pelo Paraná. É uma conquista do empreendedorismo e do setor privado paranaense, incentivado pelo poder público” diz o presidente do Ipardes. De acordo com ele, a mudança é resultado de uma combinação de fatores. O vigor do agronegócio ajudou a desenvolver o Interior, cujos municípios cresceram e ganharam participação na economia estadual. Além da vocação histórica para os negócios do campo, o Paraná atraiu um novo ciclo de investimentos produtivos, puxado pelo programa de incentivos Paraná Competitivo e por melhorias na área de infraestrutura.

“Os investimentos em infraestrutura beneficiam a economia de duas formas. Primeiro incentivam investimentos e, segundo, aumentam a produtividade das empresas”, acrescenta. Ao atrair investimentos de alta tecnologia, o Paraná aumentou a produtividade, gerou empregos e salários mais altos. Segundo o IBGE, o salário médio no Estado é 12% superior ao do Brasil. 

MELHOR DESEMPENHO NO COMBATE À POBREZA 

O Paraná também é um dos Estados com melhor desempenho no combate à pobreza, com a segunda menor desigualdade social do País, só perdendo para Santa Catarina, lembra o presidente do Ipardes, ao citar o índice Gini. O ranking mede a desigualdade de acordo com uma pontuação que vai de 0 a 1 – no qual, quanto mais perto de zero, menores são as diferenças sociais. 

Em 2013, o Estado tinha uma pontuação de 0,469, contra 0,435 de Santa Catarina. Em 2012, esse indicador estava em 0,483. “Isso significa que os ganhos na geração de riqueza, ao se tornar a quarta maior economia, tiveram também impactos sociais. A geração de emprego e de renda ajudou a reduzir a pobreza no Paraná”, afirma.

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