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Apucaranense já conheceu 132 cidades brasileiras e dois países viajando a pé

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COMPORTAMENTO

Apucaranense já conheceu 132 cidades brasileiras e dois países viajando a pé

Louan Brasileiro já percorreu 10 mil quilômetros, visitou 132 cidades de 11 estados e conheceu a Argentina e o Paraguai. Foto? Arquivo pessoal

Em maio do ano passado, o jornalista apucaranense Louan Brasileiro, de 25 anos, pediu demissão na emissora de rádio na qual trabalhava para realizar um sonho: desbravar, de carona, o Brasil e outros países vizinhos. Dez meses depois, Brasileiro já percorreu 10 mil quilômetros, visitou 132 cidades de 11 estados e conheceu a Argentina e o Paraguai. O jornalista respondeu as perguntas da reportagem por e-mail, entre uma carona e outra, de Jericoacoara, no Ceará, quando pegava a estrada rumo à capital Fortaleza. No entanto, essa aventura, iniciada no mês seguinte ao pedido de demissão, não foi de uma “hora para outra”. 

Brasileiro viaja como mochileiro desde os 18 anos e sempre foi apaixonado por literatura beatnik e personagens históricos que exploraram mundo, como os irmãos Villas Boas, importantes sertanistas e indigenistas brasileiros. Desde então, reuniu experiências e conhecimentos para correr o país sem dinheiro, fazendo trabalhos esporádicos, só com a mochila nas costas e o inseparável violão. 

“Sempre sonhei conhecer o Brasil e o mundo, mas o anseio de cair na estrada é, para mim, mais uma peregrinação em busca de conhecimento, autoconhecimento e espiritualidade”, pontua. A aventura será tema de um livro-reportagem sobre como é viajar de carona pelo Brasil e pela América do Sul. Brasileiro também sonha em usar essa experiência num futuro mestrado. Por enquanto, suas viagens podem ser acompanhadas pelas redes sociais e também pelo blog http://vidaintheroad.wordpress.com

“Foram anos de pesquisa e testes práticos até começar de verdade. Viajando de carona você tira muita informação sobre os lugares. A internet também esta repleta de dados importantes. Uso todos os recursos disponíveis (os smartphones são muito úteis com seus apps), mas também sempre tenho comigo o velho mapa de papel e anotações importantes em meu caderno/diário de bordo”, explica o jornalista. Ele não pega ônibus ou qualquer outro tipo de transporte. Tudo é na base da carona. Nessa hora, é preciso saber fazer amizades. Quem conhece o apucaranense, sabe que uma boa conversa é uma das principais virtudes do jornalista. 

“É a parte que mais gosto da viagem. Posso dizer que todas as caronas que peguei até agora foram incríveis. A maior parte das pessoas quando param é totalmente desconhecida e, quando a carona a acaba, já somos verdadeiros amigos”, conta. Segundo ele, as caronas partem, em 80% dos casos, de caminhoneiros. 

“Eu tenho vivenciado a dura realidade que esses trabalhadores enfrentam na estrada. O Brasil precisa urgentemente valorizar o transporte rodoviário e também a vida desses condutores”, pontua. 

A insegurança, é claro, preocupa. “De norte a sul, o país é violento. Tive meu celular roubado quando passava por Curitiba, ainda no início da viagem, talvez seja o pior episódio até agora. Mas sempre busco o meio mais seguro (nunca viajo de noite, por exemplo)”, conta. A mãe, é claro, fica preocupada. 

“Estou em contato com a família todos os dias. Ao menos minha mãe sempre vai dormir sabendo onde estou e se estou bem”, diz. 

Entre os locais mais surpreendentes dessa viagem está o sertão nordestino, principalmente na Bahia e Pernambuco. “A seca, a pobreza e o contraste social protagonizado por aquele povo é surreal. Eu vi coisas que pensei só existirem nos romances de Graciliano Ramos ou no passado. Mas é tudo real e está lá pra quem tiver coragem de ver”, disse. Para alguém que nasceu em Apucarana e foi criado em Bom Sucesso, conhecer uma favela não pacificada no Rio de Janeiro também foi uma experiência única. 

“Também me trouxe um choque de realidade”, acrescenta. Se depender dele, a viagem ainda será longa. “Eu sonho em dar a volta ao mundo. E ainda quero conhecer todos os países antes de morrer”, diz. O próximo sonho a ser realizado em breve é uma viagem às ruínas de Machu Picchu, no Peru.

Aventura tem um “preço alto”

O jornalista Louan Brasileiro faz questão de frisar que pegar a estrada é um desafio e também um sacrifício diário. Segundo ele, muitas pessoas têm uma visão equivocada sobre essa aventura e também sobre o termo “liberdade”.

“Muita gente me vê como alguém que vive pelo mundo sem preocupações, apenas viajando. Na verdade, não é isso. Eu tenho muitas preocupações e problemas para resolver todos os dias. Viver nesse estilo ‘on the road’ tem um preço - e é bem alto. Em todos os pontos da vida. Eu não sou desses que fala para as pessoas largarem tudo da sua vida e cair na estrada. Faça isso apenas se for realmente o seu sonho. Porque só assim vai valer a pena, pois não é nada fácil”, alerta. 

A viagem, na verdade, é repleta de privações e dificuldades. No início do percurso, o jornalista levou um pouco de dinheiro que havia guardado. Agora, nesse estágio, trabalha na própria estrada para continuar mantendo a viagem. “Faço música, freelances como jornalista, vendo poesias na rua, faço de tudo um pouco”, conta. Durante sua passagem pelo Rio de Janeiro, Brasileiro fez até figuração na gravação na novela da Record “Os 10 Mandamentos” para ganhar uns trocados. “Também tenho trabalhado com turismo e hotelaria, tem muitos empregos para viajantes que falam inglês e espanhol (tive que aprender me virando nos 30)”, afirma. 

A alimentação também exige improviso: “Quando estou na estrada, cozinho meu alimento no meu fogareiro artesanal a álcool que eu mesmo desenvolvi”.Segundo ele, viajar não representa propriamente “liberdade”. “Penso que liberdade é conhecer a si mesmo e ser livre é viver integralmente sua personalidade, seus sonhos, sua fé e, acima de tudo, sempre em busca da verdadeira felicidade. Para ser sincero, me sinto às vezes mais livre quando estou em casa do que quando estou viajando (a estrada é uma prisão!)”, comenta. 

Ele considera a estrada uma “metáfora da vida”. “Você percorre um bom pedaço e um dia a viagem acaba. Mas a estrada sempre continua. Hoje as BRs têm sido uma universidade para mim. Não diria que todo mundo deveria fazer isso um dia. Mas acho que tirar um tempo da vida para viver uma experiência dessa só tem a contribuir na vida pessoal, espiritual, emocional e até mesmo profissional do ser humano. Em resumo, eu acho mesmo é que se você tem um sonho, por mais louco que seja, tem que realizar o quanto antes, porque assim como as viagens, as nossas vidas também acabam. E só a estrada continua...”, completa.

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25/03/2017 - 09h04