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Risadas e artesanato são aliados contra a depressão

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SAÚDE

Risadas e artesanato são aliados contra a depressão

Grupo se encontra nas tardes de segunda-feira e as atividades variam a cada dia - Foto: SCSC

Sair de casa e passar um tempo com outras pessoas tem trazido resultados terapêuticos a um grupo de mulheres que se reúne semanalmente na unidade básica de saúde (US) Barreirinha, em Curitiba. Os encontros regados a cantoria, risada e conversa ocorrem ao redor de mesas de trabalho enquanto as participantes colocam os dotes artísticos à prova em peças de tricô, pinturas em pano e outros tipos de artesanato. A atividade tem se configurado como um importante remédio contra a depressão.

A ideia de criar um grupo de convivência na US partiu dos agentes comunitários de saúde José Celso Garcia e Maria Aparecida da Silva Buard, a Cida, ao perceberem o grande o número de mulheres na região que não trabalhava e tomava medicação controlada. A iniciativa começou em 2008 e é desenvolvida no Espaço Saúde da unidade. “Elas passaram a ocupar o tempo com alguma coisa. De lá para cá, temos ‘meninas’ que estão vendendo trabalhos em feiras com o que aprenderam aqui, que estão tomando menos medicamento e que criaram vínculo entre elas”, relata Cida.

De acordo com informações da unidade, ao menos duas mulheres entre as 30 pessoas do grupo reduziram a quantidade de medicamentos usada após o envolvimento com as atividades do grupo. A chefe da US Barreirinha, Aline Zanetti, conta que a atividade faz com que essas mulheres sintam-se valorizadas e também aproxima o serviço de saúde e a comunidade. “Ter essa atividade aqui só traz ganhos para a unidade. Criamos um vínculo com a comunidade e elas são multiplicadoras das nossas ações com outras pessoas. Contamos com a comunicação e o contato que elas têm na vizinhança para mandarmos recados. Elas se sentem úteis e valorizadas”, diz Aline.

O grupo se encontra nas tardes de segunda-feira e as atividades variam a cada dia. O material usado nas oficinas chega ao grupo a partir de doações. Para que os materiais não acabem, atrair novos participantes e garantir a continuidade do grupo, as participantes promovem um bazar periodicamente para expor e vender os trabalhos na unidade. “Esse é apenas um exemplo de que nossas unidades de saúde estão abertas à comunidade. Esperamos que usuários de outras áreas da cidade também façam proveito desses espaços em benefício da saúde e sistematizem assim um modelo de integração com as nossas equipes”, afirma o secretário municipal da saúde, César Monte Serrat Titton.

Terapia - Para a artesã Neusa Borges Freitas, de 61 anos, o conhecimento adquirido nas oficinas tornou-se fonte de renda. Em casa, ela dá continuidade aos trabalhos, que são vendidos nas feiras do Bairro Alto e do Largo da Ordem. “O grupo me ajudou muito. Graças a esse trabalho eu não preciso tomar remédio para depressão. Antes, qualquer coisinha eu já estava chorando. Hoje, nada de choro”, relata Neusa, que participa do grupo há seis anos.

O grupo também trouxe benefícios à aposentada Irene Wojtyga, de 67 anos. “Aqui, estou no céu. Faço o que eu quero: canto, conto piada, danço. É um compromisso e faz com que eu saia de casa. Aqui eu me sinto gente, todo mundo é igual. É uma terapia”, conta Irene, que convive com a depressão há 10 anos. “Esse convívio faz com que você se sinta viva e faz com que você tenha um objetivo para viver”, completa.

A depressão é uma doença psiquiátrica que afeta de 3% a 11% da população, de acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria. A doença atinge principalmente mulheres e provoca alteração de humor, tristeza profunda, distúrbios de sono e apetite, sentimentos de dor, desesperança, baixa autoestima e culpa. Para a diretora do Departamento de Saúde Mental da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Luciana Elisabete Savaris, atividades simples trazem benefício muito grande a pessoas em sofrimento psíquico.

“Quando essas pessoas passam a conviver com pares, se sentem aceitas e úteis e têm a autoestima fortalecida. A pessoa se sente inserida e a energia aumenta”, explica a psicóloga, reforçando a importância do acompanhamento profissional em casos de transtornos psíquicos mais graves.

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