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Vida de adolescentes privados de liberdade pode virar livro

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OESTE DO PARANÁ

Vida de adolescentes privados de liberdade pode virar livro

Cense do Toledo, no Oeste do Paraná: experiência inovadora - Foto: AEN

Com o Projeto do Cense de Toledo (oeste do Paraná, intitulado “Além do olhar aprisionado: a vida pelos meus olhos”, vencedor do “Prêmio Boas Práticas e Projetos Inovadores” na Categoria Direitos Humanos, os autores pretendem transformar o relato da história de vida dos adolescentes privados de liberdade em um livro. O objetivo é que a publicação sirva de auxílio para os interessados no tema, ao ampliar o conhecimento sobre a prática socioeducativa. 

O prêmio foi entregue pela Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos para incentivar e reconhecer práticas bem-sucedidas realizadas nos Centros de Socioeducação (Censes) e Casas de Semiliberdade. No decorrer dos anos de trabalho, os socioeducadores se depararam com diversas histórias de vida dos adolescentes, desafiadoras da atuação profissional. “A ideia de socialização das histórias de vida dos adolescentes privados de liberdade vem para propiciar a eles a reflexão sobre a trajetória que cada um traçou ao longo de sua vida e o quanto isto influenciou em seu modo de ser. Também os profissionais poderão acrescentar relatos de sua prática no atendimento aos educandos”, conta o diretor do Cense de Toledo, Sandro de Moraes. 

Segundo ele, a premiação deste projeto significa uma grande responsabilidade: atingir o alvo de registrar a história de vida dos adolescentes. “A intenção é de possibilitar que eles se coloquem enquanto protagonistas de sua vida e promotores de mudanças, avaliando as escolhas que pretendem fazer para seu futuro”. A coleta dos registros individuais dos 28 adolescentes do sexo masculino que cumprem medidas socioeducativas na unidade ocorreu no último bimestre de 2015 e continuará no primeiro semestre do ano de 2016. O trabalho ocorre de maneira que eles possam se expressar livremente, sem intervenções e sugestões dos profissionais, esboçando suas vivências de acordo com seus sentimentos e olhar próprio sobre suas experiências, de forma manuscrita, tendo como recurso apenas as folhas de papéis e o lápis. 

Os autores do projeto, os socieducadores Aline Rossetto, Benhur Wagner Taborda, Jane Cristina Loef, Luzinete Ednilva Sachetti, Sandro de Moraes e o juiz da Vara da Infância e Juventude de Toledo, Rodrigo Rodrigues Dias, ressaltam que as histórias de vida dos adolescentes são fundamentais para a compreensão das condições que os levam à prática do ato infracional. “Ao se considerar a história pessoal estamos levantando indicadores de fatores de risco e as potencialidades de cada um na superação de seus problemas”, explica Aline Rosseto.

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