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Do comando-geral da PM à Secretaria de Segurança em Arapongas

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ENTREVISTA

Do comando-geral da PM à Secretaria de Segurança em Arapongas

coronel César Vinícius Kogut. Foto: Tribuna do Norte

Por cerca de dois anos, o coronel César Vinícius Kogut foi o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná. Os mais de 30 anos a serviço da corporação, que inclui o comando do 10º Batalhão de Apucarana, do 5º Batalhão de Londrina e do 2º Comando Regional, o credenciou para o posto. A trajetória no posto mais alto da PM paranaense terminou após ele entregar o cargo dias depois do confronto entre policiais e professores no Centro Cívico de Curitiba, em 2014.Nascido em 29 de outubro de 1964, em Curitiba, e agora aposentado da carreira militar, ele foi ‘convocado’ pelo novo prefeito de Arapongas, Sérgio Onofre (PSC), para assumir a Secretaria de Segurança Pública. Nesta entrevista para a Tribuna, Kogut traça os planos para a nova função e aponta os maiores desafios da cidade.

TRIBUNA - Como está sendo a nova rotina como secretário de Segurança Pública de Arapongas e quais são as suas expectativas com o novo cargo?KOGUT - Esse é um cargo que possui muitas semelhanças com o trabalho preventivo da Polícia Militar. A função da Guarda Municipal é a prevenção primária. Ela faz a parte de policiamento, prisões e repressão, mas o foco é o desenvolvimento de atividades educativas, de prevenção, de formação de cidadania dentro da comunidade. Temos uma equipe boa, bons profissionais que estamos tratando de motivar cada vez mais. Mas encontramos o nosso sistema de monitoramento praticamente inoperante e nós já estamos com um levantamento acelerado para colocá-lo novamente em operação o quanto antes, até porque foi uma aquisição cara. Hoje, estamos tomando conhecimento de tudo o que podemos colocar a serviço da comunidade.

TRIBUNA - Quais os projetos que devem ser implementados pelo senhor e quais os principais pilares que serão trabalhados pela Secretaria?

KOGUT - Ações educativas serão o nosso grande foco. Já acertamos um programa junto à Secretaria da Educação de palestras com relação a informações de segurança no geral para as crianças. Para os alunos do terceiro ano, trataremos tudo aquilo que atinge a criança, como pedofilia, violência e outras situações. A criança precisa ter esse conhecimento. Situações de abordagem de um estranho, segurança da sua residência, essas coisas. Já os do quarto ano serão atingidos por informações típicas de trânsito: como se portar nas vias. Já os do quinto ano serão trabalhados com a prevenção de drogas através do Proerd, junto com a Polícia Militar. Já temos os materiais do Proerd e já conversamos com os policiais para realizar esse trabalho, porque precisamos ter profissionais treinados para isso e a PM tem esses profissionais. Também há um projeto que está sendo construído junto ao Judiciário que visa trabalhar com menores infratores que estejam cumprindo medidas socioeducativas. Há também um foco dentro do município no sentido de consertar as câmeras e instalar um sistema de alarme em todos os prédios do município, como escolas e UBSs, para reduzir gastos com vigilantes noturnos.

TRIBUNA - Com o prefeito Sérgio Onofre como presidente do Cismel, como o senhor planeja a integração da segurança pública entre os municípios da região?

KOGUT - Vamos aproveitar o consórcio regional de segurança, o Cismel, que o prefeito Sérgio Onofre é o presidente. Temos um projeto amplo, que pode demorar um pouco para ser implantado, mas dá para fazer: o chamado OCR, que faz o acompanhamento de placas de veículos. Câmeras instaladas em pontos-chave identificam as placas dos veículos que entram nas cidades e, se for o caso, fazem um alerta de furto ou roubo. Estamos desenvolvendo esse sistema, que vai abranger todo o Cismel. Mas demora um pouco porque precisamos levantar quais pontos receberão o monitoramento. É um projeto que está implantado com grande sucesso em Atibaia, no interior paulista, que monitora cerca de 1,5 milhão de veículos por mês. 

TRIBUNA - Qual o grande problema hoje na Segurança Pública de Arapongas?

KOGUT - Hoje, o problema mais grave é o sistema prisional. Temos uma cadeia antiga, frágil e muito vulnerável. Temos um projeto a nível de estado para a construção de uma nova cadeia. Esse é o nosso calcanhar-de-Aquiles. Hoje temos condições fáceis para fugas, rebeliões e isso causa um stress muito grande na sociedade, porque eleva bastante a sensação de insegurança. Além disso, há a questão da condição de vida do próprio cidadão que está preso lá. É um ambiente insalubre, lotado. Muitos dizem que o preso tem que ‘se danar’, mas não é assim. É preciso dar condições adequadas para manter ele preso. Se ele vai se ressocializar ou não, é outra coisa. Mas ele não pode ficar lá amontoado, porque uma hora aquilo explode. E quando explode, afeta a comunidade. 

TRIBUNA - Com base no trabalho de tantos anos do senhor dentro da PM, como o senhor avalia a situação do crime organizado no Paraná?

KOGUT - A existência do PCC no Paraná é uma realidade. O crime organizado é muito forte no nosso país e, por muito tempo, tentaram negar a existência dele. As facções criminosas não são comuns apenas nos presídios brasileiros. Elas se desenvolvem no mundo inteiro. Mas, independentemente disso, é preciso que haja presídios suficientes. Porque o que importa para a sociedade é que o bandido fique preso, tendo ou não facções criminosas lá dentro. E depois, através do aparelho do Estado, ir desarticulando essas facções, atingindo principalmente a parte financeira. Em São Paulo, inclusive, a polícia atua muito bem nesse quesito.

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