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Captação de córneas aumenta 26% na região

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TRANSPLANTE

Captação de córneas aumenta 26% na região

​No ano passado, 252 córneas foram captadas em quatro hospitais credenciados da região. Foto: Tribuna do Norte

No ano passado, 252 córneas foram captadas em quatro hospitais credenciados da região, o que representa quase uma doação a cada dois dias. O número representa um acréscimo de 26% neste tipo de procedimento em comparação ao ano anterior, quando foi realizado 200 captações em três unidades hospitalares. O credenciamento do Hospital Bom Jesus, de Ivaiporã, ocorreu em 2016 e ajudou a elevar o número de captações. Somente no ano passado foram 14 procedimentos realizados na unidade. Do total de captações, o Hospital Bom Jesus representa 13%.

As córneas captadas em Ivaiporã são enviadas para outras unidades, que realizam o transplante. No Vale do Ivaí, o Hospital da Providência é o único credenciado para fazer a cirurgia de transplante de córnea. No entanto, o Hospital dos Olhos e o Evangélico de Londrina são as unidades com maior índice de captação e transplante, atendendo pacientes de vários municípios da região. 

Em Apucarana, em 2016, foram captadas 76 córneas. No ano anterior, 2015, foram 88, o que representa uma queda de 13%. Já quanto ao número de transplante, o Hospital da Providência realizou 16 transplantes nos dois últimos anos, oito em cada um. Na cidade vizinha Arapongas, o Hospital Norte Paranaense (Honpar), antigo Hospital Regional João de Freitas, foram 130 córneas captadas no último ano, o que representa um aumento de 32% em comparação a 2015, quando 98 córneas foram captadas. 

Em Arapongas, o Hospital Santa Casa também é credenciado para a realização do procedimento. Em 2015, 14 córneas foram coletadas. Já no ano passado foram 12, uma queda de 14%. Na região, o percentual geral é positivo mesmo sem contabilizar os números do Hospital Bom Jesus. Neste caso, o índice seria de 9%. Na macrorregião da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes (COPOTT), de Londrina, responsável pela captação e transplante de órgãos, tem 44 pessoas na fila à espera de uma córnea. O transplante geralmente demora entre três e seis meses, conforme a quantidade de doações. 

Tempo bem diferente de outros órgãos como rins e corações, quando pacientes levam anos para conseguir realizar o procedimento. Na avaliação do médico oftalmologista Ênio Suganuma, de Apucarana, o aumento é reflexo da maior conscientização da população. “Hoje em dia, as pessoas estão mais esclarecidas e, por isso, autorizam a doação com mais tranquilidade. Com isso, o tempo de espera reduziu muito nos últimos anos. Em alguns casos, os pacientes aguardam cerca de três meses até conseguir o transplante”, diz. De acordo com ele, que integra a equipe de transplantes de córneas do Hospital da Providência, atualmente, o tempo de espera é variável, mas, o máximo que um paciente tem esperado por este tipo de transplante é seis meses.   

Apucaranense passou duas vezes pelo procedimento
Um dos motivos que facilita e agiliza este tipo de transplante, segundo o oftalmologista Ênio Suganuma, é que que o receptor não precisa que o doador seja compatível, porque a córnea é avascular – ou seja, não tem veias nem artérias -, o que diminui muito a chance de rejeição. “A chance do paciente que faz o transplante precisar fazer um novo procedimento é pequena”, afirma. O médico explica que a principal causa que leva ao transplante é o ceratocone, degeneração corneana progressiva. 

Segundo dados do Ministério da Saúde, o distúrbio corresponde a cerca de 70% dos casos de transplantes. A apucaranense Viviane Adriana Mariano, 39 anos, foi diagnosticada com ceratocone nos dois olhos em 2001 e precisou fazer o transplante seis anos depois no olho direito e, em 2009, no olho esquerdo. Na primeira situação, ela precisou esperar por nove meses na fila.

“Quando precisei fazer a cirurgia do olho esquerdo, esperei apenas três meses. Foi muito rápido”, avalia. Viviane comenta que a parte mais difícil foi a recuperação, que exige o uso de colírios e pomadas que não estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A cirurgia foi muito rápida e agradeço as famílias que tomaram essa decisão de doar as córneas, num momento tão difícil, porque permitiu que eu continuasse enxergando”, diz. Em novembro do ano passado, a doença voltou e Viviane revela que futuramente precisará novamente de um novo doador.

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